Agora que a EMI se quis separar da Valentim (e a Valentim se uniu à Som Livre, para formar a Anjo da Guarda) um disco de Amália vem mesmo a calhar, o que é condenável. O bom, apesar de tudo, é que ela vai voltar.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Inéditos de Amália antes do fim do ano
Agora que a EMI se quis separar da Valentim (e a Valentim se uniu à Som Livre, para formar a Anjo da Guarda) um disco de Amália vem mesmo a calhar, o que é condenável. O bom, apesar de tudo, é que ela vai voltar.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Cesariny "pop star"
1 - O foyer do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) vai passar a chamar-se Galeria Mário Cesariny, revelou Mega Ferreira, director do CCB, no "Expresso" de 30 de Junho. "Na próxima temporada, que o presidente do CCB apresenta no dia 11, haverá nesse espaço a que chamou Galeria Mário Cesariny, lugar para duas pequenas mostras de homenagem a escritores, uma em Novembro e outra em Fevereiro", escreve o jornal.
2 - Há três poemas de Cesariny na compilação de música "Lisboa", de uma nova editora portuguesa, a Lisboa Records. "Disco de músicos, este é também um disco de poetas e, sobretudo, de um poeta em particular, Mário Cesariny, de que figuram aqui três textos estupendos: Passagem a Limpo, Poema e You Are Welcome to Elsinore, assinado por um colectivo intitulado BCN, que junta Abelho, Eleutério, Ruben Costa e Hugo Leitão", lê-se no suplemento "Actual", do "Expresso".
Diva em Sossego
Parece que foi ontem, aquele voo de 1940, Roma-Barcelona-Lisboa. Era Setembro. A guerra, que haveria de ser a Segunda Grande, tinha três meses, ela apenas 10 anos. Nascida em Nápoles, foi viver alguns meses para a capital italiana, onde o pai, militar da Marinha, estava destacado. A mãe era doméstica, mas frequentara o magistério primário. E havia um irmão, mais velho.
Há-de ser uma família desencontrada, pelos anos fora, com aquela guerra e as constantes missões do pai.
Anna Mascolo tem agora 76 anos. Forjou-se neste ambiente difícil - o esconjuro, hoje, vem pela leitura de livros de História e de cartas de amor, firmadas pelos pais na destemperança daqueles anos. Itália, ou a fase ingénua da vida, há-de chamar sempre por ela. Mas sem resposta. Só um clamor a teve: a Dança. Mas aí, nada foi fácil, também. Fez-se a pulso, por entre problemas financeiros, nas melhores companhias e com os maiores mestres. Em Portugal, onde a tradição da Dança clássica não existia, ser bailarina era o mesmo que andar na má vida. E, no entanto, ela não se deteve.
Talvez por tudo isso, se tenha tornado rigorosa e intransigente, infalível devota do ofício, dona de uma prodigiosa memória artística - que é o seu maior património, como escreveu, há anos, Daniel Tércio, crítico de Arte e seu antigo colega de docência na Faculdade de Motricidade Humana.
O mito que a rodeia anunciava uma entrevista difícil, mas, noite dentro, à roda de uma mesa, na sua casa, deixou-se estar à conversa. Francisca, uma das empregadas, serve café. Foi ela quem abriu a porta do andar no centro de Lisboa e indicou a sala. "A senhora vem já." O jovem bailarino Luís Antunes, aluno e amigo, segue a conversa. A cadela Zazá, companhia de muitas horas, fica a olhar. Há uma estante com livros (salta à vista um sobre Coco Chanel); uma secretária onde estão espalhados documentos antigos e muitas fotografias; por cima, Anna Mascolo representada numa aguarela do pintor Eduardo Malta.
Toma café sem açúcar, enquanto discorre sobre a história da sua paixão. "A Dança clássica, que tem origem na Dança teatral, e a Música clássica são as duas invenções geniais da Europa. Uma, é a grande Dança; a outra, é a grande Música." Depois, prossegue o relato da sua vida. Bruno Horta
sábado, 30 de junho de 2007
Ex-deputado do PSD influenciou preços mínimos do tabaco
A introdução do PMR na lei foi proposta pelo PSD, que defendia a sua criação imediata. Depois das negociações com o PS, acabou por ser apenas permitida, deixando essa decisão ao critério de futuros governos. Apesar de o Ministério da Saúde se recusar a comentar este assunto, ao que o PÚBLICO apurou, não terá agradado ao ministro Correia de Campos, por ser mais uma questão de concorrência do que de saúde pública.
Não é esta a visão do PSD. "A criação de um PMR é, lado a lado com um aumento da carga fiscal, uma das formas recomendadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas para fazer aumentar o preço do tabaco para dissuadir o consumo", justificou José Eduardo Martins, deputado da Comissão de Saúde encarregue de elaborar a versão final da lei. Joana Ferreira da Costa, "Público", ontem
O ex-deputado do PSD e actual responsável na Tabaqueira pelas relações com o Governo, Miguel Coleta, é o autor da carta enviada ao Parlamento onde a empresa defende a fixação de preços mínimos de referência (PMR) para o tabaco. A medida não constava da proposta de lei do tabaco apresentada pelo Executivo aos deputados, mas a sua criação imediata foi defendida pelo PSD e depois alterada pelo PS, que garantiu na lei, anteontem aprovada, a possibilidade de este mecanismo ser aplicado.
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Como se justifica uma primeira página destas?
Canto superior esquerdo: "Do Cool Jazz Fest em Oeiras ao Tejo, à paisagem alentejana"Canto inferior esquerdo: "Catástrofes: Volta Al Gore, estás perdoado (...) Nos últimos três dias, a meteorologia foi notícia em vários cantos do planeta."
Coluna da direita: "Mundo: Terrorismo na Europa está mais perto do que julgamos, afirma um juiz francês que alerta para células adormecidas"
Coluna da direita: "Lisboa: Degradação de escolas preocupa professores, que fizeram um relatório do estado miserável para enviar aos candidatos"
etc.
(o mês, no cabeçalho, está escrito em caixa baixa; e não deve ser por opção gráfica, pois, logo ao lado, "número" aparece em caixa alta)
Quando o diário "Meia-Hora" foi lançado, os seus proprietários (Metro News, detida, em metade, pela Cofina) disseram que iria concorrer directamente com o "DN" e o "Público". Tratar-se-ia, até, do primeiro gratuito "de referência", disseram. Passou-se isto há cerca de duas semanas.
Não se põe em causa o mérito das pessoas que fazem o "Meia Hora" – quem nunca errou que atire a primeira pedra. Põe-se em causa a pretensão dos donos do jornal. Como querem eles que este seja um jornal "de referência" se a redacção, lê-se na ficha técnica, tem apenas seis jornalistas (sem contar com director e editores) e uma revisora?
"A oralidade é um traço rude, de fortes tintas, em áspera tela"
O gramaticida arteiro
É por vezes terrível o fosso entre a frase escarrapachada em papel de jornal e a sua oralidade – quando a prosódia não é grande espingarda. Sabendo-se o que a casa gasta, e estando o gramaticida de rédea solta gramaticando, crescem as possibilidades de novas fronteiras. Assim, boquiabrimos o espanto, seguindo as incessantes farpas que o comendador vai lançando ao presidente do conselho de fundadores. De prima-dona a menino mimado, vai o verbo emoldurando a sua iconoclastia.
Comendadoria comenda, não se detém em comenos. A oralidade é um traço rude, de fortes tintas, em áspera tela. Ocorre que, lida no jornal, a frase com que o comendador dá na televisão a estocada ao já semi-retirado presidente do conselho de fundadores, deixa lavrado em acta: “se ele está com problemas de saúde, ou com problemas mentais, que se vá é curar”. Mas, ouvida, uma e outra, e ainda outra, vez ouvida, ganha a frase outra patine ensalivada: “se ele está com problemas de saúde, ou com problemas mentais, que se vaia curar”. Teríamos neste caso o verbo ir, chamando à sua própria concha de sonoridade a vaia que a frase merece, por ir mal conjugado – assim pedindo zombaria e motejo.
O gramaticida foragido às regras, do verbo ir perdido, errátil; assim se vai, por mais fortuna e humor errante, criando um estilo, sujeito à vaia, é claro, pois se vai a margem condescendente dissipando. Da arte possuindo vasto arsenal, e o artifício, e a artimanha, da arte arteiro, e do fino gosto, em lavor próprio ou por requintado conselho aprimorado, é chegado, talvez, o momento de o comendador investir em porta-voz ou
quinta-feira, 28 de junho de 2007
"O público está melhor com notícias reais"
A opinião de Bill Kovach sobre o jornalismo que se vai fazendo, em entrevista a Patrícia Fonseca, publicada na revista "Jornalismo & Jornalistas", de Abril/Junho deste ano:"Hoje, aposta-se muito no info-entretenimento, em busca de mais receitas, julgando que as pessoas querem é ser distraídas, em vez de informadas. Mas penso que esse é o caminho para a autodestruição... Para nos distrairmos, vamos ao cinema!
Os cidadãos só podem recorrer aos jornalistas para obterem informação relevante e independente: esse é o nosso negócio. É nossa missão distinguir a propaganda das verdadeiras notícias. E é também nosso papel ajudar o público a entender que está melhor com notícias independentes e reais, sobre assuntos como educação e saúde, em vez de lixo sobre a vida das estrelas. A grande beleza do jornalismo acontece quando tocamos assuntos que envolvem as pessoas, que podem mudar o estado do mundo, fazer a diferença."