domingo, 13 de maio de 2007

Helena Roseta já está na rua

No "Público", hoje:

Helena Roseta já está na rua, menos de uma semana depois de se ter demitido do PS e de ter lançado a sua candidatura à Câmara de Lisboa, apoiada pelo Movimento Cidadãos por Lisboa. A primeira acção de recolha de assinaturas (o número mínimo é de quatro mil) aconteceu ontem, ao final da manhã, à porta do edifício que irá albergar a sua sede de campanha, na Rua das Portas de Santo Antão. Os seus apoiantes instalaram uma banca para recolher as assinaturas, mas Roseta não ficou quieta um segundo. Entrou em lojas e interpelou os transeuntes: "Bom dia, eu sou a Helena Roseta. Se nos quiser ajudar a viabilizar a minha candidatura à Câmara de Lisboa...", dizia. "Tem de ser pesca à linha", explicou aos jornalistas, antes de se dirigir a mais pessoas, que, àquela hora, rumavam para os restaurantes da zona. Ao fim de uma hora, contavam-se perto de 100 signatários, enquanto no Chiado e no Rossio os seus colaboradores angariavam mais apoios. O interior da futura sede (rés-do-chão e 1.º piso) está muito degradado, mas as obras de recuperação (é este o "preço" pela ocupação do prédio) estão para breve. Roseta quer ali demonstrar como se pode fazer "pedagogia sobre os fogos devolutos" da capital. Maria José Oliveira

George Michael em Portugal

George Michael, ontem à noite, no estádio Cidade de Coimbra. Primeiro concerto da digressão europeia que assinala os seus 25 anos de carreira.

sábado, 12 de maio de 2007

Subsídido de desemprego alvo de leis contraditórias

No "DN"de ontem:

Os desempregados que começaram este ano a receber o susbídio de desemprego estão a ser surpreendidos com valores mais baixos nas prestações face ao que esperavam e ao que está previsto na novo regime de protecção no desemprego, em vigor desde Janeiro. As diferenças variam entre 5 euros (para o valor mínimo) e 15 euros mensais, o que significa menos 61 ou 181 euros anuais.


A razão deste desfasamento face ao texto do regime do desemprego está na entrada em vigor, no mesmo dia, da lei dos Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que passa a servir de referência às prestações sociais, deixando o salário mínimo de ser a referência. Mas em declarações ao DN, a dirigente da CGTP, Maria do Carmo Tavares, diz ser "totalmente incompreensível" que o Governo assuma compromissos num decreto-lei, indexando o valor do subsídio ao salário mínimo, e depois, sem o revogar, adopte o IAS como referência, numa lei que é generalista e não especifica nunca o subsídio de desemprego". Carla Aguiar

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Beyoncé Knowles: daqui até à eternidade

Na "DIF" de Maio:

“Já não me preocupa ser número um e vender biliões de discos, porque, graças a Deus, já o consegui. O que quero agora é tornar-me uma lenda e continuar por mais vinte anos. Estou a trabalhar muito para isso, quero fazer coisas diferentes, não quero ser igual a qualquer outro artista”. Assim falava Beyoncé Knowles, no início de Abril, numa rara entrevista de estúdio, à CNN. Pode ser pretensiosa, a afirmação, mas é preciso reconhecer, também, que a rapariga que começou a cantar aos 15 anos e, dez anos depois, está musicalmente mais forte do que nunca, tem mesmo condições para se tornar uma lenda: tem a voz, a pose e a máquina de propaganda em redor.

O entrevistador não a deixou ir embora sem explorar esta ideia. Perguntou, a seguir, se Beyoncé quer que a recordem daqui a muitos anos da mesma forma que hoje recordamos Tina Turner, Dianne Carroll ou Diana Ross (aqui a piscar o olho ao filme onde Beyoncé é protagonista, “Dreamgirls”, sobre a história das Supremes, a primeira banda de Diana Ross). E às três hipóteses ela disse que sim. “É isso mesmo que eu quero”, rematou.

É esta mulher que os portugueses vão ver no próximo dia 24, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Primeiro e, para já, único concerto em Portugal. Faz parte da digressão “The Beyoncé Experience”, que começou a 30 de Abril, na Alemanha.

A empresa promotora do concerto em Portugal, Everything Is New, não revela como tem corrido a venda de bilhetes, mas está convicta de que a sala vai estar cheia. O Atlântico comporta um máximo de 18 mil pessoas, número que desce em função da disposição do palco. Pormenores sobre o teor do espectáculo, também não há. A promotora adianta apenas que é um “espectáculo de envergadura”, que “não poderia ser montado em nenhuma outra sala em Portugal”.

O que se sabe é que o concerto dura duas horas e em palco, além de Beyoncé, vão estar apenas, mulheres (coros e instrumentos). Sobre isto a cantora também falou à CNN. Mais uma vez, com inabalável convicção: “sou totalmente a favor da independência e força das mulheres e isso só se consegue quando estamos unidas”.

Terá sido para sustentar a ronda por palcos de todo o mundo que chegou às lojas, há poucos dias, uma nova versão do álbum “B’Day”, o segundo de Beyoncé, originalmente editado em Setembro último. Esta “deluxe edition”, como lhe chama a editora, tem seis versões em espanhol de temas já gravados e cinco novas canções. Uma delas é “Beautiful Liar”, em dueto com Shakira. Vai ouvir-se, certamente, em Lisboa, ao lado de “Irreplaceable”, um dos temas mais fortes de “B’Day”, e, claro, de “Crazy In Love” (do primeiro álbum, “Dangerously in Love”, 2003), que ainda hoje toca vezes sem conta em qualquer discoteca.

Para o fim deste ano, quando a digressão tiver acabado, está prometido um disco ao vivo. Bruno Horta

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Discriminação laboral ganha novos contornos

No "Público", hoje:

A orientação sexual, a deficiência, a doença crónica e o estilo de vida são factores “novos” de discriminação laboral, identifica a Organização Internacional do Trabalho, no relatório global hoje divulgado.

O mesmo documento, elaborado de quatro em quatro anos e a que o PÚBLICO teve acesso, acrescenta que se mantêm as “formas de discriminação tradicionais”, decorrentes do sexo, da idade ou da raça, e que aumentam as injustiças relacionadas com os imigrantes e as minorias étnicas.

A discriminação de género – frequente nos casos de gravidez – continua a afectar “o maior número de pessoas” e “parece estar a aumentar nalguns países”, enquanto a desigualdade salarial entre homens e mulheres “permanece um problema em todo o mundo”. Sofia Branco

terça-feira, 8 de maio de 2007

Soares diz que ainda há ideologia

Mário Soares ontem à noite no polémico "Prós e Contras", da RTP1:
"Evidentemente, há diferenças de toda a ordem entre a direita e a esquerda, no plano nacional e internacional, no plano da civilização, no plano do tratamento da diferenças religosas, etc. Um socialista de hoje é uma pessoa que acredita na liberdade e no mercado, não num mercado selvagem, mas num mercado que tenha regras. Os socialistas são pelo mercado regulamentado e contra a Globalização selvagem e neoliberal".

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A marmita da minoria, segundo Fialho de Almeida

Foi "romancista, pamfletário, crítico ilustre e o mais forte e original prosador da sua geração", segundo reza a lápide colocada em 1926 na casa onde nasceu, em Vila de Frades, Baixo Alentejo. Nasceu há 150 anos, Fialho de Almeida, no dia 7 de Maio de 1857 (morreu a 1 de Agosto de 1926).
O escritor Manuel da Fonseca juntou crónicas e contos dele, em 1984, no volume "Antologia de Fialho d'Almeida", edição das Câmaras Municipais de Cuba e Vidigueira. 3500 exemplares, hoje esgotadíssimos.
É lugar-comum falar da actualidade de escritos antigos para com isso os valorizar. É o caso. Excerto da crónica "Liberdades Coarctadas":

A pretexto de que a pátria reclama sacrifícios têm os governos do Sr. D. Carlos recolhido, uma a uma, todas as liberdades públicas e regalias conquistadas a preço de lutas, pelas gerações intelectuais dos últimos sessenta anos.

Não há exemplo d'um despotismo mais cinicamente refalsado, e todavia a opinião pública vai deixando violar o património das liberdades populares, sem que um assomo de raiva lhe enclavinhe as mãos no frenesi da mesma sede de esforço. Supressão do sufrágio e da liberdade de escrever, falar, assobiar e reunir, violações do domicílio e do segredo das cartas, assalto à autonomia municipal — todos estes crimes cometidos pelo governo em nome d'uma minoria privilegiada que defende a sua marmita, passam por cima da multidão sem a comoverem, como coisas inventadas por algum repórter fértil em racontos.

Assim, a lei da imprensa, que põe o autor do mais anódino artigo à mercê das meticulosidades do poder judicial, e dá ao governo a força para em duas horas suprimir qualquer jornal que o incomode, a lei da imprensa que já tem nas cadeias oito jornalistas republicanos, sobre outros tantos que andam pela Europa, desgraçados, à parte as perorações platónicas das vítimas, não deu de si sequer um movimento de simpatia colectiva pelos vencidos, e Heliodoro Salgado e Alves Corrêa, Bazílio Telles e José Pereira Sampaio, lá continuam no cárcere ou no exílio, sem que um remember da turba lhes adoce as amarguras do sacrifício feito por amor e interesse dela. O governo, sob pretexto de interdizer a função de associações de carácter político ou filantrópico, impossíveis de habilitar pela nova lei, intimou despejo aos clubes democráticos, a grande número de sociedades de educação e socorros mútuos, e nem um grito levantado na rua contra esta infamíssima medida, que enquanto fulmina associações suspeitas de republicanismo, deixa à vontade dos centros monárquicos, que são ao mesmo tempo em Lisboa casas de batota e oficinas de empregomania abomináveis! O domicílio é inviolável enquanto o cidadão vota com o governo, põe luminárias nos anos reais, ou dá para os «Te Deum» congratulatórios das melhoras do Sr. Lopo Vaz. Desde que o governo civil manda seguir os suspeitos políticos, e faz a lista dos homens «perigosos», escusa o cidadão de se cuidar seguro no seu ninho: ao menor pretexto, a polícia entra-lhe em casa, arromba-lhe as gavetas, viola-lhe os papéis, e insultar-lhe-á a mulher se acaso esta chorar.

(...)
Ondas de trabalhadores nas ruas, desocupados, mal vestidos, macilentos de miséria, oferecendo o braço que ninguém lhes assalaria, pedindo esmola que ninguém lhes dá, e dormindo enfim ao acaso, nas praças e terras adjacentes aos bairros em construção. De quando em quando, a polícia forma cordão de roda destes coiós, apanha a pobre gente como quem apanha cães vadios, e toca de a aferrolhar no Limoeiro sem mais explicações! Fialho de Almeida