A versão inglesa da página do Governo na Internet diz que José Sócrates é "engenheiro civil". O jornal Público escreve hoje que a biografia oficial do primeiro, publicada na página do Governo na Internet, foi alterada na passada quinta-feira, dia 15, depois de o jornal o confrontar com o facto de a Ordem dos Engenheiros não lhe reconhecer o título profissional de "engenheiro civil". Passou a ser apresentado como "licenciado em Engenharia Civil". Mas só na versão portuguesa. A inglesa ainda não terá sido actualizada.quinta-feira, 22 de março de 2007
Sócrates só é engenheiro na versão inglesa do 'site' do Governo
A versão inglesa da página do Governo na Internet diz que José Sócrates é "engenheiro civil". O jornal Público escreve hoje que a biografia oficial do primeiro, publicada na página do Governo na Internet, foi alterada na passada quinta-feira, dia 15, depois de o jornal o confrontar com o facto de a Ordem dos Engenheiros não lhe reconhecer o título profissional de "engenheiro civil". Passou a ser apresentado como "licenciado em Engenharia Civil". Mas só na versão portuguesa. A inglesa ainda não terá sido actualizada.Sócrates é engenheiro?
(...)
O dossier relativo à licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente tem várias falhas. Há alguns documentos por assinar, ou sem data, timbre ou carimbo, tal como há elementos contraditórios, nomeadamente os relativos às notas atribuídas a José Sócrates.
(...)
Há duas semanas, já se falava disto aqui.
André Murraças - unrestrained voyeurism
He made his name through the subjects of sex and sexuality. His latest play deals with sexuality, as does his book Peças Amorosas ("Pieces of Love", 2006). An extremely prolific writer, Murraças explores the question of what it means to be a man or a woman in many of his works, such as the performance "Pour Homme".
André Murraças wants to cram all of life into his books. He needs to have all his feelers out to follow his particular line of enquiry: "First come people, then their stories, and finally their way of getting around the city". So how does his city's geography affect its residents? "This city forces people to keep going. Lisbon is an obstacle course: there's traffic everywhere, and it goes uphill and downhill a lot. All this leads to a bad attitude among people. Lisbon is a hard city.' But only during the day - it is different at night. "Lisbon people love to go out.They want to see and be seen. They like to meet their friends for a drink,"says Murraças. They love to drape themselves in chic outfits, to show off. There's also a sexual charge: a power cut might result in a rising birth rate. "The city is both very masculine and very feminine. Classic and modern perceptions of men have merged, and the same goes for women." On the writer's request our meeting takes place in Chiado, the oldest and loveliest part of the city.
Murraças is an entertaining talker. He tells that he was born in a suburb of Lisbon, that he spent a year in Utrecht, and that while he likes to travel, he belongs to this city. He admits to suffering from unrestrained voyeurism and is fascinated by the triviality of celebrities like Paris Hilton, Britney Spears, porn stars and second-rate actors. It is pop, in the truest sense of the word. "It's very real-time stuff that feeds my work, but also very artificial, plastic material." Murraças adds: "Unfortunately Portuguese cities are way too bland. They don't have that pulsating density, and there aren't enough scandals, either."
Even só, he has resolved to write about someone in the Portuguese jet set. He won't reveal the person's identity; he's only prepared to say that "It might become critical, ironic at times. But in a humorous way, never aggressive." B.H.na revista Mini International nº23, Março 07
terça-feira, 20 de março de 2007
21 de Março, dia mundial da poesia
O deserto sem nexo, inesperado, tal como surge metaforicamente sentido no imponderável percurso de além-tréguas. Sobrecadência de algum meio-dia já percorrido, já esgotado (em corridas, em percursos múltiplos), e aí se anuncia um excedente percurso a acometer e nesse percurso se revela o deserto. É a experiência pura da terra abrasada, desassombrada, enigmática de neutra. Estranha
-ao caminhante. Envolve a luz, a distância e a mortalidade consumada do caminhante. A finitude, e os vários amarelos dessas horas solares. Meio-dia, ou mais uma, duas, até sete meias-horas após o meio-dia: as horas magnas da insolação desértica. Em qualquer estrada anexa a um lugar povoado, ao sul. Espírito dos lugares circunvalantes, nas 7 meias-horas do meio do dia, ao sul. Experiência que pode ser instantânea, intervalar. Basta que surja sobre, a mais que, a cadência adquirida de uma manhã esgotada. É nesse além-tréguas, nessa sobre intimidade que o deserto consiste. Ir de rastos, a-té-ao-fim-do-es-pa-ço.
Álvaro Lapa
A strayed reveler or two, nothing unusual
for this time of year, zinnia season, yet one notices
the knocking in the walls at more frequent intervals.
One's present enemies stir in the evening wind
and atypically avoid the family room. After the big names
have grazed the steppe and moved on, a public silence
returns. Let it be the last chapter of volume one.
Some experts believe we return twice to what intrigued or
scared us, that to stay longer is to invite the egg
of deceit back to the nest. Still others aver
we are in it for what we get out of it, that it is wrong
not to play even when the stakes are spectacularly boring,
as they surely are today. The solution may therefore be
to narrow the zone of reaction to a pinprick
and ignore what went on before, even when we called it life,
knowing we could never coimt on it for comfort
or even a reference, the idea being to cut one's losses
on the brink of winning. Sure, their market research told
them otherwise, and we got factored into whatever
profit taking may be encumbering the horizon now,
as afternoon looms. We could ignore the warning signs,
but should we? Should we all? Perhaps we should.
John Ashbery
Mistério gratuito da poesia
domingo, 18 de março de 2007
Portugal continua dominado por castas, diz Lídia Jorge
Sim. Este livro é mais virulento, imprecador. Tem a ideia de que este é um país particular a viver um momento particular da deriva do mundo. Aqui, juntamos uma herança fantasmática sobre nós próprios ao clima geral. Isto é, percebemos que uma cultura onde tudo se mostra, tem por ironia que quanto mais se mostra mais se oculta. Algo que Portugal tem pela fragilidade da sua democracia, pela incapacidade de quebrar a antiga elite: o domínio de determinadas famílias e castas continua a ser o mesmo. Tem havido renovação do tecido social, nomeadamente pela ascensão das mulheres, mas é só até certo ponto. Nos níveis de poder, de decisão, continuam a ser praticamente os mesmos.
É o denominado telhado de vidro abrangente?
Exactamente. No momento em que, nas democracias ocidentais, os mais capazes são expulsos dos seus sítios, essa mesma lógica é, no nosso país, casada com outra e dá um silenciamento do grande escândalo. Um determinismo e uma impotência. José Gil reflectiu bem sobre este duplo recalcamento. Estava a escrever o livro quando li "Portugal Hoje, O Medo de Existir" e percebi que estava a fazer de forma metafórica o que ele defendeu do ponto de vista filosófico. Vivemos momentos históricos. Há estes processos [Apito Dourado?] sobre os quais nós conhecemos, bem ou mal, histórias incríveis, que é impossível serem todas falsas... As pessoas poderem ser acusadas, já é alguma coisa! Mas não quero confundir as coisas. Um livro como o meu pretende atingir a parte íntima, inculcar nos leitores o desejo de serem incomodados perante a injustiça. Vale muito menos do que a denúncia de um jornalista, de um polícia, ou de uma amante bem colocada...
entrevista de Sílvia Souto Cunha; Visão, 15 de Março 2007
Harold Pinter vai perdurar porque escreve sobre a vida real
É fácil apontar as contradições de Harold Pinter. Mas a obra dele viverá muito para além do que a crítica pensa. É isto que Paul Donovan escreve hoje no Times (um jornal de um país onde os jornais fazem crítica de rádio). Esta noite no canal três da rádio BBC, Pinter dá voz à sua peça "The Homecoming".
Excerto do artigo:
It is easy to mock Harold Pinter, who stars on Radio 3 tonight in his own play The Homecoming. He professes socialism, yet lives in the 15th most expensive street in Britain. He preaches morality, yet, when he got rich, he abandoned his wife, who had stayed with him when times were hard and money scarce, for an earl’s daughter. His voice has more plums than an orchard. And all those pauses!