quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Inscrições tumulares

"Nobody, but nobody, could have been so consistently ignorant, stubborn, and just plain stupid over a seven-year period, unless there was something else going on behind the scenes. Or could they have been?"
Graydon Carter ("Vanity Fair", Outubro)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OCTUBRE, MES SIN DIOSES

Los japoneses piensan que éste es el mes-sin-dioses.
Lo celebran así. No aliteran octubre
con oro desprendido de los árboles fragiles,
ni con revoluciones que cambiaron la historia.
Octubre como tregua. Como ausencia de todo
lo que excède los límites. Asi para nosotros
sea: liberación. Porque ya no se exhiben
los implacables dioses desnudos del verano,
los demasiados dioses, y falta todavia
mucho para que nazca el niño del invierno,
y más allá no alcanza la vista, desde este
mes de distancias, mes de lejanías,
imperfecto, logrado, fortuito. Que así
sea para nosotros. Sin los ocho millones
de dioses que se esconden en la ciudad o el bosque,
las escalas coinciden con nuestras estaturas.
Dejémonos llevar por los presentimientos.
Escribamos las cosas con las letras minúsculas.
Celebremos octubre por su ausencia de dioses.
Disfrutemos su nombre porque sólo es un número
de una seie truncada. Y olvidada. Es octubre.
Tenemos treinta dias solo para nosotros.

Juan Antonio González-Iglesias
"Eros es Más", 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Dream on

"O grupo parlamentar [do PSD] vai começar a preparar o projecto de uma nova constituição, não de uma revisão".
Luís Filipe Menezes, hoje.

sábado, 13 de outubro de 2007

Sem pudor nenhum

Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao "Expresso" de hoje:

Qual é o orçamento da ERC?
É de €4.673.807. Há uma dotação orçamental aprovada pela Assembleia da República, outra parte que é transferida do exercício da ANACOM, uma parcela variável de receitas próprias e uma parte, que representa 20 a 25%, que vem da taxa de regulação.

É verdade que há uma agência de comunicações a trabalhar para a ERC?
É verdade. O objecto da relação com esta agência de comunicação (Unimagem) é a Conferência Internacional sobre Regulação que a ERC vai organizar dias 24 e 25.

Mas é para se manter?
O conselho não decidiu ainda. Se depois a proposta for nesse sentido será discutida no conselho, mas nada está agendado.

Revolucionário Mexicano

Na revista Sábado, de 11 de Outubro. Excerto:

A vida pessoal do mexicano Diego Rivera foi sempre tão fabulosa como a vida artística. Teve dezenas de relações amorosas, problemáticas e excêntricas. Enquanto viveu na Europa, apaixonou-se em simultâneo pelas pintoras Angelina Beloff, sua mulher, e Marevna Vorobev-Stebelska, [com] quem teve uma filha. Nunca assumiu a paternidade da criança, mas deu dinheiro a Marevna para a sustentar - quando voltou ao México, nunca mais quis saber delas. A carreira estava acima de tudo. Continuou a viver relações tumultuosas enquanto se especializava na pintura de murais e frescos que lhe deram fama mundial. Com a pintora Frida Kahlo, manteve uma relação de filho e mãe. Casaram e tornaram-se um dos pares mais célebres do século XX.
Para assinalar os cinquenta anos da morte de Rivera, ocorrida a 24 de Novembro de 1957, a editora alemã Taschen decidiu reunir em livro (...) os seus trabalhos. Um dos autores da obra, intitulada Diego Rivera: The Complete Murals, é Juan Rafael Coronel Rivera, neto do pintor e editor de revistas de arte. O livro tem quase 700 páginas, custa 150 euros e conta a história de uma vida cheia de mitos. "Rivera era incapaz de sossegar a sua imaginaçâo colossal", disse, certa vez, a autora da sua biografia, Gladys March. "Transformou em lendas alguns episódios da sua vida, sobretudo os que se referem à infância."

(...)
Tinha 35 anos quando foi convidado pelo ministro da Cultura, José Vasconcelos, para ajudar na politica cultural do Governo. Numa das suas mais célebres citações, Rivera explica-se: "O meu estilo nasceu como uma criança, num instante, com a diferença de que esse nascimento teve lugar após 35 anos de uma gravidez dolorosa." Um dos textos de Diego Rivera: The Complete Murals, assinado pela historiadora Nadia Ugalde Gómez, assegura que ele "nunca foi um espectador passivo do seu tempo". Ao tornar-se muralista, queria glorificar a História do México e mostrá-la directamente ao povo nos muros, paredes e tectos do país.
A fama não lhe diminuiu a agitação amorosa. Casou-se pela Igreja, em 1922, com a modelo artística Guadalupe Marin, com quem teve duas filhas - foi então que aderiu ao Partido Comunista do México. Era um fervoroso marxista, admirador de Lénine e da URSS. Depois de um caso com uma fotógrafa americana, divorciou-se em 1928, para casar logo no ano seguinte com a estudante de arte Frida Kahlo, também ela comunista. Diego tinha 43 anos, ela 22. Bruno Horta
Foto de Nickolas Muray (Khalo e Rivera em 1940)

domingo, 7 de outubro de 2007

Nureiev fugiu da Rússia por causa de um amor secreto

No "Público", ontem. Excerto:

Foi um jovem alemão quem convenceu o mais influente bailarino do século XX a desertar para o Ocidente. A revelação consta de uma nova biografia, publicada em Inglaterra - "Nureyev: The Life". Demorou dez anos a escrever e já inspirou um documentário da BBC


Que terá ele pensado naquela manhã de 17 de Junho de 1961? Fugiu porque já não aguentava a opressão soviética? Temia que o KGB andasse a investigar as suas relações homossexuais? Sabia que a sua conduta libertina durante a estada francesa seria suficiente para que lhe arruinassem a carreira no regresso à ex-URSS? As teorias para a deserção de Rudolf Nureiev (1938-1993) são quase tantas quanto o número de livros que sobre ele se escrevem - a cada ano, sai pelo menos um. Mas a todas faltava uma peça fundamental. Julie Kavanagh, antiga crítica de dança da revista Spectator, encontrou-a. Ao fim de dez anos de pesquisa sobre a vida do bailarino e coreógrafo, descobriu que as questões políticas pesaram pouco na sua decisão. Nureiev fugiu porque Teja Kremke, bailarino alemão por quem estava apaixonado, o convenceu a isso.
Esta é a principal novidade do livro Nureyev: The Life, publicado há semanas em Inglaterra e com edição americana prevista para este mês. "É a biografia definitiva de Nureyev", sentenciou no Guardian o professor universitário Peter Conrad. Antes de sair, o livro inspirou o documentário Nureyev: The Russian Years, de John Bridcut, co-produzido pela BBC. Estreou-se em Agosto na televisão pública dos EUA, a PBS, e passou recentemente na BBC 2, sob o título Nureyev: From Russia With Love. 

Na foto, Teja Kremke (créditos: Alla Bor / Lubov Filatova)

Coisas que se dizem

"All highly respected art people that you'd think wouldn't do coke, do coke. Everywhere we go, the first thing people ask is 'do you need some coke? do you need some help organizing it?'. It's crazy. It's like a second economy within the art world."
Javier Peres, art dealer, revista Butt, nº20, Verão 2007

"You could go into a swanky party in New York and do a line and nobody would notice. Pull out a cigarette and people would think you’d pulled out a gun.”
Tom Sykes, jornalista, New York Times, 10 de Junho 2007