sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Poetas

Si me despierto en medio de Ia noche


Si me despierto en medio de Ia noche,
me basta con tocarte.
A mi lado respira
tu cuerpo de hombre joven
como animal en Ia naturaleza.
A mi lado descansa
esta musculatura construida
en Ia constancia del entrenamiento.
El tenista que triunfa
en Ias pistas de barrio cada martes,
el artista, el poeta, el que redacta
su tesis doctoral, el que diseña
el que canta, el que baila,
el que sonríe deslumbrantemente
el que guarda silencio,
el que lee,
el que combate contra mí en Ia cama,
el compañero de todas mis horas
tiene en estos momentos Ia perfección distinta.
La alegría, Ia gracia
que en Ias horas solares constituye
belleza que se mueve
ahora se resuelve en equilibrio.
Me gusta estar a ciegas.
No existe nada más que tu temperatura
resumiendo los datos verdaderos del mundo.
En medio de Ia noche,
tengo de pronto un indeterminado
número de minutos
para quererte
con el aturdimiento y Ia clarividência
de los desvelados.
Siento en tu piel al ser humano bueno.
El ritmo de tu aliento
me comunica música muy simple
Me indica mi lugar
en el cosmos. Al lado
de tu serenidad viril. Empiezo
a quedarme dormido
abrazado a tu cuerpo.
Si me despierto en médio de Ia noche,
me basta con tocarte.

domingo, 19 de agosto de 2007

Coisas do fim-de-semana

É uma das fotos de Pedro Pacheco publicadas no número de Julho/Agosto da revista Dif. Mostra a maquilhadora (trabalha sobretudo em moda) Antónia Rosa e o filho.


"El Club Bilderberg - Los Amos Del Mundo", da jornalista espanhola Cristina Martín, foi publicado há dois anos e em Março último conheceu segunda edição, revista e actualizada. O título explica bem de que se trata. Lá dentro (300 páginas) nem tudo está sustentado. Por vezes, a autora é militante. Muitas fontes são anónimas, mas também há documentos, como a lista de participantes na reunião Bilderberg de 2006.
O Frederico Duarte Carvalho há muito que fala sobre isto.


Parece que há bailarinos (franceses) que se preocupam com explicar (comunicar, promover, etc.) o trabalho marginal a que se dedicam. A imagem é da capa do primeiro número, de Abril último, da revista "Les Cahiers du CCNRB". O editorial, assinado por Catherine Diverrès, não podia ser mais esclarecedor:
"Quel est le fil qui relie ces cahiers thématiques et quels sont sinon les enjeux, les soubassements désirables, désirés, le cheminement sensible et conducteur? II pourrait se nommer comme un «entre», une liaison qui restitue par les mots l'amont du travail de création, ce qui l'a nourri et motivé, une cartographie de son processus, les appuis historiques, sociologiques, contextuels, intimes, esthétiques, expérimentaux, qui soutiennent l'architecture mentale et sensible à l'apparition d'une oeuvre, du geste ou de l'action chorégraphique."

sábado, 11 de agosto de 2007

"Encosta-te a mim", Jorge Palma

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Menos arrogância

Mário Soares, em entrevista a António José Teixeira, no "Diário Económico", hoje:

"Há um mal-estar na sociedade portuguesa que não deve ser ignorado. Há que dar razões às pessoas para acreditarem no Governo. As pessoas não protestam só porque os sindicatos as empurram. Vêm para a rua porque sentem os seus postos de trabalho em causa ou porque a saúde, a educação, a justiça ou as reformas os preocupam. São problemas sérios. Chegou a hora de tranquilizar as pessoas quanto a eles."

"Quanto ao autoritarismo, houve episódios desagradáveis, que foram muito empolados, mas que devem ser evitados e corrigidos. É talvez necessário haver mais sentido de autocrítica e menos arrogância nas respostas."

"Não vejo sinais de uma cultura autoritária. Longe disso. Arrogância, sim, em certas áreas. Teóricos da Direita, esquecidos das lições do passado - e alérgicos aos partidos políticos - já se atrevem a aconselhar o Presidente da República a "preparar-se para novos governos de iniciativa presidencial". O que é isso? Esquecem-se que são os partidos que estruturam a democracia."

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O nosso querer falar

Uma nota à edição de "Poemas de Mário Cesariny ditos por Mário Cesariny", livro e disco publicado hoje pela Assírio & Alvim, esclarece que a transcrição apresentada é fiel à versão dita pelo autor na gravação, não à versão anteriormente publicada dos poemas. Uma das discrepâncias mais interessantes está no poema "you are welcome to elsinore". Em vez de "e entre nós e as palavras, o nosso dever falar", Cesariny diz "o nosso querer falar". E a seguir acrescenta: "Aqui está 'dever', mas é 'querer' ".
O que já não é interessante é haver erros como este: logo no primeiro poema, Cesariny diz "E quando um deles ala o corpo" e aparece escrito "E quando um deles ala e o corpo".
De resto, o som é bom e a voz do poeta, apesar de rouca e desgastada, tem muita expressividade.
Mau, muito mau, é o preço (28 euros) e o facto de a Assírio & Alvim não ter tido o cuidado de escrever algures as datas de nascimento e de morte do autor tanto mais que o livro/disco resulta de uma gravação de três dias, feita poucos meses antes de ele morrer (26 de Novembro de 2006).

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Marginais e resistentes

Na "Pública" de 5 de Agosto. Excerto:


Em Portugal há línguas que só alguns dominam. E das quais não há dicionários ou gramáticas. Agora que decorre em Shangai o 18º Congresso Mundial da Federação Internacional de Tradutores, de 4 a 7 de Agosto, fomos à procura dos tradutores literários que resistem à tirania do inglês.


Um escritor estrangeiro ganha o Prémio Nobel da Literatura em 1955 e passados 42 anos é publicado, pela primeira vez, em Portugal. Dito assim, parece impossível. No entanto, é verdade. “Gente Independente”, do islandês Halldór Laxness (1902-1998), está disponível em português desde Março último. A badana do livro, dado à estampa pela editora Cavalo de Ferro, informa que o autor já tinha sido vertido para mais de 45 idiomas. No Brasil, há muito que o conhecem traduzido. Por cá, só agora.

A islandesa Gudlaug Rún Margeirsdóttir, autora da tradução de “Gente Independente” (revista por Jorge David e Maria João Branco) explica o atraso com três argumentos. O islandês é uma língua muito difícil. A Islândia, país com cerca de 290 mil habitantes, continua a ser pouco conhecido da maior parte dos portugueses. E Laxness era um “rebelde da literatura”: a ficção deste antigo monge beneditino, convertido ao socialismo soviético, com o qual haveria de se desiludir, fala da pobreza dos camponeses e outras desgraças das classes baixas, pelo que “nunca poderia ter sido traduzido em Portugal durante o Estado Novo”, justifica.

Gudlaug Rún Margeirsdóttir é a única tradutora literária de islandês em Portugal. Há mais quem se dedique a verter a língua de Laxness para a de Camões, mas apenas ao nível técnico (relatórios, manuais de produtos, leis). Não a literatura. Acontece o mesmo com o árabe, o húngaro e o dinamarquês. Bruno Horta | foto de Sérgio Azenha

Notas

1 - A ler, a entrevista de António Calvário à Ana Sofia Fonseca, na Sábado (2 de Agosto). Ele há muita maneira de se falar: "Não fui casado oficialmente, mas não imagina o número de casamentos que fui tendo... E continuo a casar de vez em quando, é mais interessante. Além disso, casei com o público".

2 - O último Jornal de Letras (1 de Agosto) é quase todo dedicado ao centenário do nascimento de Miguel Torga e inclui cartas inéditas que Eugénio de Andrade, Vitorino Nemésio e Eduardo Lourenço lhe enviaram. "Estou cada vez mais convencido de que a verdadeira sorte de um escritor é sofrer", diz Nemésio a Torga, a propósito da apreensão de "A Montanha", em 1941.

3 - Em Espanha, indo além do que Santos Silva queria fazer (30 dias para as empresas usarem e abusarem dos artigos dos jornalistas), o PSOE e o PP propõem que o direito de autor seja transferido dos jornalistas para os editores.

4 - "
Cândida faleceu no anonimato suburbano. O apartamento de Massamá onde finalmente atingiu a paz fica numa praceta, os rés-do-chão cobertos de grafittis, os edifícios de seis andares na monotonia do branco e castanho." Grande reportagem de Nuno Ferreira sobre a morte de Cândida Branca Flor. Recuperada aqui.

5 - O Sérgio B. Gomes, jornalista, teve a gentileza de falar no seu
blog, Arte Photographica, do artigo que escrevi para o Público sobre as fotógrafas Diane Arbus e Francesca Woodman.