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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lisboa VS. Los Angeles

"O leitor Paulo Trigo Pereira, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e dirigente da DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, relata a sua experiência pessoal na manhã de 30 de Março: 'Comprei o PÚBLICO a caminho do ISEG (...) Não é a primeira vez que o PÚBLICO sai com um invólucro diferente, mas que me lembre é a primeira vez que sai com [uma publicidade num] layout exactamente igual à normal capa do jornal'. .(...) Perante a actual crise económica e a diminuição do investimento publicitário, julga o provedor que a decisão de aceitar este anúncio terá sito motivada pelo pragmatismo. Uma vez que a crise vai prolongar-se, é melhor os leitores prepararem-se para outras surpresas do género."
[blogue do Provedor do Leitor do Público]

An advertisement dressed up as a news story on the front page of the Los Angeles Times has reporters at the newspaper fuming and the publisher defending the move. The advertisement, for the NBC television series 'Southland,' appeared on page one of the Times Thursday. Although it was labeled 'advertisement,' the ad resembled a news story complete with a bold-type headline. According to the blog MediaMemo, more than 100 staffers at the newspaper signed a petition protesting the appearance of the fake news story ad on the front page.
[aqui]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Balanços de 2008

Duas frases lapidares pertencentes ao dossier "balanço do ano" da Visão:
"Dá-me o telemóvel, já!" (da aluna do liceu do Porto);
"Se não tivesse ido à televisão, provavelmente não estaria envolvido neste processo" (procurador João Aibéu, sobre Carlos Cruz).
O Ípsilon, do Público, escolhe a "tralha de 2008" das chamadas artes e letras. Melhor livro: "A Faca Não Corta o Fogo", Herberto Helder.
A versão incompleta destas escolhas está aqui.

sábado, 27 de setembro de 2008

"Não preciso de ter um pénis para ser um homem"

No "Público" de 23 de Setembro (caderno P2); excerto:

Há 15 anos, era uma mulher. Agora, é um homem. Actor e produtor pornográfico, Buck Angel é a personagem principal da curta-metragem Schwarzwald: The Black Party, de Richard Kimmel, que passa hoje, às 23h45, no Cinema São Jorge, no âmbito do Queer Lisboa, festival de cinema gay e lésbico.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Obsessivamente felizes

No "Público" (caderno "P2") de 8 de Maio; excertos:

É um livro difícil, com uma tese original. Against Happiness: In Praise of Melancholy, de Eric G. Wilson, publicado no início deste ano nos EUA, denuncia uma América viciada na felicidade fácil e demasiado dependente daquilo a que o autor chama "indústria da auto-ajuda".
"A procura da felicidade a qualquer preço não é apenas um passatempo", diz Wilson, "está enraizada na alma americana." Provas de comportamentos felizes obsessivos? A corrida aos centros comerciais, a vida dentro de condomínios fechados, livros de auto-ajuda, ginásios, igrejas e seitas (descritas como "fábricas de felicidade"), a moda da comida saudável.
(...)
A melancolia, diz Wilson no livro, "não é uma doença ou uma fraqueza da vontade", mas uma fonte de criatividade, na vida e na arte. Contudo, os americanos consideram-na "um estado aberrante", que é preciso expurgar. Ora, "a grande tragédia é viver sem tragédia", defende o autor, ressalvando que melancolia e depressão são coisas diferentes: "A depressão causa apatia. A melancolia gera uma turbulência no coração que resulta numa contestação permanente do statu quo e numa vontade contínua de criar novas formas de ser e de ver."
(...)
Em entrevista ao P2, o autor não quis pronunciar-se sobre a realidade portuguesa, que desconhece, mas sublinhou que o poder da melancolia como força criadora "sempre foi levado mais a sério na Europa, por pensadores e artistas, do que na América".
E nós, onde estamos em tudo isto? Dir-se-á que os portugueses estão longe dos americanos nesta busca da felicidade fácil. Mas nem tanto. No livro A Morte de Portugal, publicado em Dezembro, o escritor e professor de Filosofia Miguel Real diz que a americanização do país é esmagadora. "Por causa de um fenómeno de aceleradíssima descristianização e desumanização ética da sociedade e de uma rapidíssima submersão social numa tecnocracia científica anónima que nivela as nações", Portugal "atingiu o seu limite de esgotamento e está a chegar ao fim". Vem aí, acredita Miguel Real, "um novo país urbano e cosmopolita, eticamente relativista, em total ruptura com o antigo Portugal, eminentemente rural e religioso, eticamente absolutista". Porquê? Porque Portugal "apanhou o comboio europeu", que estava, e está, "totalmente dependente do poderio americano, que imita como um macaco de circo".

Será, pois, que os portugueses também estão, tal como os americanos, cada vez mais interessados na felicidade fácil? Quererão enterrar de vez o peso do fado e da saudade? Estudos estatísticos dizem que o país continua a ser triste. Especialistas contactados pelo P2 [escritora e professora e literatura Yvette Centeno; psicóloga Marta Chaves; sociólogo Moisés Espírito Santo; escritor Mário de Carvalho] divergem nas interpretações. Não tendo lido o livro Against Happiness, aceitaram dar opinião em abstracto. Bruno Horta

sábado, 3 de maio de 2008

Manha de sociólogo

O que surpreende não é o facto de 70% dos portugueses dizerem que a homossexualidade é errada (aqui). E 80% dizerem que não usariam preservativo numa relação sexual com um seropositivo (aqui). Num país conservador e atrasado como Portugal estas respostas são normais.
O que surpreende é a forma como o Instituto de Ciências Sociais (ICS), autor do estudo, o distribuiu cirurgicamente pela imprensa de hoje. Ao "Público" coube a questão dos gays. Ao "Diário de Notícias" a questão da sida. E ambas com direito a manchete. À primeira vista, isso pode significar, entre outras coisas, que o ICS não avisou um da notícia que tinha "vendido" ao outro e só apresentou a cada parte o tema específico que queria ver noticiado, em vez do estudo completo.
Que metodologia mais sinistra para sociólogos que se querem respeitáveis.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Contra o Acordo Ortográfico

Desidério Murcho diz no "Público" de hoje....
"Há três razões contra a pretensa unificação ortográfica da língua portuguesa: primeiro, não há harmonia ortográfica nos países de língua inglesa, francesa ou espanhola; segundo, o acordo não unifica as ortografias, pois os portugueses continuariam a escrever "facto" e "género", e os brasileiros "fato" e "gênero"; terceiro, mesmo que unificasse a ortografia, o acordo não unificaria o léxico, a sintaxe ou a semântica: no Brasil os autocarros chamam-se "ônibus" e os comboios "trens", e muitas mais variações semânticas existirão, e ainda bem, no português cabo-verdiano, angolano, etc. Em conclusão, o acordo pretende-se unificador, mas nada unifica."
... o que já se tinha dito aqui.

domingo, 30 de março de 2008

Revistas de domingo

A "Pública" (do "Público") faz capa com Jack Nicholson, a propósito do recente filme "Nunca é Tarde Demais", mas o artigo mais interessante está escondido lá dentro: é uma reportagem de Sofia Branco com perfis, na primeira pessoa, de várias mulheres feministas, de Norte a Sul de Portugal.
Uma delas é Fina d'Armada (pseudónimo de Josefina Fernandes). Lembro-me do nome em livros e artigos sobre OVNIs. Não a sabia feminista e nunca tinha visto uma foto dela. Surpresas.

O número de Abril da revista da sobrevalorizadíssima discoteca Lux tem um artigo interessante sobre o estilista Filipe Faísca e uma nota que recorda Laura Branigan (descrita como "cocainómana, paranóica e sociopata") e o seu êxito "Gloria".
Se calhar, é pós-moderno não meter ficha técnica nas revistas. Esta não tem. É pena.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tanta conversa para quê?

O presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas disse ontem que quando um jornalista obtém informações de fontes anónimas deve assumir essa informação como dele (ou do órgão para o qual trabalha), em vez de escrever (ou dizer) coisas como "fonte próxima do processo" ou "fonte autorizada".

A opinião de Orlando César surge depois de o Provedor do Leitor do "Púbico", Joaquim Vieira, ter aberto a discussão num artigo recente, ao qual reagiram, negativamente, dois antigos jornalistas e fundadores do jornal, Vicente Jorge Silva e José Mário Costa.

O Provedor acha que "fonte próxima do processo" é mais correcto do que "o Público sabe que", embora o Livro de Estilo (compilação de regras internas) do jornal estabeleça que “um jornal bem informado não precisa de justificar permanentemente as suas notícias – assume-as e responsabiliza-se por elas”. Ou seja, o Livro de Estilo legitima a fórmula "o Público sabe que", em vez da "fonte próxima do processo".

O Código Deontológico dos jornalistas diz que "o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes". Condena o abuso de fontes anónimas. Mas, obviamente, não condena o seu uso.

A discussão Provedor/fundadores/Orlando César é sobre a forma como as fontes anónimas são apresentadas ao público. É uma discussão formal. Não é sobre o uso de fontes anónimas.

No domínio formal, as propostas do jornalista Michel Voirol, em "Guide de La Rédaction" (ed. Centre de Formation et de Perfectionnement des Journalistes, 7ª ed., Paris, 2001), são tão simples e completas que tornam esta discussão inútil:

De source officielle...
Officiellement...
De source autorisée...
La nouvelle a été communiquée officiellement par le porte-parole d'un organisme public ou privé.

Officieusement...
L'information provient d'un responsable officiel, mais l'organisme qu'il représente ne veut pas (ou pas encore) la publier officiellement... tout en voulant la faire connaître.

De source proche de...
Dans l'entourage de...
Dans les milieux touchant de près...
L'information émane d'un (ou plusieurs responsables officiels) qui ne veulent pas être identifiés formellement, mais qui souhaitent que la nouvelle circule, quitte à la démentir si elle ne produit pas l'effet escompté.

De source très bien informée...
De source sûre...
L'information provient de personnes très proches de la source... sinon de la source même. Formules souvent utilisées pour rapporter des informations obtenues «off the record»

De source bien informée...
De source informée...
De source généralement bien
informée...
L'information a été recueillie auprès d'informateurs bien placés. L'agencier indique le degré de confiance qu'il leur accorde.

Dans les milieux diplomatiques, politiques, économiques, etc.
Il s'agit de l'opinion générale ou dominante des milieux cités. Pour restreindre, l'agencier peut écrire : « Dans certains milieux... », en ajoutant une précision supplémentaire qui permet, en partie, de les identifier.

Les observateurs
La plupart des observateurs...
De nombreux observateurs...
Certains observateurs...
Ces fameux «observateurs», qui apparaissent dans les nouvelles de l'étranger, sont neuf fois sur dix des diplomates ou... des confrères.

Selon les témoignages concordants...
Selon certains témoins...
Selon un témoin...
Le journaliste a recueilli un certain nombre d'informations plus ou moins fiables auprès de témoins directs.

Des habitants disent avoir vu. entendu... affirment que...
Selon des voyageurs en provenance de...
À N..., le bruit court que...
Selon des rumeurs qui circulent...
Il s'agit-là d'informations de seconde main souvent contredites par d'autres sources, et à accueillir avec prudence.

Cronologia:
- primeira crónica de Joaquim Vieira
- reacção de Vicente Jorge Silva e José Mário Costa e segunda crónica de Vieira
- segunda reacção de VJS e JMC e terceiro comentário de Vieira
- reacção do Conselho Deontológico

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O défice

É tudo uma questão de carácter e de hombridade. A revelação feita hoje pelo "Público" de que Sócrates assinou projectos de arquitectura, nos anos 80, na Guarda, de que não era autor resume-se a isso. E isso, à luz desta notícia e de outras sobre as falhas na sua licenciatura, é o que manifestamente falta ao primeiro-ministro. Um défice muito superior a três por cento. O défice do típico chico esperto português.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Abusar da morte

Porque é que "Uma Grande Razão", antologia póstuma da poesia de Mário Cesariny, publicada este ano pela Assírio & Alvim, foi eleito o melhor livro do ano por um grupo de críticos e jornalistas do "Público"?

O jornalista Luís Miguel Queirós explica no Ípsilon de hoje (suplemento do "Público" onde vem feita aquela eleição), que "não são nada evidentes os motivos" da escolha e que só pode haver uma razão: "quiseram sublinhar o talento de Cesariny" e a "qualidade e originalidade" da antologia.

Como sempre me fez confusão o que se pode fazer com os mortos, faz-me confusão que a editora de Cesariny tenha feito depois da morte dele o que ele, em vida, nunca deixou que se fizesse: justamente, uma antologia.

É, por isso, incompreensível a escolha do painel do "Público". Porquê eleger como melhor obra do ano um objecto que o autor, estando vivo, certamente rejeitaria? Quis o painel dizer que a
obra artística de alguém é sempre superior aos formatos? Se foi isso, talvez tenha errado a forma. Porque não conseguiu mais do que ratificar uma decisão comercial que mandou às urtigas a convicção do poeta.

sábado, 17 de novembro de 2007

Uma televisão, uma varinha mágica e camisas

A reportagem de Paulo Moura, no "Público" do dia 15, não podia ser mais aterradora. Uma mulher, Maria das Dores, é acusada de ter mandado matar o marido, o empresário Paulo Cruz. Um brasileiro e um cabo-verdiano (não será despicienda, aqui, a identificação da nacionalidade) começaram esta semana a responder no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, juntamente com ela, por alegado homicídio:

"Quem cometeu o crime foi Horta. Ele, Silva, limitou-se a colocar um saco de plástico na cabeça da vítima, já morta, 'para que não fosse reconhecida'. Não obstante, recebeu 3 mil euros de Maria das Dores, com quem se encontraram logo a seguir, que dividiu com Horta. Com a sua parte, comprou, nesse mesmo dia, uma televisão, uma varinha mágica e camisas."

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Agências de modelos fazem boicote ao Portugal Fashion

No Público de 18/10:

Quatro das principais agências de modelos portuguesas recusaram-se a participar na edição do Portugal Fashion, que começa hoje em Vila Nova de Gaia. Queixam-se que a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), uma das responsáveis pelo evento, lhes deve milhares de euros desde a última edição, em Março.
Nos últimos dias, as partes tentaram, sem êxito, chegar a acordo. Até ao início da noite de ontem, o Portugal Fashion - organizado pela ANJE e pela Associação Têxtil Vestuário de Portugal (ATVP), em parceria com o Ministério da Economia - tinha apenas modelos das agências Best, DXL, Face e Elite. De fora ficaram L'Agence, Loft, Just e Central - as principais fornecedoras de modelos nas edições anteriores, confirmou o PÚBLICO.

Armindo Monteiro, presidente da ANJE, admite a existência da dívida. "Propusemos fazer o pagamento de certa forma, que não vou revelar, mas as agências não aceitaram".
Ao que o PUBLICO apurou, as agências pretendiam receber o dinheiro atrasado na totalidade antes do início deste Portugal Fashion, enquanto a ANJE sugeria pagar a três meses. Armindo Monteiro acusa as agências de "fazerem chantagem" e diz que o Portugal Fashion depende de subsídios da União Europeia que ainda não chegaram.
Miguel Blanc, director da L'Agence, não faz comentários. Diz que a situação "é muito complexa" e remete esclarecimentos para segunda-feira. Os responsáveis das outras agências estiveram incontactáveis.

A 21.ª edição do Portugal Fashion vai ser diferente do habitual: não decorre no Porto, não tem apoio assegurado do Estado e vai acontecer dentro de uma tenda gigante (a mesma que acolheu ainda recentemente a Pasarela Cibeles de Madrid, com quatro pisos de altura), mas, por outro lado, conquistou, graças ao acordo com a Câmara de Gaia, a garantia de que manterá a estabilidade organizativa nos próximos três anos.
"Com este acordo, conseguimos uma capacidade de planeamento completamente diferente", sublinhou Armindo Monteiro.
Paulo Nunes da Cunha, presidente da ATVP, sublinhou, por seu lado, o importante papel que o Portugal Fashion desempenha para o sector, fundamental para que, por exemplo, as exportações de têxteis portugueses tenham crescido 4,1 por cento nos primeiros seis meses do ano, apesar do contexto desfavorável que existe.
Até domingo, na praça em frente ao El Corte Inglés, desfilam as colecções de Filipe Oliveira Baptista, da dupla Storytaylors, de Fátima Lopes e Tenente Jeans, por exemplo. Katty Xiomara apresenta a sua colecção de lingerie e nove marcas portuguesas mostram num único desfile as suas propostas para a Primavera/Verão de 2008. Revela-se ainda o trabalho de alguns jovens criadores e colecções de sapatos. Bruno Horta e Jorge Marmelo

segunda-feira, 14 de maio de 2007

"Os espaços para escrever ou publicar vão diminuindo"

Eduardo Prado Coelho fala sobre o medo em Portugal. No "Público", hoje:

"Se considerarmos o ambiente geral que se vive no país, a sensação é de inquietação, frustração ou medo. Todos estão um pouco inquietos porque os espaços para escrever ou publicar vão diminuindo. Todos estão frustrados porque muitas vezes não encontram os interlocutores adequados (veja-se o caso dos professores). Todos estão algo pressionados porque têm medo de perder o emprego e nestas circunstâncias o melhor é estar quieto. E podemos dizer que todos estão ainda impressionados com o facto de se estar a acentuar um clima em que as empresas privadas dominam sobre os serviços públicos e portanto os mais variados interesses económicos aparecem à frente de tudo o resto."

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Discriminação laboral ganha novos contornos

No "Público", hoje:

A orientação sexual, a deficiência, a doença crónica e o estilo de vida são factores “novos” de discriminação laboral, identifica a Organização Internacional do Trabalho, no relatório global hoje divulgado.

O mesmo documento, elaborado de quatro em quatro anos e a que o PÚBLICO teve acesso, acrescenta que se mantêm as “formas de discriminação tradicionais”, decorrentes do sexo, da idade ou da raça, e que aumentam as injustiças relacionadas com os imigrantes e as minorias étnicas.

A discriminação de género – frequente nos casos de gravidez – continua a afectar “o maior número de pessoas” e “parece estar a aumentar nalguns países”, enquanto a desigualdade salarial entre homens e mulheres “permanece um problema em todo o mundo”. Sofia Branco

domingo, 6 de maio de 2007

"Será sempre um voto de protesto"

No "Público" de sábado:

O ambiente das pessoas em Clichy-sous-Bois é quase festivo. Mas o cenário é sombrio, sob a mancha cinzenta de prédios degradados, repletos de famílias numerosas, pobres, vindas de longe, há muito tempo, com filhos que não conhecem nenhum país de origem senão a França.

A morte dos dois adolescentes, Zyad Beena, de 17 anos, e Bouna Traoré, de 15 anos, electrocutados num transformador de alta tensão quando se escondiam da polícia, numa tarde do fim de Outubro de 2005, ainda pesa. Nessa noite, não houve qualquer explicação da polícia, do Governo, de qualquer instituição.
A mágoa tomou a forma de "revolta social" que incendiou primeiro Clichy-sous-Bois, no Leste de Paris, depois as cidades em volta e, por fim, se alastrou aos subúrbios de várias grandes cidades da França em Novembro de 2005.
(...)
Desde o Outono quente da "revolta social" de 2005, as coisas "estão muito mais calmas", ouve-se dizer em vários cantos da cidade. Mas nada ou quase nada melhorou. O candidato Nicolas Sarkozy não entra aqui.
"Ele é muito mal visto", diz Samir Mihi, um dos fundadores da ACLEFEU (Association, Collectif, Liberté, Égalité, Fraternité, Ensemble, Unis) criada logo a seguir aos acontecimentos, para que Zyad e Bouna "não tenham morrido para nada". Até hoje, as suas mortes não foram esclarecidas.
(...)
Quando chegar domingo, o dia da segunda volta, o voto dos jovens "não será a favor de Ségolène Royal mas contra Sarkozy", diz Samir Mihi. Na primeira volta, 82 por cento dos eleitores de Clichy-sous-
-Bois votaram. Quase metade votou Ségolène. "Será sempre um voto de protesto", insiste. As políticas de integração falharam, tanto em governos de direita como de esquerda. Ana Dias Cordeiro, em Paris

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Ameaça disseminada

O advogado Francisco Teixeira da Mota escreve hoje no "Público" sobre o discurso de ontem na AR do deputado Paulo Rangel:

É difícil saber se, como afirmou Paulo Rangel, "nunca como hoje se sentiu uma tão grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática" mas não haverá muitas dúvidas de que as tentativas de condicionamento da liberdade de expressão e de informação são uma realidade no nosso país. O facto de um "partido da liberdade" como é o PS, estar na origem de algumas dessas ameaças à liberdade de expressão coloca mesmo a questão: será que o poder, para além de corromper, também provoca amnésias selectivas?
Não são só as actuações dos "spin doctors" governamentais junto das redacções dos "media" públicos e privados que são mais ou menos preocupantes. As "nebulosas" a que se refere o deputado Paulo Rangel e que podem pôr em causa a qualidade da nossa democracia, abrangem, seguramente, a cabotina Entidade Reguladora para a Comunicação que, em pouco tempo, já mostrou para o que serve, a futura Comissão da Carteira Profissional que se pretende dotar de poderes disciplinares, inéditos em democracias pluralistas, sobre os jornalistas e, também, o anunciado regime da violação do segredo de justiça para os jornalistas. Estas inequívocas ameaças e condicionamentos à liberdade de expressão e de informação não são, contudo, uma criação exclusiva do governo e do Partido Socialista; antes contam com uma participação activa e criativa do principal partido da oposição, o que, ainda mais, justifica a preocupação agora manifestada.
Tem, assim, toda a razão o deputado Paulo Rangel ao celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, chamando a atenção para as "ameaças e nebulosas" que nos espreitam, tanto ao nível da liberdade de expressão como, eventualmente, quanto à concentração de poderes, mas fica-nos uma enorme dúvida: a quem se dirigia?

sábado, 10 de março de 2007

Hitler era vegetariano por causa de Gandhi

No "Público", ontem:

Hitler e Gandhi queriam mudar o mundo através do consumo de vegetais. E os portugueses na Índia acreditavam que perderiam a virilidade se se tornassem vegetarianos. Teses polémicas de um novo livro

A cena é famosa. Abril de 1945, Hitler já derrotado e enlouquecido, com os soviéticos à porta do bunker, numa Berlim em estado de sítio, janta com Eva Braun, a amante com quem acabara de casar. "A sua última refeição vegetariana, de esparguete com molho de tomate", descreve Tristram Stuart, autor do livro sobre vegetarianismo The Bloddless Revolution (A Revolução Sem Sangue), agora publicado nos EUA. Só depois, as doses fatais de cianeto. para ele, para ela e para a cadela de estimação, Blondi.

Ao que garante Stuart, foram os dentes amarelecidos de Hitler, típicos de um vegetariano, que mais tarde permitiram aos médicos forenses russos que examinaram o cadáver carbonizado comprovar a sua identidade. Tristram Stuart não hesita na conclusão: "Adolf Hitler era vegetariano ou, pelo menos, partilhava a filosofia vegetariana e punha-a quase sempre em prática."

O ditador deixou de comer carne em 1911, por causa de constantes dores de estômago, e, nos anos que se seguiram, "acreditou sempre que essa abstinência o aliviava da flatulência crónica, da prisão de ventre, dos suores, da tensão nervosa e dos espasmos musculares". Acreditava, sobretudo, que o consumo de vegetais, incluindo entre os militares, seria determinante para a vitória moral e bélica da Alemanha sobre o resto do mundo.

O livro, que tem como subtítulo Uma História Cultural do Vegetarianismo de 1600 à Era Contemporânea, inclui nada menos do que 65 páginas de bibliografia. Em relação às teses sobre Hitler são citados vários historiadores e um diário de Goebbels de 1942: "Ele [Hitler] acredita mais do que nunca que comer carne é maléfico para a humanidade", escreveu o chefe da propaganda nazi.

Pura invenção
Convém, a propósito, referir que há quem defenda o contrário. Rynn Berry, por exemplo, membro da North American Vegetarian Society, garante no livro Hitler: Neither Vegetarian nor Animal Lover, publicado há três anos, que a ideia de que o Führer era vegetariano e amigo dos animais foi forjada precisamente por Goebbels.

À parte esta discussão, uma das ideias mais polémicas de The Bloodless Revolution é a de que o vegetarianismo de Hitler estaria relacionado com o de Mahatma Gandhi (1869-1948), o homem que levou a Índia à autodeterminação e que se recusava consumir carne como parte da sua filosofia de não-violência (contra os outros animais, neste caso).

O autor diz que o vegetarianismo "não pode ser conotado com quaisquer pontos de vista políticos", porque foi usado por quase todos para explicar realidades muito diferentes. Ainda assim, diz que livros sobre o líder espiritual indiano foram encontrados na biblioteca pessoal do Führer e que até a imagem de austeridade e sacrifício em benefício da pátria que Hitler quis para si "pode ter sido inspirada por Gandhi". Tal como este, também aquele tinha integrado na sua doutrina reflexões do famoso economista britânico Thomas Malthus (1766-1834).

Uma questão ideológica

Stuart vai atrás no tempo e sugere que algumas diferenças ideológicas entre a esquerda e a direita estão ligadas ao vegetarianismo. Porque comer apenas vegetais implica consciência política. No século XVIII, escreve, nasceram no Ocidente duas filosofias sobre os instintos predatórios dos humanos e a compaixão pelos outros animais. A de que o homem tem uma necessidade brutal de autodefesa, logo, de fazer a guerra; e a de que apesar dessa violência, tenderá sempre para a contenção e a misericórdia.

A primeira é do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679; autor de Leviathan) e dela nasceu o caldo cultural que originou a ideologia de direita, sustentada, também, na teoria da evolução de Darwin e em princípios defendidos por Malthus. A segunda é do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-78) e originou em parte o pensamento de esquerda, que também adoptou e adaptou Darwin. A estes, juntaram-se os filósofos Descartes e Francis Bacon, na construção daquilo a que o autor de The Bloddless Revolution chama "vegetarianismo científico", porque baseado em reflexões próprias e em argumentos relativos à anatomia do corpo humano. Tristram Stuart sublinha, contudo, que será o contacto com a Índia que lhes dará garantias práticas de que negar a carne é saudável. A Índia, conclui, foi o país que nos últimos 400 anos mais influenciou a Europa em termos alimentares e até ideológicos.

A resistência de Fernandez
Nesta revolução sem sangue, encontramos, ainda, muitos portugueses - por via da ligação à Índia. Fala-se de Camões, de que é citado um excerto de Os Lusíadas; de Vasco da Gama, que começou a perceber que os indianos não eram cristãos quando viu que não comiam carne ou peixe, e de Garcia DOrta, cujas descrições sobre a Índia foram importantes para quem na Europa moderna se dedicou a construir a doutrina vegetariana.

Maior destaque, contudo, têm os portugueses que no século XVI, em nome de Deus, foram para Ceilão (Sri Lanka). Gonçalo Fernandez, um antigo soldado tornado missionário jesuíta, é um deles. Serve de exemplo à resistência ocidental perante o vegetarianismo indiano.
Vivia entre hinduístas tâmil e dedicava-se a escarnecer desse estranho hábito local que era o de comer somente arroz, fruta e vegetais.

O jesuíta não queria adoptar hábitos que considerava pagãos e achava que a abstinência de carne dos hindus se devia à crença de que todas as almas reencarnavam - por isso, comer animais mortos iria desviá-las do percurso natural. Além disso, tal como muitos colonizadores europeus e missionários, continuava, lá, a comer carne e a beber álcool para não se deixar contaminar pela alegada feminilidade dos nativos, que só poderia ficar a dever-se à ausência destes hábitos alimentares viris.

Fernandez seria de tal forma obstinado que chegou a fazer queixa a um enviado do Papa, em 1610, dos comportamentos alimentares do missionário e aristocrata italiano Roberto de Nobili, que, uma vez chegado, se tornara vegetariano. Nobili alegou que o fizera apenas para se integrar na comunidade e melhor a converter ao cristianismo, e que já S. Francisco Xavier tinha usado essa técnica. O Papa Gregório XV deu-lhe razão, em 1623.

The Bloddless Revolution tem 628 páginas e é publicado pela editora nova-iorquina W.W. Norton, depois de uma primeira edição britânica no ano passado. Uma obra "excepcionalmente detalhada" e com "uma vasta recolha das justificações académicas pró e contra o consumo de carne", escreve a revista The New Yorker. O autor é um jovem britânico licenciado em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge, a trabalhar na Índia como publicista. Stuart diz no livro que se considera um ecologista. O Observer resume que, não sendo vegetariano, se recusa a comer carne. B.H.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Simplex adias apoios pontuais para as artes

No Público, hoje:

O sistema informático do Instituto das Artes (IA) não está preparado para receber as candidaturas ao Programa de Apoio a Projectos Pontuais de 2007, mas os prazos de três áreas artísticas abrangidas pelo concurso (Arquitectura, Artes Plásticas e Design) estão a contar desde sexta-feira, dia 2. Orlando Farinha, subdirector do IA, não sabe quando estará solucionado o problema e, sem se comprometer com datas, diz-se convencido de que "dentro de um ou dois dias" o sistema estará a funcionar. Garante que os candidatos às três áreas não serão prejudicados e que novas datas serão anunciadas, embora não esclareça quando. Nos anos anteriores, o concurso teve sempre início em Dezembro e não em Março, como agora. Farinha reconhece os atrasos, mas esclarece que a lei permite ao IA dar início aos chamados "apoios pontuais" até ao fim de Março de cada ano. A principal razão da abertura tardia foi a estreia do sistema de candidaturas electrónicas, que passou a ser obrigatório. B.H.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Novo Público

António Granado acaba de publicar no Ponto Media os dois vídeos finais da campanha publicitária do novo jornal Público. Já é possível perceber o novo logótipo do jornal:

(acho que a voz off é péssima no timbre e na dicção)

Notas

1 - O PEN Clube Português vai indicar os poetas António Ramos Rosa e Herberto Helder para o Nobel da Literatura deste ano. Em comunicado anteontem emitido, o PEN Clube informou que os dois autores obtiveram o mesmo número de votos entre os sócios, reunidos em assembleia geral - uma situação inédita na história da filial portuguesa, criada em 1974. Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes foram os escritores que mais se aproximaram de Ramos Rosa e Herberto Helder na votação. (Público, hoje)

2 - Os quatro maiores bancos privados portugueses registaram lucros de quase dois mil milhões de euros em 2006, mais precisamente 1935,5 milhões, um crescimento de 30,5% face a 2005.(DN, hoje, por Paula Cordeiro)

3 - São cerca de 48 mil os profissionais que estão a trabalhar na administração pública e que não têm garantido o subsídio de desemprego, se ficarem sem trabalho.
Trabalham em instituições de ensino superior, escolas, hospitais e nos mais variados serviços do Estado. Em comum têm o facto de terem celebrado um contrato administrativo de provimento (um tipo de vinculação provisória ao Estado) que os coloca de fora desta protecção social, no caso de ficarem sem emprego, denunciam os sindicatos do sector. (Público, hoje, por sabel Leiria e João Manuel Rocha)