sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Time Out Lisboa

O número zero da Time Out Lisboa foi apresentado ontem à noite no Lux, em Lisboa. "O fado é cool ?", pergunta a capa. "Sim", responde um dossier de 12 páginas.
A revista é o primeiro guia "independente e completo", como escreve em editorial o director, João Cepeda, do que se passa na capital. Nas artes e no entretenimento. Sai à quarta-feira, tem cerca de 100 páginas e custa dois euros. O primeiro número vai estar nas bancas no dia 26 de Setembro.
Foto da capa de Claus Stellfeld e Lu Cristovam

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

"A cara dela esconde um mistério"

Getty Images
José Cabrera, psiquiatra forense espanhol, no "Prós e Contras", da RTP, dia 10 de Setembro:
"Há algo estranho que eu, como psiquiatra, não entendo: o casal funciona em uníssono. Aparentemente, o pai [Gerry McCann] é quem dá ordens, mas, em minha opinião, a chave do mistério é a mãe [Kate McCann], uma mãe que já tinha problemas psicológicos, com tratamento médico, anteriores ao sequestro.
A conduta e o aspecto da cara da mãe denotam ausência de emoções. É a mesma cara que se tem quando se joga póquer: não demonstra nenhum tipo de sentimentos. Ocasionalmente, há lágrimas. Dá impressão que ela tem problemas afectivos profundos. Não é uma reacção depressiva, não é uma questão neurótica, é uma coisa mais profunda. A expressão facial dela quase não muda. Porquê? É um silêncio de culpa. Não sei se eles [o casal] sabem o que se passou [com a filha], mas é um sentimento de culpa. (...) Não estou a fazer um diagnóstico, não estou a culpar ninguém, estou a fazer um juízo de valor. Mas esta cara esconde um mistério.
(...) O marido, cirurgião, especialista, profissional, é quem a conduz em cena. São como dois actores num teatro. É ele quem dirige tudo. Ele é mais espontâneo do que ela, controla mais, é ele quem aparece nas televisões, mostra as fotos nas conferências de imprensa, dá sempre o primeiro passo. Ela está sempre atrás, quieta e calada. Há algo escondido. E é ela que esconde. O marido e ela escondem-se atrás da imagem do matrimónio perfeito, mas talvez não seja assim tão perfeito.
(...) Eles tratam o assunto como se tivesse havido um pacto entre eles, que os leva a fazerem sempre o mesmo, a dizerem o mesmo, a olharem da mesma forma as câmaras, os jornalistas e os polícias."

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Na cama com os escritores

Na revista "Pública" de 9 de Setembro. Excerto:

Posou para a Playboy porque precisava de dinheiro e queria ser uma escritora famosa. Dormiu com James Dean e Hugh Hefner e descobriu com Simone de Bouvoir que as mulheres podiam ser livres. Os loucos anos 50 da americana Alice Denhan, contados na primeira pessoa.

Chega a Nova Iorque com 18 anos e um namorado de ocasião. Em 1951. Entra com desembaraço nos cocktails e na cama de escritores em ascensão. Deseja o mesmo que eles: muito sexo, nenhum compromisso e o nome na história da literatura. Um nome ainda mais brilhante que o dos três grandes: Hemingway, prestes a receber o Nobel; Fitzgerald, já morto, portanto um mito; e Faulkner, rival declarado do primeiro, Nobel em 1949. É alta, bonita e magra. Tem longos cabelos ruivos, olhos muito verdes, busto 38.

Nesta época, os romancistas rivalizam com os actores de Hollywood em riqueza e glória. Escrever é o sonho de qualquer homem e o que a faz correr a ela. É por isso que foge de casa dos pais e se refugia na grande cidade. Quer tornar-se cosmopolita. Espera que a tirania da América provinciana, onde nasceu, a deixe finalmente em paz. Esquece-se, no entanto, de que é apenas uma mulher. E as mulheres deste tempo só nascem para casar e ter filhos.

Meio século depois, Alice Denham [na foto], de 75 anos, decidiu revelar o que lhe custou querer o que queria. Escreveu Sleeping With Bad Boys (Na Cama Com Os Malandros, em tradução livre), um livro de memórias, alegadamente isento de ficção, publicado há poucos meses e sem tradução portuguesa prevista. Trezentas páginas, 34 capítulos – o mote para uma conversa telefónica com a autora.

O suplemento literário do New York Times resumiu a obra desta forma: “É sobre um tempo em que, na prática, a mulher tinha duas hipóteses: ser bem-comportada ou malcomportada. As bem-comportadas ficavam com a aliança, os filhos e a casa. As malcomportadas ficavam com o resto”. Denham seguiu, obviamente, a segunda hipótese. “Quando cheguei a Nova Iorque, com uma licenciatura, pensei que seria fácil arranjar emprego, mas nem para trabalhos de secretária me marcavam entrevistas, porque eu não sabia escrever depressa”, recorda. “As mulheres eram completamente descriminadas”. Num cerrado sotaque do Sul dos EUA, acrescenta: “Todos os escritores famosos daquela época, alguns muito bons, eram homens. Eles eram deuses e as mulheres deveriam estar ali apenas para os aplaudir. Eu queria ser escritora e uma mulher independente, porque sempre foi essa a minha maneira de ser”.

Nascida numa família falida de origem aristocrata, em Jacksonville, na Florida, impôs-se através da beleza física – contra a vontade da mãe, descrita como uma mulher muito severa. O pai seria sempre mais brando. Tornou-se modelo (pin-up). Fez anúncios de electrodomésticos. Foi rainha de um circo. Posou para revistas masculinas. A Playboy foi o auge, como se verá. Ao que diz, queria apenas ganhar visibilidade e dinheiro para um dia se dedicar inteiramente à escrita. Mas pouco conseguiu. Passava a vida nas festas que o escritor Norman Mailer e a mulher, Adele, organizavam e que acabavam, invariavelmente, em bebedeira e discussão. Dançava em casa para manter a forma física. Entretinha-se a rascunhar contos e romances e a tentar, sem êxito, vendê-los aos editores. “Nos anos 50 e 60, Nova Iorque era o centro das artes, tinha uma vida cultural muito forte, tal como Paris tinha tido nos anos 20”, refere. Bruno Horta

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

"Um Teatro Sem Teatro"

Imagens da exposição "Um Teatro Sem Teatro" ("Un Teatre Sense Teatre"). A exposição, sobre a relação entre o teatro e as artes visuais no século XX, termina esta terça-feira, dia 11, no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (começou a 25 de Maio) e abre em Lisboa a 16 de Novembro, no Museu Berardo.

Instalação "Monsieur Teste", 1974-75, de Marcel Broodthaers:


Cartaz do "3ème Festival de La Libre Expression", de 1966, organizado por
Jean- Jacques Lebel:
Instalação "Reifentänze Installation Reifenvorhänge und zwei Reifenfiguren [Danças de Aros]", 1927-1961-1994, de Oskar Schlemmer:
Lista não exaustiva das obras desta exposição aqui.

O homem mais bonito do mundo é uma ficção?

No "Público", hoje. Excerto:

O escritor Truman Capote apaixonou-se pela beleza única de Denham Fouts e fez dele personagem de um livro - há 20 anos. Foi o que bastou para nunca mais ninguém saber a verdade sobre o prostituto de luxo que encantou uma geração inteira de milionários e artistas.

O que muda tudo é uma fotografia. Quando sai o primeiro romance de Truman Capote, Outras Terras, Outras Gentes, em 1948, nos EUA, o escritor ainda não é uma celebridade das letras e da vida mundana, mas a queda para a autopromoção é já evidente. Faz questão de aparecer na contracapa. Tem 22 anos, ar neutro, eternamente a caminho da idade adulta. Está estendido num sofá, vestido, em pose lânguida. E desafia com o olhar a objectiva de Harold Halma. A fotografia, do ano anterior, tornar-se-ia tão famosa quanto o livro. É com ela que Capote (1924-1984) entra na vida de Denham Fouts [na foto abaixo], um americano que vive em Paris. Outras Terras, Outras Gentes (Livros do Brasil, 1956) chega-lhe às mãos. Ele fica fascinado com a imagem e, através de um amigo comum, faz saber a Capote que o quer conhecer. Consta que envia ao escritor um cheque em branco, para as despesas de viagem, América-Europa, e escreve apenas isto no verso: "Vem." Capote vai, alegadamente a expensas próprias. E sabe bem ao que vai: Denham Fouts é um prostituto de luxo de fama internacional, homem preguiçoso e arrebatador, presença habitual na cama de artistas e milionários. Como poderia o escritor não o querer conhecer?
Encontram-se em Maio de 1948. Muito depois, em 1972, Capote escreverá uma versão ficcionada da vida do amante: Unspoiled Monsters, um conto revelado na revista Esquire e incluído em Súplicas Atendidas (Asa, 1993), o seu último livro, publicado há 20 anos, no Verão de 1987, já depois da sua morte. O conto "não é totalmente fiel" ao percurso de Denham Fouts, avisa o escritor Gerald Clarke na biografia de 600 páginas de Capote, publicada há seis anos. Na verdade, nada do que se conta sobre Denny, diminutivo por que Denham Fouts ficou conhecido, é muito fiável. "Muita gente o conheceu, mas muito pouca soube realmente quem ele era", acrescentaria Clarke numa conversa telefónica descrita no livro de Charles Casillo Boys, Lost & Found, de 2006. Não por acaso, Casillo chamou A Lenda ao capítulo que dedicou a Fouts.

Será que a história da vida dele, como a fixou Capote, e a tinham aflorado, também ficcionalmente, Gore Vidal (no conto Pages from an Abandoned Journal, 1956) e Christopher Isherwood (romance Down there on a Visit, 1962), não passa de uma lenda? Fouts terá tido os amantes que lhe atribuem? E levado a vida marginal que lhe colam? Capote ensaiou uma resposta ao pôr na boca do narrador de Unspoiled Monsters esta frase ambígua: "Como a verdade não existe, não passa de uma ilusão." De resto, a possibilidade de se saber a verdade na primeira pessoa já desapareceu: ao perceber que o filho era homossexual, a mãe, Mamie, viúva, com 76 anos, queimou todas as páginas de um manuscrito de memórias que ele escrevera e lhe enviara pouco antes de morrer - garante uma prima, Alice Denham, em Sleeping with Bad Boys, de 2006. Bruno Horta

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Soledad

O documentário "Fados", de Carlos Saura, apresentado ontem à noite no Festival de Cinema de Toronto, revela quase na íntegra a gravação de 1989 onde Amália ensaia o fado "Soledad", acompanhada ao piano por Alain Oulman. Um excerto desse vídeo tinha sido apresentado pela primeira vez no filme "The Art Of Amália", de Bruno de Almeida, editado em DVD em 2004.
"Soledad" tem letra da poetisa brasileira Cecília de Meireles e música de Oulman. Nunca foi editado em disco alegadamente porque a filha da poetisa, detentora dos direitos de autor, não permite.
"Fados" estreia-se em Portugal a 27 de Setembro.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A próxima Madonna

Marc Jacobs junta-se a Noami Campbell na Harper's Bazaar de Setembro. Diz a revista que ele está recuperado, depois de uma cura de desintoxicação de álcool e droga. No texto, assinado por J. J. Martin (as fotos são de Jean-Paul Goude), Jacobs fala sobre o anacronismo da(s) moda(s):
"Fashion is so cyclical and like pop music, people want newness from the performers the enjoy, but they also want new performers. You know, it's like you may be dying to hear the next song from Madonna because you're a Madonna fan, but you also want to know who's the next Madonna".