terça-feira, 28 de novembro de 2006

Democracia, Cesariny?

Não dá votos ir ao enterro de um homossexual?
O triste funeral de Mário Cesariny é bem o país que somos (o "Público" de hoje fala disso). Nem presidente da Câmara, nem ministra da Cultura, nem presidente da República, nem primeiro-ministro, nem, felizmente aqui, oportunistas para o prantear.
Lembro-me da entrevista em que ele dizia assim: "não sei o que seria se tivesse nascido numa democracia". E achas, Cesariny, que morreste numa?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Crespo atira-se à ERC

Mário Crespo acaba de "dizer" na SIC Notícias, entrevistando Augusto Santos Silva, que Estrela Serrano não é suficientemente independente do poder político (foi assessora de Soares) para ser membro da Entidade Reguladora da Comunicação Social. O ministro diz que não concorda e está incomodado com a argúcia do jornalista.

Poetas

PAIXÃO

Ficávamos no quarto até anoitecer, ao conseguirmos
situar num mesmo poema o coração e a pele quase
podíamos
erguer entre eles uma parede e abrir
depois caminho à água.


Quem pelo seu sorriso então se aventurasse achar-se-ia
de súbito em profundas minas, a memória
das suas mais longínquas galerias
extrai aquilo de que é feito o coração.

Ficávamos no quarto, onde por vezes
o mar vinha irromper. É sem dúvida em dias de maior
paixão que pelo coração se chega à pele.
Não há então entre eles nenhum desnível.

Luís Miguel Nava (1957-1995)

domingo, 26 de novembro de 2006

A última entrevista de Cesariny

Salvo coisa que esteja inédita, esta foi a última entrevista do poeta.

Mário Cesariny 1923-2006

Morreu um poeta à solta. Chorem-no ou façam que o choram, só não o atravanquem como ele não quereria nunca ser atravancado.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Poetas

AO CANTO DO LUME

Novembro. Só! Meu Deus, que insuportável Mundo!
Ninguém, vivalma... O que farão os mais?
Senhor! a Vida não é um rápido segundo:
Que longas estas horas! Que profundo
Spleen o destas noites imortais!

Faz tanto frio. (Só de a ver, me gela a cama...)
Que frio! Olá, Joseph! Deita mais carvão!
E quando todo se extinguir na áurea chama,
Eu deitarei (para que serve? já não ama)
Às cinzas brancas, o meu pobre coração!

Lá fora o Vento como um gato bufa e mia...
Ó pescadores, vai tão bravo o Mar!
Cautela... Orçai! Largai a escota! Ave, Maria!
Cheia de Graça... Horror! Mortos! E a água tão fria!...
Que triste ver os Mortos a nadar!
(...)

António Nobre (1867-1900)

Cavaco superstar

A imagem que o jornal da uma da SIC escolheu para ilustrar a visita de Cavaco a Bragança é o quê? Propaganda, mau gosto ou parolice? A bandeira portuguesa a toda a largura do ecrã, atrás da pivô, com um Cavaco encostado à esfera armilar, sorridente, confiante, estadista.