sábado, 28 de abril de 2007

"Salazar não usou o fado, foi obrigado a usá-lo"

O Guardian falou com Mariza, Rúben de Carvalho, Mário Soares, Björk e um historiador e publica hoje um belíssimo artigo sobre a evolução da percepção social do fado. Título magnífico: "Tainted Love" (alusão ao famoso tema que os Soft Cell tornaram conhecido em 1981).
O historiador, apresentado como especialista em fado, diz que Salazar não usou o fado voluntariamente para fins de propaganda, mas que foi obrigado a fazê-lo:

"The regime did not use the fado as a tool for propaganda," says fado historian Michael Colvin, assistant professor of Hispanic studies at Marymount Manhattan College in New York. "Rather, the fado's popularity had become such that the government had no choice but to make the song a part of the consecrated national repertoire. Through censorship, Salazar insured that it did not blatantly contradict the regime's notion of progress; and by promoting the 'poor but happy' - pobrete mas alegrete - image of Lisbon's fadistas and degraded popular neighbourhoods, the government kept the potentially subversive song at bay."

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Ameaça disseminada

O advogado Francisco Teixeira da Mota escreve hoje no "Público" sobre o discurso de ontem na AR do deputado Paulo Rangel:

É difícil saber se, como afirmou Paulo Rangel, "nunca como hoje se sentiu uma tão grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática" mas não haverá muitas dúvidas de que as tentativas de condicionamento da liberdade de expressão e de informação são uma realidade no nosso país. O facto de um "partido da liberdade" como é o PS, estar na origem de algumas dessas ameaças à liberdade de expressão coloca mesmo a questão: será que o poder, para além de corromper, também provoca amnésias selectivas?
Não são só as actuações dos "spin doctors" governamentais junto das redacções dos "media" públicos e privados que são mais ou menos preocupantes. As "nebulosas" a que se refere o deputado Paulo Rangel e que podem pôr em causa a qualidade da nossa democracia, abrangem, seguramente, a cabotina Entidade Reguladora para a Comunicação que, em pouco tempo, já mostrou para o que serve, a futura Comissão da Carteira Profissional que se pretende dotar de poderes disciplinares, inéditos em democracias pluralistas, sobre os jornalistas e, também, o anunciado regime da violação do segredo de justiça para os jornalistas. Estas inequívocas ameaças e condicionamentos à liberdade de expressão e de informação não são, contudo, uma criação exclusiva do governo e do Partido Socialista; antes contam com uma participação activa e criativa do principal partido da oposição, o que, ainda mais, justifica a preocupação agora manifestada.
Tem, assim, toda a razão o deputado Paulo Rangel ao celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, chamando a atenção para as "ameaças e nebulosas" que nos espreitam, tanto ao nível da liberdade de expressão como, eventualmente, quanto à concentração de poderes, mas fica-nos uma enorme dúvida: a quem se dirigia?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Castração da liberdade de expressão individual

Excerto do discurso do deputado do PSD Paulo Rangel, na cerimónia dos 33 anos do 25 de Abril, na Assembleia da República, hoje:

terça-feira, 24 de abril de 2007

Blame Becket na próxima semana

Blame Beckett é uma das 18 peças que compõem o 8º Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, Fatal, que começa no próximo dia 10 de Maio (até 27). Trata-se de uma peça do GTN, grupo de teatro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, encenada por Diogo Bento. Tem por base textos de Samuel Beckett.
No âmbito do Fatal,
Blame Beckett é apresentada naquela Faculdade no dia 11 de Maio, às 21h30. No entanto, a peça estreia-se já na próxima semana, dia 3 de Maio, e mantém-se em cena até 1 de Junho.
Para assistir, é necessário fazer
reserva: gtn.unl@gmail.com. Entrada Livre.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Gamoneda recebe Prémio Cervantes

Decorreu hoje a cerimónia de entrega do Prémio Cervantes, o mais importante prémio literário da língua castelhana. O vencedor, o poeta Antonio Gamoneda, centrou o seu discurso de agradecimento na influência da pobreza na literatura, escreve o "El Mundo":

"El escritor Antonio Gamoneda analizó, en su discurso de agradecimiento del Premio Cervantes, la influencia de la pobreza en la obra de los escritores que la han padecido, y dijo que, en su caso, la falta de recursos ha condicionado su vida y su obra "más que cualquiera otra circunstancia o razón". (...) El lenguaje de quienes se han acercado al conocimiento "de forma intuitiva y solitaria" será "un lenguaje poético y semánticamente subversivo". "El sufrimiento de causa social es nuestro sufrimiento, y penetra, en modo imprevisible, nuestra conciencia lingüística", concluyó Gamoneda. Un largo y cálido aplauso refrendó las palabras del poeta.

domingo, 22 de abril de 2007

Eram novos

"They were young, educated, and both virgins on this, their wedding night, and they lived in a time when a conversation about sexual difficulties was plainly impossible.". Assim começa "On Chesil Beach", novo romance de Ian McEwan (pré-publicado em Dezembro na "New Yorker").
Passa-se no Verão de 1962, em Inglaterra. É sobre as repressões e convenções na primeira noite de Florence e Edward, juntos, depois do casamento. Têm ambos 22 anos.
Análise no Financial Times.
Foi por causa deste livro que Ian McEwan foi obrigado a devolver alguns seixos que tinha retirado da praia de Chesil.

Jornais antigos à venda na Hemeroteca

A Hemeroteca de Lisboa vai vender colecções de jornais e revistas antigos, a preços abaixo dos de mercado. A iniciativa, no âmbito do projecto "Lisboa, Cidade do Livro", começa esta segunda-feira e termina no próximo sábado. (Mundo Pessoa)