segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Portugal capitulou perante o crime organizado

A propósito desta notícia do "Diário Económico", João Cravinho disse esta noite na "SIC Notícias" que o Estado português foi capturado pela corrupção e pelo crime organizado e já capitulou.
O vídeo:


Médicos em concursos?

Os médicos Francisco Ibérico Nogueira e Serafim Ribeirinho Soares vão participar num novo 'reality show' da TVI, em que os concorrentes se submetem a mudanças estéticas, diz o "Público" de domingo. E a Ordem dos Médicos não tem nada a dizer?

domingo, 12 de novembro de 2006

Criptomnésia

A propósito do alegado plágio de Miguel Sousa Tavares, valerá a pena ler o que se segue. Foi publicado no nº 12 da revista de contos "Ficções", datada do segundo semestre de 2005. É uma nota ao conto "Lolita", de Heinz von Lichberg (1890-1951), traduzido para português por Marília Mendes. Uma vez que a directora da revista é Luísa Costa Gomes, será de supor que seja ela a autora desta nota. Ou será a tradutora?

Esta pequena curiosidade kitsch [o conto "Lolita"] teria continuado esquecida se na edição de 19 de Março de 2004 do Frankfurter Allgemeine Zeitung, não tivesse o ensaísta Michael Marr escrito que Nabokov, possivelmente de forma inconsciente, se inspirara nele para escrever o seu romance Lolita (1955). De facto, para Maar, as semelhanças são muitas: em ambos os casos um homem conta a história de um amor louco por uma jovem chamada Lolita, praticamente ainda criança. As duas são filhas dos donos da casa onde o homem está hospedado, este fica enfeitiçado logo à primeira vista e é Lolita quem seduz o homem. Mais ainda, salienta Maar num artigo posterior, há semelhanças entre o enredo de outro conto de Lichberg, Atomit, e o drama A Invenção de Waltz de Nabokov. Walzer (waltz — valsa, em inglês) é também o nome dos irmãos gémeos do conto Lolita. É possível que Nabokov conhecesse este conto? Ele viveu entre 1922 e 1937 em Berlim, na mesma parte da cidade que Lichberg. Sabia alemão e traduziu poesia de Heine e a dedicatória do Fausto de Goethe para russo. Não tinha os alemães em grande consideração, mas era admirador de Hoffmannstahl e de Kafka. Poderia também, conclui Maar, ter conhecido A Maldita Gioconda do então famoso jornalista Lichberg. O artigo de Maar gerou uma onda de polémica dentro e fora da Alemanha, e foram muitas as vozes que se ergueram contra a sua tese. Uma hipótese que Maar avança, mas que ele próprio põe em causa, é a de que Nabokov teria, ao escrever Lolita, «sofrido » de criptomnésia, ou seja, terá reprimido inconscientemente uma memória que acaba por lhe aparecer como criação original. O conceito de criptomnésia tem, obviamente, inúmeras implicações nas questões da criação e da intertextualidade. Outra possibilidade, menos rebuscada, para a eventual omissão, se de facto existiu, prender-se-ia com o facto de Lichberg ser nazi dos mais activos e Nabokov ferozmente antinazi (o irmão morreu num campo de concentração).

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Brad Pitt em calções

Capa do número de Dezembro da Vanity Fair, com Brad Pitt de tronco nu e calções. Raridade. Deve chegar a Portugal no fim deste mês.

Matreirices

Diz o DN que "há cerca de 100 mil ofertas de emprego ou acções de formação profissional que são recusadas por ano pelos desempregados inscritos nos centros de emprego". A fonte da notícia é Francisco Madelino, presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Nem o jornal, nem a fonte explicam:
- quantos desempregados é que recusaram as 100 mil ofertas (o universo pode ser de 2 ou de 200 mil desempregados, não se sabe);
- porque é que o número de recusas é em média sempre o mesmo todos os anos;
- de que anos estamos a falar;
- quais são as ofertas recusadas (local de trabalho, remuneração, vínculo, duração);
- quais as razões invocadas pelos desempregados para recusarem as ofertas.


Não explicam, mas deviam explicar.

Outra objectividade

Chegará o dia em que a imprensa assumirá que a objectividade é um mito ou que objectividade em excesso afasta o público da imprensa?

O estudo "On Behalf of Journalism: A Manifesto for Change", da autoria de Geneva Overholser, e ao qual chegámos por via do Ponto Media, é elucidativo.

Na era da imprevisibilidade, a autora do estudo foi tentar saber o que deve a imprensa fazer para parar de se afundar. Conclui ela, entre outras coisas, que:

"A change in the nature of journalism’s commitment to objectivity is probably coming whether journalists embrace it or not. For one thing, the tone of journalism is very different online, with inevitable impact on traditional media. For another, the public here again feels differently from journalists. The Annenberg 2005 survey showed that the American public disapproves only narrowly of partisan journalism while journalists disapprove heartily: 16 percent of the 673 journalists polled and 43 percent of the 1,500 members of the public said it was “a good thing if some news organizations have a decidedly political point of view in their coverage of the news.” Eighty percent of journalists and 53 percent of the public said it was “a bad thing.”

O excesso de objectividade e distanciamento podem até ser contraproducentes:

"Coverage driven by grief and hope is exactly not what objectivity has been. The commitment to being dispassionate often felt to consumers like a lack of concern. Disinterest came across as uninterested – and uninteresting. More and more, Americans are trusting the information they get from sources with a “voice,” including comedy programs like The Daily Show, documentaries like An Inconvenient Truth or theater like Stuff Happens, and Fox News’s remarkable growth stems in significant part from its clear point of view."

Histórias contadas com paixão e pouca distância, mas muito bem sustentadas por fontes e citações, podem fazer muito pelo jornalismo, sugere o estudo. Mas sem responsabilidade não se vai lá:

"For all the change afoot, journalists can considerably strengthen their own position by doing a better job of holding themselves accountable and making their work transparent. This movement toward greater accountability is gathering strength, as shown by the record of organizations at media-accountability.org, assembled by the world master on accountability, Claude-Jean Bertrand, a professor emeritus at the Institut Francais de Presse. These systems take many forms, from ombudsmen to journalism reviews to reader advisory councils. They are established to reassure readers who have long wondered who is watching the watchdog – and, not incidentally, to ward off government regulation."

sábado, 4 de novembro de 2006

Expiação

Os neoconservadores americanos que sustentaram e aconselharam a administração Bush arrependem-se da invasão do Iraque. Num artigo publicado ontem na edição online da Vanity Fair, Richard Perle, conselheiro da departamento de Defesa, e Kenneth Adelman, assessor de Donald Rumsfeld, entre outros, acusam a administração Bush de incompetência na gestão desse problema. Se fosse hoje, dizem, teriam procurado outras soluções para depor Saddam Hussein.
Este artigo, intitulado "Neo Culpa", é chamariz para um outro, mais extenso, a publicar no número de Janeiro da VF (que deverá estar à venda, lê-se no texto, no início de Dezembro).
A foto que reproduzimos é da autoria de Annie Leibovitz. Foi originalmente publicada na VF em Fevereiro de 2002.