quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Notas

1) A CIA disse a Bush, no Outono de 2002, que o Iraque não tinha armas de destruição maciça, revelou esta noite ao "60 Minutes", da CBS, o antigo director da CIA na Europa.

2
) Na Time, o método de trabalho de David Lynch no seu último filme, Inland Empire (que só se estreou em algumas salas americanas e que será editado em DVD no próximo ano):
"I'd get an idea for a scene, write the scene, gather people together and shoot that scene," says Lynch. "I didn't know if the second scene would relate to the first or the third." This is where Lynch's decades-long commitment to transcendental meditation--which he documents in a new book, Catching the Big Fish: Meditation, Consciousness, and Creativity--came in handy. "Since I believe in the unified field, which unites everything, I figured some day I would understand that they do relate," he says.

3) A cocaína nunca largou a pop e agora entrou em força no rap, diz a New Yorker:
"Cocaine is again a fashionable vice. (...) Hip-hop has always been driven by an imperative to employ the most vibrant words possible; cocaine rap takes this command to an inventive extreme".

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Conversa da treta

A colecção de arte de Joe Berardo está avaliada, segundo a Christie's, em 316 milhões de euros, anunciou hoje a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, numa cerimónia pública no Centro Cultural de Belém. O valor é suficiente para construir três Casas da Música ou dois Centros Culturais de Belém, disse a ministra. Para ela, albergar a colecção no CCB constituía um "dever patriótico".

A avaliação foi feita peça a peça. Só um dos quadros de Picasso vale 18 milhões de euros, outro, de Bacon, vale 15 milhões, disse há minutos Isabel Pires de Lima no Jornal das 9, na SIC Notícias.

A abertura do Museu só acontece no segundo semestre de 2007, o que contradiz os prazos inicialmente avançados (fim de 2006). Em Julho, haverá um espectáculo "nunca visto" de apresentação da colecção, disse Berardo na cerimónia de hoje.

O Estado vai dar a Berardo 500 mil euros por ano para a compra de novas obras. E o funcionamento do museu custará ao Estado 1,5 milhões de euros em 2007, anunciou a ministra na SIC Notícias.

O fim da Festa da Música do CCB, diz Pires de Lima, não se fica a dever à abertura do museu Berardo.

Governo diz que Luís Amado não mentiu

Um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros diz que "não houve mentira ou omissão deliberada" e que "o governo vai continuar a fazer o levantamento de todos os casos detectados".

A revista "Visão" revela na edição de amanhã que as informações que o governo português prestou ao parlamento europeu sobre os voos da CIA terão omitido dados quanto ao sobrevoo do território nacional. O ex-ministro da Defesa Luís Amado prestou informações consideradas erradas.

A revista "Visão" teve acesso à lista de 94 voos da CIA de e para a base de Guantanamo, que já foi entregue em Bruxelas pela eurodeputada Ana Gomes. Essa lista contradiz as informações prestadas por Luís Amado em Junho ao parlamento europeu. Sobrevoaram o território português 77 aviões, 17 dos quais fizeram escala nas Lages e em Santa Maria.

(notícia de abertura do Jornal das 9, da SIC Notícias)

Luís Amado omitiu dados sobre voos da CIA

O ex-ministro da Defesa Luís Amado omitiu deliberadamente informações sobre os voos da CIA que passaram pelo território português, diz o Jornal da Noite, da SIC, publicitando a manchete de amanhã da "Visão".

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

O paraíso só vem no fim

As tradições de japoneses e tibetanos são inspiração para [a estilista] Alexandra Moura este Inverno. No entanto, a mítica quietude daqueles povos jamais se viu enquanto preparou a colecção.

Ela aparece num ecrã de televisão. Sopra um balão. Sopra que sopra e quando o balão já se abaulou é que se percebe o que ele diz: "Obrigado." Alexandra Moura não vai à passerelle agradecer, como é hábito, depois de os manequins terem passado a roupa toda, trabalho de muitas horas, no caso, da colecção Outono/Inverno. Desta vez, não vai. Agradece por meio de uma gravação que passa em vários ecrãs. Um balão e obrigado. Até rebentar. O balão e a música alucinada (Beethoven debaixo da guitarra do músico Daniel Cervantes) e as cores invernosas e a tensão muito própria dos desfiles não foi pequena a surpresa entre os circunstantes de uma Modalisboa que aconteceu há vários meses (26ª edição, em Março último), mas que ganha [no] Inverno a actualidade certa. Agora, portanto.

Mal termina a apresentação, ainda os aplausos soam, trocam-se confidências. Alexandra Moura é muito talentosa, do melhor que temos em Portugal, opina alguém que faz produções de moda há mais de 15 anos e que prefere passar incógnito. E ali está ela. No paraíso de um trabalho aplaudido, que traz paz e equilíbrio aos dias frios de Inverno. Seguríssima, fala às televisões e agradece elogios, nos bastidores. Tem 33 anos, desde há quatro que se atirou para a frente, em nome próprio. É já incontornável na semana da moda de Lisboa. Desta vez, foi às culturas japonesa e tibetana. Evoca-as, com emoção e muito trabalho.

Em Março, quando assistimos à fase final de preparação das propostas Outono/Inverno, ainda Alexandra Moura andava às voltas com o livro "The Path Of Buddha", de Steve McCurry, um fotojornalista americano da mítica agência Magnum, colaborador da National Geographic. "Esta colecção é inspirada na pesquisa que fiz durante uma viagem ao Japão, no ano passado, e nas imagens deste livro, que mostram a cultura e as vestes tibetanas", explica a designer, afogada em trabalho, no seu atelier, que é também escritório e showroom, no centro de Lisboa. "Emocionei-me muito com o livro."

Na verdade, estamos num apartamento. A decoração é sóbria. No chão, revistas de moda, "i-D" incluída, o último disco dos The Gift, livros com fotos de homens quase nus, com casas, com objectos de decoração. Fuma-se, e muito, Lucky Strike. Um computador portátil toca Mazzy Star. As janelas do Messenger piscam e ela não pára de teclar com amigos e conhecidos. O telemóvel ainda descansa, mas é por pouco tempo.

Sejam bem-vindos ao caos que precede a entrada de um conjunto de peças de roupa numa passerelle. Aqui ainda não há moda, há só inquietação, uma luta no tempo, num espaço exíguo para as lucubrações da artista. A entoação da voz sobe à medida que se aproxima a hora da verdade. Primeiro, pausada e afectuosa. Depois, nervosa e arrebatada.

E ainda nem chegámos aos bastidores.

B.H.

Excerto do artigo publicado na "Vogue" de Janeiro de 2007 (com fotos de José Pedro Tomaz).

Comissão de censura

Durante anos, a SIC e a TVI (e, já agora, a Optimus, a TMN e a Vodafone) não se importaram nada que os senhores telespectadores usassem as páginas do teletexto para trocar mensagens de conteúdo pornográfico e fazer engates hetero e, sobretudo, homossexuais. De repente, reuniram-se com a Entidade Reguladora da Comunicação Social e já se importam.

Calculo que esta notícia não vá merecer os comentários e as reacções indignadas que mereceu a deliberação da ERC sobre o artigo de Eduardo Cintra Torres.

De qualquer modo, esta notícia, publicada hoje no "Meios & Publicidade", é mais uma prova de que a actuação da ERC está a minar a liberdade de expressão e que a entidade é, claramente, uma comissão de censura.

A notícia, brevíssima, é esta:

A SIC e a TVI desactivaram as salas de ‘chat’ nas respectivas páginas de teletexto, por terem sido detectados “conteúdos impróprios” nesta salas de conversação.

De acordo com informações divulgadas pela Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) em comunicado enviado às redacções, a decisão de encerrar estes serviços surge na sequência de reuniões mantidas entre o presidente do Conselho Regulador da ERC, Azeredo Lopes, e o presidente do Conselho de Administração da SIC, Francisco Pinto Balsemão, e o administrador da TVI, Miguel Gil.
Adriano Nobre, "Meios & Publicidade", 19/12/06

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Anjos e demónios

Um artigo publicado hoje na revista do "New York Times" (da autoria do filósofo Peter Singer, sobre a filantropia de Bill Gates) é resumido desta forma pela "Slate":

"In the cover story, philosopher Peter Singer tackles the big questions surrounding philanthropy. Criticism that Bill Gates' generosity was motivated by Microsoft's antitrust woes rather than altruism 'tells us more about the attackers than the attacked,' Singer contends.

Rather, such generosity should make us rethink our own behavior. He rejects the idea that people should only contribute their 'fair share' to society, but notes the risks of asking for more: "If the majority are doing little or nothing, setting a standard higher than the fair-share level may seem so demanding that it discourages people who are willing to make an equitable contribution from doing even that."