segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Ana Salazar na Moda Lisboa

FACTOS
Dois vídeos do desfile de Ana Salazar no sábado, dia 14, terceiro e penúltimo dia da 27ª Moda Lisboa. A roupa, desenhada pela filha da estilista, Rita, pertence à colecção de Primavera/Verão de 2007. O Público de hoje fala disso.



domingo, 15 de outubro de 2006

A semiditadura, segundo Herman José

O Diário de Notícias publica hoje uma entrevista com Herman José, a propósito do fim do Herman SIC e do início de um novo programa. Um resumo possível da conversa:

- o humorista considera que vivemos numa “democracia musculada” ou numa “semiditadura” e que o seu próximo programa, na SIC, “vai ser muito bem feito e honesto”, dentro desses limites.

- está ressentido com as críticas ao Herman SIC. Não aceita que, à luz do que fez no passado, não lhe desculpem a decadência. Mas admite-a:

“Considero-me um bom bife do lombo e não um hambúrguer. Bem cozinhado, tem categoria. Quando é transformado em hambúrguer, fica igual aos outros”. “O Herman SIC às vezes é hambúrguer. Agora, é injusto que, por isso acontecer, haja o esquecimento de que a carne é do lombo e que sou responsável por muitos bifes, servidos ao longo de 30 anos”. “Raras vezes se consegue juntar qualidade e audiências”. “Tenho medo de não ter a percepção a tempo do que está a acontecer”.

- dá a entender que foi o caso Casa Pia que o transformou em objecto de crítica:

“Os últimos tempos desgastaram-me muito como marca e fui envolvido em demasiadas polémicas que não têm a ver com a coisa artística”. “Estou sempre atento aos sintomas. Por isso é que nunca deixo de fazer espectáculos ao vivo. Para mim foi um estímulo perceber que, mesmo quando fui alvo de críticas, as salas estavam sempre cheias”.

- diz-se arrependido de não ter tentado uma carreira internacional:

“O meu maior erro foi deixar-me aconchegado à monocultura do mesmo país. Não sinto o meu trajecto como perdido, mas seria mais feliz se não vivesse dependente de um micromercado. Agora estou a pagar o preço dessa preguiça”.

A América diz o que pensa

FACTOS
Na revista Pública de hoje.

É uma espécie de blog aberto ao público. Quem tiver as opiniões mais populares recebe dinheiro.

Aqui, encontra-se de tudo. “O casamento entre homossexuais é como as bibliotecas públicas: favorece o movimento de luta pelos direitos cívicos”. “A melhor forma de os congressistas prestarem atenção ao povo é acabar de vez com os lóbis. Ilegalizem os lobistas”. “Uma das prioridades da humanidade deve ser a de verificar se somos os únicos seres na Galáxia”. De opinião em opinião, de tema em tema, de foto em foto, as viagens pelo site gather.com são intermináveis. E há cada vez mais gente a fazê-las.

Não é um blog ou um jornal on-line. Não é uma revista especializada ou um motor de busca. É um pouco disso tudo. Pode dizer-se, usando a linguagem dos teóricos da Internet, que é uma “rede social online” (online social network), parte integrante de um conceito mais vasto conhecido por Web 2.0 (a segunda idade da Internet: mais participada do que no início, feita a pensar no utilizador, infinita na troca de dados e nas oportunidades de negócio).

A empresa tem sede em Boston e na sua origem estão dois empresários: Tom Gerace, formado em ciências sociais, e Bill Kling, fundador da American Public Media, a rádio pública americana. São ambos administradores executivos. O director do site é, imagine-se, Bill Bradley, antigo basquetebolista e senador democrata, que há seis anos se candidatou à presidência americana.

Numa entrevista por e-mail, Tom Gerace explica que o Gather “é um lugar onde cidadãos de todo o mundo, adultos e informados, podem partilhar e explorar interesses e paixões comuns”. A palavra “adultos” é muito importante para ele, já que, neste caso, não lhe interessa a geração de jovens cibernéticos, que se juntam aos milhões em torno MySpace.com. O alvo aqui são os mais velhos, embora a lógica seja a mesma do MySpace.

A novidade do site é a de que quem publica coisas pode ser remunerado (já se faz o mesmo nos blogs, com o Google AdSense ou o blogsvertise.com). Em dinheiro, se for essa a vontade do utilizador, ou em pontos convertíveis em livros, hambúrgueres e electrodomésticos em grandes lojas americanas. Tudo depende da quantidade de visitas e comentários a cada texto. Quem tiver mais, recebe mais.

O número de pessoas registadas é coisa que o administrador não diz. O número de visitantes (page views) e o lucro obtido no último ano também ficam em segredo.

O site está organizado por grupos temáticos. Há mais de 200. Uns com quarto membros, outros com mais de 300. São quase todos americanos. De Nova Iorque, muitos. Mas também há dinamarqueses, indianos, palestinianos, egípcios, australianos, ingleses. Toda a gente escreve em inglês.

De cada um sabe-se o nome com que se registou e a cidade onde vive. Há quem publique a sua própria foto e há quem mostre uma foto do Batman ou do animal de estimação.

No grupo All Things Japanese alguém recomenda cinco hotéis em Tóquio por menos de 80 dólares por noite. E nos grupos sobre viagens fala-se, entre outras coisas, da comida portuguesa, da poncha madeirense, do Bairro Alto e do fado. Dan Brown, Richard Branson, Elvis Presley e Bush são visados com frequência.

“Ao contrário dos blogs, que têm uma natureza solitária e, muitas vezes, não permitem o diálogo, o nosso site estimula a interacção”, argumenta Tom Gerace. “O número de comentários diários é dez vezes superior ao número de artigos publicados”.

B.H.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

E a responsabilidade?

OPINIÃO
Duas frases que matam qualquer um: "acho que a crise acabou totalmente" e "a ditadura salazarista foi relativamente pouco violenta".
Não foram ditas na paragem do autocarro ou no café da esquina. E por isso é que são graves.
A primeira é da autoria do Ministro da Economia, e está a passar na TSF. A segunda foi dita pelo historiador Costa Pinto, esta manhã, na mesma rádio, num debate sobre a presença de Salazar na lista dos Grandes Portugueses.
O velho Eurico da Fonseca, o autodidacta que durante décadas foi o único português a saber falar de astronáutica na rádio, na televisão e nos jornais, costumava dizer, a propósito de desgraças ou de disparates que ouvia: "teria graça se não fosse penoso".
É claro que as opiniões são livres. Mas exige-se aos seres livres que as emitem um pouco mais de responsabilidade.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Novo disco de Beyoncé - "B'Day"

OPINIÃO
Publicado na edição de Outubro da revista Dif.

Lá vem ela, sabendo que é bela. Tem 25 anos, feitos em Setembro último, uma firme carreira musical gerida pelo pai, que é também um dos produtores deste disco, e uma insípida carreira como actriz, que pode dar frutos quando em Dezembro se estrear o filme Dreamgirls.
É isto Beyoncé. Não mais do que isto: artista bela e jovem. O que, não sendo pouco, basta, como sempre, para fazer dela rainha. Da noite, da música, da televisão, das revistas, do que se queira. Ela bem tem trabalhado para isso. Não será inútil recordar que veio ao mundo do espectáculo de massas há quase 10 anos, trajada de Destiny’s Child.
Este segundo registo de estúdio (o primeiro, “Dangerously in Love”, tem três anos) serve para ela promover o filme, promover uma marca de roupa e irritar, como tem feito nos últimos meses, os defensores dos direitos dos animais (aparece na contracapa do disco segurando dois crocodilos por uma trela). E serve para provar que a voz dela tem que se lhe diga. “Listen”, canção dedicada às mulheres, parte da banda sonora de Dreamgirls, está escondida algures na última faixa. Mas não devia, porque é do melhor que “B’Day” tem. É o momento em que Beyoncé se livra da superprodução de estúdio e do irritante [som digital do] r’n’b/hip-hop assinado, em parte, por Pharrel Williams (dos NERD). É em “Listen” que ela mais lembra a agora desgraçada Whitney Houston. E isso é bom. Como bom, também, é o terceiro ‘single’, que por esta altura já passa na rádio: “Resentment”, há uns anos gravado por Victoria Beckham para um DVD sobre a vida dela e do marido.
As letras e música foram quase todas escritas por Beyoncé em parceria com uma longa lista de gente.

BH

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Booker Prize 2006

FACTOS
Uma mulher ganhou o Booker Prize 2006. O mais importante prémio literário britânico vai para Kiran Desai, pelo livro "The Inheritance of Loss", anunciou o júri na BBC1, há poucos minutos. A autora, a mais jovem de sempre a ser distinguida com este prémio, não está traduzida em Portugal ou no Brasil.

Ajuntar e corrigir

Em relação a este post: pode a entrevista não conter propriamente revelações, mas num texto anexo ficámos a conhecer duas novidades importantes: Cesariny vai expor na Perve Galeria, em Lisboa, no início de Novembro, e deverá publicar, pela mesma altura, um novo livro, "Timothy McVeigh - O Condenado à Morte" (livro de "poesia pintada", escreve osemanário). No documentário de Gonçalves Mendes, "Autografia" (2004), Cesariny mostrava precisamente um livro manufacturado sobre McVeigh.

Sobre este outro post: ao contrário do que se se escreveu, Amália foi notícia na imprensa escrita portuguesa no dia em passaram sete anos sobre a sua morte. A revista Êxito, do Correio da Manhã, deu voz à sobrinha do marido de Amália.