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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Colóquio vai estar online

 

Para quem, como eu, é obcecado por arquivos, esta é uma excelente notícia: a Fundação Calouste Gulbenkian divulgou hoje que os 61 números da revista Colóquio/Letras publicados entre 1959 e 1970 vão estar online a partir da próxima segunda-feira, 24 de Setembro.

Até 1970, a revista chamava-se Colóquio, Revista de Artes e Letras. A partir de então dividiu-se em duas: Colóquio/Artes e Colóquio/Letras.

Os números publicados entre 1971 e a actualidade estão online há vários meses (aqui) e são uma preciosidade, até porque o sistema de pesquisa é muito eficaz.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O rapaz que nasceu para ser bailarino

No "Público", hoje; excerto:

Esta é a história de Roger van der Poel, bailarino [luso-holandês] que começou tarde, mas se adaptou depressa. Nos últimos cinco anos passou por importantes companhias de dança europeias. Em Outubro recebeu um prémio de incentivo de uma associação de dança da Holanda, onde trabalha.
É uma confissão, que é um desabafo, que é o resumo possível do que ele sente: "Nunca pensei chegar a um nível destes e ser reconhecido. Nunca pensei sequer entrar no NDT e agora cá estou." É o bailarino luso-holandês Roger van der Poel, de 24 anos, quem fala assim. Trabalha há quase dois anos numa das mais importantes companhias de dança da Europa, o Nederlands Dans Theater (NDT), em Haia, Holanda. O reconhecimento a que se refere é o do Prémio Incentivo 2007, que lhe foi atribuído em Outubro pela associação holandesa Danserfonds "79 (o número remete para o ano da fundação).
(...)
A opinião do júri não podia ser mais favorável. Roger consegue, "aparentemente sem esforço, lidar com as exigências técnicas e físicas do reportório". E tem "virtuosidade técnica, presença em palco e talento", justificou o júri.

(...)
Foi o corolário de uma carreira ainda breve, de uma ascensão meteórica, rara, que começou em Portugal. Filho de mãe holandesa e pai português, nasceu em Portimão em 1983. Tem dupla nacionalidade (condição que foi, aliás, fundamental para a atribuição do Prémio Incentivo, raramente recebido por cidadãos não holandeses).
(...)
Sobre os efeitos profissionais do prémio agora conquistado, o bailarino não é claro. Acredita que é uma mais-valia, mas não tem a certeza sobre se é o suficiente para ser promovido. (...) Apesar de achar que tem tido sorte, Roger van der Poel sabe que não é só isso que o tem ajudado. "É também uma questão de talento, de muita vontade e de muito trabalho. Nunca tomo por garantido que sou bom. Tenho trabalhado muito." Bruno Horta / foto: NDT

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ele quer inovar na dança contemporânea

Perfil do bailarino e coreógrafo André Mesquita, na revista "Pública", ontem:

Foi há uma semana que viveu um dos momentos mais importantes da sua vida. A 27 de Abril, apresentou no Centro Cultural do Cartaxo, em estreia absoluta, as coreografias “Morada de Silêncio” e “Como É Bom Tocar-te”. Da primeira é co-autor, juntamente com Teresa Alves da Silva, que foi bailarina principal do extinto Ballet Gulbenkian. A segunda, foi criada exclusivamente por ele, mas em estreita colaboração com os intérpretes (Teresa Alves da Silva, César Fernandes, Filipa Peraltinha, Hugo Marmelada e Kelly Nakamura). “O trabalho em dança contemporânea só faz sentido se houver interacção entre o criador e os bailarinos”, sublinha.

Não foi a primeira vez que André Mesquita assinou coreografias. Já o tinha feito, por exemplo, na Companhia Oficina dos Sentidos, do Teatro [Municipal] de Hildesheim, no Norte da Alemanha – onde ainda está radicado. A novidade é a de que as duas peças marcaram o início da actividade da Tok’Art, uma associação de profissionais da dança contemporânea.

Aos 27 anos, sabe que o seu futuro profissional depende em grande medida do êxito da Tok’Art. A ideia partiu dele e a direcção é partilhada com Teresa Alves da Silva e Rita Judas. “Estava com vontade de voltar a coreografar e de trabalhar com algumas pessoas que admiro. Achei que fazia sentido voltar a Portugal. Tinha e tenho a convicção de que há espaço para nós”, explica o bailarino e coreógrafo, durante uma conversa nos camarins do Centro Cultural do Cartaxo.

O apelo do movimento do corpo apareceu em criança. “Dançava muito em casa”, conta. Aos 13 anos, conseguiu convencer os pais e inscreveu-se na Academia de Dança de Setúbal, cidade onde nasceu. “Nessa altura, comecei a ver espectáculos e ficava fascinado com o passos dos bailarinos. Queria ser coreógrafo, sem ter ainda noção do que isso implicava”. Aluno aplicado, pensou que o seu caminho era o ballet. Mas apercebeu-se depressa de que não tinha de estar vinculado apenas à dança clássica. Aproximou-se, então, da contemporânea e ainda hoje tem William Forsythe, conhecido bailarino vanguardista, como uma das suas referências. Apesar disso, e contra o que é habitual ouvir-se, garante que “é possível ser-se um excelente profissional de dança contemporânea sem ter tido formação clássica”. Aliás, acrescenta, “talvez o talento nem seja o mais importante; o trabalho constante e a procura do estímulo certo, às vezes, contam mais”.

Estagiou na Companhia Nacional de Bailado, passou pela CeDeCe (Setúbal) e pela Dançarte (Palmela) e acabou na Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, de Vasco Wellenkamp. Em 2002, uma fractura no pé direito, cuja recuperação demorou quase um ano, obrigou-o a parar e a tornar-se ensaiador da Companhia de Dança de Almada. A experiência durou pouco tempo, porque “era difícil sobreviver com o que ganhava”. Partiu, então, para a Alemanha, para actuar como solista na Oficina dos Sentidos, dirigida pelo português Carlos Matos. “Trabalhávamos muitíssimo, mas foi um período muito interessante”, recorda.

A estada de dois anos, que está prestes a terminar, serviu-lhe para descobrir a efervescência de um país em que quase todas as cidades têm teatros e companhias de dança e onde, na sua opinião, o público tem apetência pelo experimentalismo nesta área. Foi lá, também, que conheceu o trabalho de Marco Goecke, um dos coreógrafos residentes do Ballet de Estugarda, de quem fala com visível entusiasmo. “Acho-o genial. Há nele qualquer coisa de Pina Bausch, mas é muito mais agressivo fisicamente. Alguns colegas meus dizem que o trabalho com ele foi a experiência física mais dolorosa e interessante que tiveram”.

André Mesquita vive agora em função da Tok’Art, que define como “uma plataforma de criação” e não como uma companhia de dança – porque não há intérpretes residentes ou salários fixos. Está a negociar a apresentação das duas novas coreografias em salas de Lisboa e do Montijo e, no próximo ano, pretende concorrer ao Programa de Apoio a Projectos Pontuais, do Instituto das Artes, que subsidia trabalhos de uma grande parte dos artistas portugueses. “Se as coisas correrem bem, queremos também ocupar um espaço próprio e desenvolver trabalho pedagógico, para gerar receitas próprias”. Onde e como, é coisa que só o tempo dirá. O investimento financeiro é pessoal, por enquanto.

Consciente de que a extinção do Ballet Gulbenkian, há dois anos, “deixou um espaço em branco na dança contemporânea”, está disposto a dar o seu contributo para o preencher. “Houve alguns intérpretes a sair do país, mas muitos ficaram e estão disponíveis. Vamos trabalhar com eles, com os portugueses, e, se possível, trazer criadores estrangeiros”. O primeiro da lista é, precisamente, Marco Goecke. “Estou em contacto com a agente dele, já percebi que tem uma agenda muito preenchida. Gostava de criar em conjunto ou trazer alguma peça dele ao nosso país”. Bruno Horta

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Amadeo de Souza-Cardoso volta à Gulbenkian

Alguns quadros de Amadeo de Souza-Cardoso vão voltar à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no próximo mês de Março. Na exposição "Humor e Ilustração na Colecção do Centro de Arte Moderna" vão estar representados artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Cristiano Cruz, António Soares ou Jorge Barradas, informa a Fundação.