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sábado, 18 de agosto de 2012

Pussy Riot, a sentença

«[...] The sentence is an insult. In the closing section of the verdict, Judge Marina Syrova read “psychiatric-psychological examinations” of Nadia, Masha, and Katya, as the women are known. All three were found to suffer from a “mixed-personality disorder,” a condition that included different combinations of a “proactive approach to life,” “a drive for self-fulfillment,” “stubbornly defending their opinion,” “inflated self-esteem,” “inclination to opposition behavior,” and “propensity for protest reactions.”
It’s hard to think of a better definition of the Pussy Riot “crime.” These same psychological “abnormalities” were the targets of systematic eradication during the decades of Bolshevik terror and the following period of the Soviet police state: a Soviet man had to be quiescent, unquestioning, and submissive.» 
The New Yorker, 17 de Agosto, aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Este homem transformou poesia em jornalismo

Era 14 de Abril de 1930 e ele já tinha perdido tudo. A amante, a fama, a multidão que delirava ao escutá-lo, o vigor das cordas vocais e, pior ainda, a fé na Revolução. Só lhe faltava perder a vida. Pôs-se a jogar à roleta russa, impecavelmente vestido, como exigia a tradição da época, e sobre o coração descarregou o tambor de um revólver.

Deixou uma mensagem de despedida, decalcada de um poema que em tempos tinha dedicado à amante Tatiana Iakovleva. Com um verso principal: “O barco do amor desfez-se contra a repetição monótona da vida”.

Se até o momento do suicídio Vladímir Maiakovski (1893-1930) transformou em poema-notícia da morte, porque não pode ele ser conhecido como poeta-repórter da vida? Mais de 78 anos depois, um dos nomes principais do futurismo russo começa finalmente a libertar-se do anátema de propagandista da Revolução Soviética e a ganhar outra espessura. A isso obriga a leitura do livro Night Wraps de Sky (ed. Farrar, Straus and Giroux), publicado este ano [2008] nos EUA e organizado por Michael Almereyda, publicista, argumentista e realizador.

O livro, de quase 300 páginas, compacta décadas de textos e ensaios acerca e da autoria do poeta georgiano (Maiakovski nasceu na Geórgia, quando o país ainda não tinha sido anexado pela URSS; apesar disso, era de origem russa e não georgiana).

Logo na introdução, recorda-se Maiakovski como o agitador e propagandista que também foi. E, precisamente por isso, sentencia-se a novidade: “O que ele verdadeiramente desejava era fazer da poesia uma ruidosa notícia de última hora”, escreve Almereyda. Mais à frente, aparece um excerto de um texto do próprio poeta, I, Myself (1922), onde, no contexto de um desabafo, a tese de Almereyda é confirmada: “Tento conscientemente trabalhar como um jornalista de jornal. Artigo, título. Outros poetas bem tentam, mas não conseguem uma escrita jornalística concisa, limitam-se a publicar em suplementos socialmente irresponsáveis. A lírica de merda deles faz-me rir, porque é preguiçosa e só interessa às mulheres deles."

(...)

Seguindo pistas do livro americano, é possível encontrar vários herdeiros legítimos do louco futurista. O estilo jornalístico de Maiakovski seria seguido, mais de 30 depois da sua morte, por poetas americanos como Allen Ginsberg, Kenneth Koch e Frank O’Hara. “Apaixonaram-se por ele, absorvendo técnicas (a quebra de versos longos, o uso flexível do “eu” e do “tu”) e a inquietude que mistura no sujeito poético política e personalidade, confissão e reportagem”, escreve Almereyda.

[no "Ípsilon", do Público, hoje; texto: Bruno Horta; foto: V.V. Mayakovsky Museum, Moscow; excerto.]

Versão integral aqui.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Há 50 anos

"Aguardou-se com ansiedade o dia 5 de Setembro, em que se cumpriam cem anos sobre o nascimento de TsioIkowsky, mas nada aconteceu. Reuniu-se então o VIll Congresso Internacional de Astronáutica, em Barcelona. No dia 2 de Outubro, os delegados russos afirmaram aos jornalistas que 'seria de mau gosto dar notícias antes de tempo. É nosso costume não fornecer detalhes antes de obtermos resultados experimentais'. No dia 4 de Outubro de 1957 o primeiro satélite artificial começava a girar em torno da Terra. O seu peso era nove vezes maior que o do tão falado Vanguard. Antes que passasse um mês — em 3 de Novembro de 1957 — o segundo Sputnik, com uma carga útil de mais de meia tonelada, incluindo um animal — a cadela Laika — entrava em órbita. Os Estados Unidos apressaram a construção dos veículos Vanguard, mas a precipitação com que foram realizados os lançamentos, e a extrema delicadeza dos engenhos, conduziram a uma série de insucessos por demais conhecida, e que abrigou à chamada de Von Braun e ao reaparecimento do velho «Projecto Orbiter». No dia 1 de Fevereiro de 1958, o primeiro satélite artificial norte-americano — o Explorer 1 começava finalmente a girar no espaço.
(...)
Nos primeiros três anos da Era do Espaço, o Homem aprendeu mais acerca do Universo que durante os três séculos anteriores, a partir da descoberta do telescópio. Sabemos hoje que a atmosfera terrestre se prolonga para além do próprio Céu, até às cinturas de Van Allen, até à Atmosfera solar, até aos confins da Galáxia. Até ao Infinito! Sabemos que a Terra, longe de ser o centro do Mundo, é como um navio perdido num oceano imenso. Se a consciência desse facto for suficiente para aproximar os Homens uns dos outros, como marinheiros a bordo da mesma embarcação, como navegantes em busca de novos mundos para o Mundo, então, e só por isso, estarão justificados os sacrifícios daqueles que fizeram do sonho da Astronáutica a realidade dos nossos dias e a esperança dos dias futuros."
Eurico da Fonseca (1921-2000)
"História Breve da Astronáutica", ed. Verbo, 1960

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

"There are no more laws, and no more order"

O "Times" encontrou na Califórnia um antigo espião do KGB, Nikolai Khokhlov, tima de uma tentativa de envenenamento em 1957. Ao contrário de Alexander Litvinenko, morto na semana passada, este sobreviveu.
A história de ambos é muito parecida, diz o jornal: ambos se tornaram dissidentes, ambos estavam numa lista negra.
Kohkhlov, hoje com 84 anos, diz que na Rússia já não há lei ou ordem. Os velhos dinossauros do KGB foram levados para o poder por Putin e não se conseguem libertar dos velhos hábitos, afirma o espião.