terça-feira, 17 de abril de 2007

14 de Abril de 1967

Apareceu pela frente esta data: 14 de Abril de 1967. Foi há 40 anos, bem contados. Al Berto chegou a Bruxelas.

A propósito, uma foto rara. Da capa da primeira edição de "Lunário", único livro de prosa de um poeta congénito. Saiu em Outubro de 1988 (20 anos, para o ano).

Lê-se na contracapa uma coisa um pouco ingénua:
"Após a recente publicação num único volume intitulado O Medo de toda a poesia de Al Berto, livro entretanto galardoado com o Prémio Pen Clube/1988, a Contexto tem o pr
azer de apresentar a primeira incursão dos domínios da prosa deste Autor. Livro único no seu tema, como única será também a coragem com que o aborda, facilmente se reconhecerão em Lunário as características que fazem de Al Berto uma personalidade inconfundível no panorama literário português contemp
orâneo."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Três coisas do fim-de-semana

1 - A revista de decoração "Casa Cláudia" (custa 3€) está a oferecer livros da colecção "Caminhos da Arte Portuguesa no Século XX", dirigida por Bernardo Pinto de Almeida e Armando Alves. Cada exemplar da revista vem acompanhado por dois livros diferentes. "Almada Negreiros", de Rui-Mário Gonçalves, é um deles. Salvo erro, estes são exactamente os mesmos livros que a "Visão" (ou seria o "Jornal de Letras"?) ofereceu aos leitores há uns bons meses.



2 - Este deverá ser o último número da "Agenda Lx" tal como a conhecemos. Segundo noticiou o "Meios & Publicidade" na semana passada, a agenda cultural da Câmara Municipal de Lisboa vai passar a ter um aspecto diferente, porque a Câmara há onze meses que não paga ao atelier Silva! Designers, que até agora assegurava o desenho da publicação. O atelier desistiu de prestar os seus serviços. “Deixaram-nos numa situação bastante embaraçosa. Se consegui sobreviver durante onze meses de dívidas, é porque tinha outros clientes e trabalhos, mas para a contabilidade [do atelier] foi um revés”, disse àquele jornal Jorge Silva, responsável pelo atelier.

3 - O catálogo desta Primavera/Verão da marca de roupa Pull and Bear é uma pequena obra de arte. O tema da colecção, proclamado na capa, não é novidade, mas dá sempre que pensar: "a era da adolescência". As fotos do interior são da autoria de Nico, Juanma Moncloa e Daniel Riera.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Declive na Praça da Alegria

No "Diário de Notícias", hoje:
Os copos mexem nas prateleiras, as fissuras nos tectos e nas paredes dos edifícios multiplicam-se a olhos vistos, o declive das ruas está a acentuar-se e o barulho nocturno perturba o sono de muitos. Tudo isto se passa na zona da Praça da Alegria, em Lisboa. Os moradores apontam um único responsável por todos estes "males": as infindáveis obras de reabilitação do túnel do Rossio.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Sobre a entrevista de Sócrates à RTP

Vasco Pulido Valente, no "Público", hoje:
"A minha ignorância não me permite contestar explicações tão, por assim dizer, "transparentes". Claro que nunca ouvi falar de um professor que "desse" quatro cadeiras no mesmo ano ao mesmo aluno, nem num reitor que ensinasse "inglês técnico", nem num conselho científico que fabricasse um "plano de estudos" para "acabar" uma licenciatura. Falha minha, com certeza. Se calhar, agora estas coisas são normais.
O sr. primeiro-ministro também declarou que ele e o seu gabinete não telefonam a jornalistas com a intenção malévola de os "pressionar". Pelo contrário, só os querem esclarecer. Ficamos cientes.
Fora isto, Sócrates demonstrou facilmente que o governo é óptimo e que ele é determinado, decidido, inabalável, responsável e bom. Portugal inteiro está, como lhe compete, agradecido."

Nada mais poderia ser testado nem como mentira nem como verdade

"Combateremos a Sombra", novo romance de Lídia Jorge. Excerto:

Domingos Fiori encarou o irmão, apontou-lhe o dedo - «É o que te digo, irmão, isto que o Osvaldo conta não é um facto isolado - As pessoas não sabem mais onde começa a sua própria vida e onde termina a vida dos outros. Eu não te falei do caso daquele estudante paranóide? Pois falei...» E Domingos contou como certo paciente, estudante de Medicina, lhe dizia que solhava com uma parede branca onde escrevia a noite inteira, e o que dizia escrever era uma mensagem incrível - Queremos Mais Mentiras, Queremos Mentiras Novas ou Queremos Novas Mentiras... Com algumas variantes, era essa mensagem que ele dizia escrever sem cessar durante toda a noite, ao longo da parede. De manhã, ao acordar, doía-lhe o braço de tanto escrever a mensagem das mentiras. E o mais velho dos Fiori, o menos fininho, explicou - «Pois vejam bem que há uns dias, estava eu a parquear o carro na 24 de Julho, levantei a cabeça e deparei com uma pichagem imensa, e a mensagem era exactamente igual - QUEREMOS MENTIRAS NOVAS... Lá está, pode-se confirmar...»

«Mas como?»


«Na minha ideia, o estudante leu na parede, gostou, apropriou-se, e fez a coisa dele...» - E Domingos riu imenso, tal como o irmão, embora os dois Fiori continuassem a interpretar o fenómeno de modo oposto. Fosse como fosse, estavam de acordo num aspecto - Caminhava-se para um ponto onde nada mais poderia ser testado nem como mentira nem como verdade. O núcleo da capacidade de discernimento, atingido. A própria prática e eficácia da análise estavam em perigo. Eles
sentiam, eles farejavam esse plano inclinado da análise. Uma alteração significativa. E o quotidiano aí estava a demonstrá-lo.

«Queremos mentiras novas!»
- repetia Domingos, com gravidade.
«Caramba, até eu tinha vontade de me apropriar duma coisa dessas, quanto mais o estudante de Medicina! Isso não é uma frase, isso é a divisa dum século inteiro. (...)

terça-feira, 10 de abril de 2007

Sócrates era engenheiro antes de acabar licenciatura

José Sócrates apresentava-se como engenheiro três anos antes de ter terminado o curso, avançou hoje o Rádio Clube Português. A SIC confirmou a notícia. O vídeo ("Primeiro Jornal", hoje), com notícia e comentário de Ricardo Costa:



domingo, 8 de abril de 2007

The skin of our future

"Placed" é uma nova revista de artes, cultura e moda (sobretudo de moda). O número um, de Janeiro, tem como tema central a "fragmentação do amor". A revista é alemã, mas escrita em inglês. 270 páginas. 10 euros.

Poema do fotógrafo Michael James O'Brian, incluído neste número:

Golden Years

I take my bike into avenue C
so full of romance each summer,
and there I see
boys of any age
not growing up
to be their father
turning to smile
as I ride by:
shirtless grin,
this is the skin
of our future.