sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Poetas

AO CANTO DO LUME

Novembro. Só! Meu Deus, que insuportável Mundo!
Ninguém, vivalma... O que farão os mais?
Senhor! a Vida não é um rápido segundo:
Que longas estas horas! Que profundo
Spleen o destas noites imortais!

Faz tanto frio. (Só de a ver, me gela a cama...)
Que frio! Olá, Joseph! Deita mais carvão!
E quando todo se extinguir na áurea chama,
Eu deitarei (para que serve? já não ama)
Às cinzas brancas, o meu pobre coração!

Lá fora o Vento como um gato bufa e mia...
Ó pescadores, vai tão bravo o Mar!
Cautela... Orçai! Largai a escota! Ave, Maria!
Cheia de Graça... Horror! Mortos! E a água tão fria!...
Que triste ver os Mortos a nadar!
(...)

António Nobre (1867-1900)

Cavaco superstar

A imagem que o jornal da uma da SIC escolheu para ilustrar a visita de Cavaco a Bragança é o quê? Propaganda, mau gosto ou parolice? A bandeira portuguesa a toda a largura do ecrã, atrás da pivô, com um Cavaco encostado à esfera armilar, sorridente, confiante, estadista.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Afinal?

O Museu Berardo vai receber dos contribuintes 500 mil euros por ano para comprar espólio que fica nas mãos do empresário. O CCB acaba com a Festa da Música porque não tem 850 mil euros (custo da do ano passado) para a fazer (só mais 350 mil do que aquilo que vai parar aos bolsos de Berardo). E Mega Ferreira diz que a Festa acaba porque o Ministério da Cultura retirou 600 mil euros do orçamento do CCB (pouco mais ou menos aquilo que vai parar aos bolsos de Berardo).
Já agora: Mega Ferreira e Carmona Rodrigues não tinham dito em público que a Câmara de Lisboa e o CCB iam colaborar até 2008 para que a Festa da Música não acabasse?
É tudo sinistro. E, no entanto, tudo encaixa.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

E agora?

Que dirão desta notícia os demagogos do costume, que acham que o mundo é um gráfico de barras e que tudo é permitido em nome das audiências?

Dr. Preciso de Ajuda com estreia modesta
A TVI estreou no late-night da passada sexta-feira o reality-show Dr. Preciso de Ajuda, tendo o primeiro episódio do novo formato da estação de Queluz obtido uma audiência média de 6,1% e um share de 31,4%, representativos de um universo médio de 506.700 telespectadores.

Com estes valores, Dr. Preciso de Ajuda ocupou, no dia de estreia, a 21.ª posição do ranking de programas mais vistos pelos portugueses, ultrapassando o nível de audiência alcançado no mesmo período horário pelo filme Tirar Vidas, emitido pela RTP1 (4,1%), mas ficando aquém dos valores obtidos pela novela Jura, emitida pela SIC (6,6%).

De acordo com os dados da Mediamonitor trabalhados pela mediaedge:cia, a análise ao perfil socio-demográfico do público que acompanhou esta estreia revela que a maioria do público foi composto por mulheres (64,5%), pela classe C2 (30,1%) e pela faixa etária situada entre os 25 e os 54 anos (43,3%).
Adriano Nobre, Meios & Publicidade, 21/11/06

Espanto

O DN de segunda-feira diz que os grande empresários "criam os seus próprios tribunais, em qualquer canto, com juízes por si escolhidos, e pagos a peso de ouro". Não sabia. E quase que aposto que pouca gente sabe.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Pergunta do referendo ao aborto não é clara, diz Miranda

Jorge Miranda, esta noite, na SIC Notícias:
- A Constituição é erradamente evocada quando estão em causa apenas questões políticas
- As sucessivas revisões da Constituição não a têm desvirtuado
- As novas taxas moderadoras na Saúde podem ser inconstitucionais
- Um lei das finanças regionais aprovada no Continente não põe em causa as autonomias
- A pergunta do referendo ao aborto não é clara
- Os direitos fundamentais ainda estão garantidos, ao contrário do que acontece nos EUA ou Grã-Bretanha.

O vídeo:

A luzes da cidade

Podia ser nos subúrbios de Lisboa? Podia. Mas é nos de Paris. Fotografias de Dom Garcia, publicadas pelo Le Monde.
Quem mora ali? Porquê? É gente feliz ou triste?