domingo, 18 de março de 2007

Procurador João Guerra proibiu que o fotografassem no Parlamento

Diário de Notícias, 14.03.2007:

Mão a cobrir a cara, rodeado de seguranças, chegando 25 minutos antes da hora marcada, o procurador do Ministério Público (MP) João Guerra fez tudo para não ser registada a sua ida, ontem à tarde, à comissão parlamentar de inquérito sobre o "Envelope 9". Não bastava. Minutos depois, o deputado Vera Jardim, que preside àquela comissão, saía da sala para informar os repórteres fotográficos e os
cameramen de que o procurador, alegando o seu direito à reserva de imagem, não autorizava que qualquer fotografia fosse publicada, que algum registo televisivo fosse transmitido.

Se à entrada ainda ali não estavam todos os jornalistas, a insólita situação concentraria naquele corredor da Assembleia da República cada vez mais profissionais da comunicação social.

No final do audição, o deputado socialista Vera Jardim, ladeado por Guilherme Silva (PSD) e por João Rebelo (CDS), chamava de novo jornalistas e operadores para repetir o que dissera antes, acrescentando que, entretanto, a própria comissão tinha deliberado, "por unanimidade", que "não deveriam ser tomadas imagens do senhor procurador".

Até porque, acrescentava Vera Jardim, "a reunião foi à porta fechada", João Guerra manifestara o desejo de não haver registo, "para salvaguarda da sua privacidade e até da sua própria segurança", e, "naturalmente, muito menos prestará qualquer declaração".

E quando o magistrado, óculos graduados e gravata às riscas, abandonava a sala, um repórter não resistiu, disparando a objectiva - e levaria logo uma pancada no flash com a mão do procurador do MP.

Mas, afinal, como foi a audição, pedida pelo BE sob a alegação de que a versão de João Guerra contrariava a do ex-procurador-geral da República, Souto Moura? "Muito útil", sintetizavam os parlamentares.

A questão era tentar perceber se as cinco disquetes com a facturação detalhada da PT foram entregues à Secção de Tratamento e Análise de Informação da PJ, como parecia deduzir-se de declarações de João Guerra constantes do texto do inquérito da própria Procuradoria, ou nunca foram sequer abertas, como sustentara Souto Moura.

"Ficámos todos esclarecidos", declarava o social-democrata Guilherme Silva". "Foi apresentada uma tese explicativa", adiantava o bloquista Fernando Rosas. Mais nada. Afinal, os deputados também tinham decidido não fazer comentários aos jornalistas.
Fernando Madaíl

sábado, 17 de março de 2007

O amor é mais frio que a morte

A Cinemateca Portuguesa exibe, a partir de 18 de Abril, uma retrospectiva integral da obra do realizador alemão Rainer Fassbinder, num ciclo que se prolongará até Novembro. Segundo a Cinemateca, o ciclo, intitulado "O amor é mais frio que a morte", abrirá com três clássicos de Fassbinder, entrando depois na apresentação cronológica da obra integral.
No dia 18 de Abril, com a presença da presidente da Fundação Fassbinder, Julianne Lorenz, será exibido "A saudade de Veronika Voss", de 1981, inspirado na vida da actriz Sybille Schmitz. Nos dois dias seguintes serão exibidos "A segunda dimensão" (1977), um dos primeiros filmes de Fassbinder falados em inglês e adaptado de um romance de Nabokov, e "Martha" (1973). (RTP/Lusa)

"Os demónios dispersaram uma vez mais"

Há 20 anos, em Abril de 1987, mais precisamente, saía a versão portuguesa de "A Noite da Iguana e Outras Histórias", de Tennessee Williams. Nove contos, com prefácio de Gore Vidal. Vale a pena, a propósito, ler este artigo da Wikipedia.
Excerto de "A Maldição":


Quando um homenzinho chega a uma cidade desconhecida e procura um lugar para ficar, sente-se bruscamente desprotegido, privado de saber, à mercê de todas as investidas. Os espíritos demoníacos que habitam o mundo primitivo, regressam à luz, abandonam o exílio. Dissimulados e triunfantes, voltam a rastejar pelas secretas cavidades das rochas e pelos sulcos dos bosques donde a razão os expulsara. O forasteiro solitário, assustado com a sua própria sombra e com o som dos seus passos, caminha entre filas de vigilantes divindades inferiores, de obscuras intenções. Não é bem ele que olha para as casas, são as casas que olham para ele. As ruas estão atentas, espreitam. Tabuletas, janelas, portas, estão repletas de olhos e bocas que o observam e murmuram. A tensão nervosa cresce e estrangula-o, cada vez mais. Se alguém lhe dirige um sorriso de boas-vindas, é o suficiente para provocar uma espécie de explosão. A sua pele, tão arrepiada como uma luva nova de pelica, parece que vai rebentar pelas costuras, libertando o espírito; então poderá abraçar os muros de pedra e dançar sobre todos os telhados, aqui ou além. Os demónios dispersaram uma vez mais, regressando ao seu limbo; tranquilo está o mundo, tranquilo e ameno e reduzido de novo à sua inércia — é como um boi embrutecido, andando à volta, sulcando o tempo como convém ao homem.

sexta-feira, 16 de março de 2007

25 de Abril pode desaparecer, avisa Otelo

O estratego do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, alertou hoje que a memória da Revolução dos Cravos arrisca-se a desaparecer nos próximos 20 anos se não for explicada aos jovens nas escolas.
Otelo Saraiva de Carvalho disse que a revolta militar, que permitiu o derrube da ditadura de Salazar e Marcello Caetano no 25 de Abril de 1974, é explicada nas escolas públicas "muito pela rama". (RTP/Lusa)

terça-feira, 13 de março de 2007

Desgoverno

A demissão do director do Teatro Nacional de São Carlos, Paolo Pinamonti, hoje, é o corolário daquilo a que, sem exagero, se pode designar por semana negra para a cultura portuguesa:

- o Instituto das Artes abriu com atraso o concurso para Apoios Pontuais sem que o sistema informático, a única via para concorrer, estivesse a funcionar;
- os museus, especialmente o de Arte Antiga e o do Azulejo, não têm funcionários suficientes para que todas as salas estejam abertas ao público;
-
ardeu no sábado o cine-teatro Rosa Damasceno, em Santarém, devoluto há vários anos;
- o Ballet Contemporâneo do Norte fechou as portas, alegando dificuldades fincanceiras.

Os livros servem para decorar a casa

A maior parte das pessoas compra livros com o exclusivo propósito de decorar a casa, segundo uma sondagem feita na Grã-Bretanha e divulgada hoje pela Lusa, sem menção à origem.
"Harry Potter e o cálice de fogo", de J.K. Rowling, "Vernon God Little", de DCB Pierre, e "Ulisses", de James Joyce, lideram na Grã-Bretanha uma lista de livros comprados mas que ficam por ler até ao fim. (RTP/Lusa)

segunda-feira, 12 de março de 2007

Jornalistas processam o Estado

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) interpôs no Tribunal Administrativo de Lisboa uma acção administrativa especial contra o Estado português, o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, para impugnar os actos administrativos que determinaram o fim do sistema de reembolso das despesas de saúde dos jornalistas. (Sindicato dos Jornalistas)