segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Agências de modelos fazem boicote ao Portugal Fashion

No Público de 18/10:

Quatro das principais agências de modelos portuguesas recusaram-se a participar na edição do Portugal Fashion, que começa hoje em Vila Nova de Gaia. Queixam-se que a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), uma das responsáveis pelo evento, lhes deve milhares de euros desde a última edição, em Março.
Nos últimos dias, as partes tentaram, sem êxito, chegar a acordo. Até ao início da noite de ontem, o Portugal Fashion - organizado pela ANJE e pela Associação Têxtil Vestuário de Portugal (ATVP), em parceria com o Ministério da Economia - tinha apenas modelos das agências Best, DXL, Face e Elite. De fora ficaram L'Agence, Loft, Just e Central - as principais fornecedoras de modelos nas edições anteriores, confirmou o PÚBLICO.

Armindo Monteiro, presidente da ANJE, admite a existência da dívida. "Propusemos fazer o pagamento de certa forma, que não vou revelar, mas as agências não aceitaram".
Ao que o PUBLICO apurou, as agências pretendiam receber o dinheiro atrasado na totalidade antes do início deste Portugal Fashion, enquanto a ANJE sugeria pagar a três meses. Armindo Monteiro acusa as agências de "fazerem chantagem" e diz que o Portugal Fashion depende de subsídios da União Europeia que ainda não chegaram.
Miguel Blanc, director da L'Agence, não faz comentários. Diz que a situação "é muito complexa" e remete esclarecimentos para segunda-feira. Os responsáveis das outras agências estiveram incontactáveis.

A 21.ª edição do Portugal Fashion vai ser diferente do habitual: não decorre no Porto, não tem apoio assegurado do Estado e vai acontecer dentro de uma tenda gigante (a mesma que acolheu ainda recentemente a Pasarela Cibeles de Madrid, com quatro pisos de altura), mas, por outro lado, conquistou, graças ao acordo com a Câmara de Gaia, a garantia de que manterá a estabilidade organizativa nos próximos três anos.
"Com este acordo, conseguimos uma capacidade de planeamento completamente diferente", sublinhou Armindo Monteiro.
Paulo Nunes da Cunha, presidente da ATVP, sublinhou, por seu lado, o importante papel que o Portugal Fashion desempenha para o sector, fundamental para que, por exemplo, as exportações de têxteis portugueses tenham crescido 4,1 por cento nos primeiros seis meses do ano, apesar do contexto desfavorável que existe.
Até domingo, na praça em frente ao El Corte Inglés, desfilam as colecções de Filipe Oliveira Baptista, da dupla Storytaylors, de Fátima Lopes e Tenente Jeans, por exemplo. Katty Xiomara apresenta a sua colecção de lingerie e nove marcas portuguesas mostram num único desfile as suas propostas para a Primavera/Verão de 2008. Revela-se ainda o trabalho de alguns jovens criadores e colecções de sapatos. Bruno Horta e Jorge Marmelo

domingo, 21 de outubro de 2007

Transexuais com dificuldades de expressão

Na revista Time Out Lisboa de 10 de Outubro. Excerto:

Irina é muito perversa. “Ponho-me nua nas retretes e todos os cossacos vêm possuir-me”, diz à mãe. Mas a mãe, que responde por um nome um tanto assexuado, Simpson, tem um coração de pedra e já não se impressiona com as barbaridades da filha. Uma e outra carregam um passado muito pesado. Simpson era um homem. Irina também. Agora, são mulheres. Foram deportadas para a Sibéria, depois de terem mudado de sexo em Casablanca. Como podem, então, ser mãe e filha? Irina tem aulas de piano com a senhora Garbo, que a ama perdidamente. Mas Simpson não grama a ela. Um dia, a professora, que já foi mulher e agora tem um sexo de homem, entra-lhes pela casa dentro. Fica a saber que Irina está grávida (quem será o pai?) e inicia um bate-boca fatal com Simpson.

(...)
O Homossexual ou a Dificuldade em Exprimir-se é um autêntico novelo. As personagens vivem na solidão, enganam-se umas às outras e enganam quem as ouve. “Podemos conversar o tempo que quiser, não são as palavras que mudam o mundo”, diz Garbo. É tudo tão complicado que até o nome da peça só serve para confundir. Porquê “homossexual” se o que vemos em palco são três transexuais? Nem o encenador, Luís Castro, também fundador e director da Karnart, a companhia que leva a peça a cena, tem resposta.

O texto, de 1971, foi escrito por Copi (1939-87), um autor e cartunista argentino que fez carreira em Paris e cujo nome verdadeiro é Raúl Damonte Botana. Luís Castro, descobriu-o há uns três anos, quando lhe ofereceram o livro, na versão original francesa. Apaixonou-se e fez a tradução. Mas não consegue explicar o título. Dzi que se trata de um texto "muito irónico e sagaz". E e tudo. Perante outras dúvidas, justifica: “Isto raia o chamado teatro do absurdo, não há coerência em termos lógicos e através dele o público pode navegar à-vontade.”Bruno Horta


O Homossexual ou a Dificuldade em Exprimir-se, Espaço Karnart, R. Escola de Medicina Veterinária, 21, Lisboa. De 15 de Outubro a 23 de Novembro, 22h. Bilhetes 12,50€.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Inscrições tumulares

"Nobody, but nobody, could have been so consistently ignorant, stubborn, and just plain stupid over a seven-year period, unless there was something else going on behind the scenes. Or could they have been?"
Graydon Carter ("Vanity Fair", Outubro)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OCTUBRE, MES SIN DIOSES

Los japoneses piensan que éste es el mes-sin-dioses.
Lo celebran así. No aliteran octubre
con oro desprendido de los árboles fragiles,
ni con revoluciones que cambiaron la historia.
Octubre como tregua. Como ausencia de todo
lo que excède los límites. Asi para nosotros
sea: liberación. Porque ya no se exhiben
los implacables dioses desnudos del verano,
los demasiados dioses, y falta todavia
mucho para que nazca el niño del invierno,
y más allá no alcanza la vista, desde este
mes de distancias, mes de lejanías,
imperfecto, logrado, fortuito. Que así
sea para nosotros. Sin los ocho millones
de dioses que se esconden en la ciudad o el bosque,
las escalas coinciden con nuestras estaturas.
Dejémonos llevar por los presentimientos.
Escribamos las cosas con las letras minúsculas.
Celebremos octubre por su ausencia de dioses.
Disfrutemos su nombre porque sólo es un número
de una seie truncada. Y olvidada. Es octubre.
Tenemos treinta dias solo para nosotros.

Juan Antonio González-Iglesias
"Eros es Más", 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Dream on

"O grupo parlamentar [do PSD] vai começar a preparar o projecto de uma nova constituição, não de uma revisão".
Luís Filipe Menezes, hoje.

sábado, 13 de outubro de 2007

Sem pudor nenhum

Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao "Expresso" de hoje:

Qual é o orçamento da ERC?
É de €4.673.807. Há uma dotação orçamental aprovada pela Assembleia da República, outra parte que é transferida do exercício da ANACOM, uma parcela variável de receitas próprias e uma parte, que representa 20 a 25%, que vem da taxa de regulação.

É verdade que há uma agência de comunicações a trabalhar para a ERC?
É verdade. O objecto da relação com esta agência de comunicação (Unimagem) é a Conferência Internacional sobre Regulação que a ERC vai organizar dias 24 e 25.

Mas é para se manter?
O conselho não decidiu ainda. Se depois a proposta for nesse sentido será discutida no conselho, mas nada está agendado.

Revolucionário Mexicano

Na revista Sábado, de 11 de Outubro. Excerto:

A vida pessoal do mexicano Diego Rivera foi sempre tão fabulosa como a vida artística. Teve dezenas de relações amorosas, problemáticas e excêntricas. Enquanto viveu na Europa, apaixonou-se em simultâneo pelas pintoras Angelina Beloff, sua mulher, e Marevna Vorobev-Stebelska, [com] quem teve uma filha. Nunca assumiu a paternidade da criança, mas deu dinheiro a Marevna para a sustentar - quando voltou ao México, nunca mais quis saber delas. A carreira estava acima de tudo. Continuou a viver relações tumultuosas enquanto se especializava na pintura de murais e frescos que lhe deram fama mundial. Com a pintora Frida Kahlo, manteve uma relação de filho e mãe. Casaram e tornaram-se um dos pares mais célebres do século XX.
Para assinalar os cinquenta anos da morte de Rivera, ocorrida a 24 de Novembro de 1957, a editora alemã Taschen decidiu reunir em livro (...) os seus trabalhos. Um dos autores da obra, intitulada Diego Rivera: The Complete Murals, é Juan Rafael Coronel Rivera, neto do pintor e editor de revistas de arte. O livro tem quase 700 páginas, custa 150 euros e conta a história de uma vida cheia de mitos. "Rivera era incapaz de sossegar a sua imaginaçâo colossal", disse, certa vez, a autora da sua biografia, Gladys March. "Transformou em lendas alguns episódios da sua vida, sobretudo os que se referem à infância."

(...)
Tinha 35 anos quando foi convidado pelo ministro da Cultura, José Vasconcelos, para ajudar na politica cultural do Governo. Numa das suas mais célebres citações, Rivera explica-se: "O meu estilo nasceu como uma criança, num instante, com a diferença de que esse nascimento teve lugar após 35 anos de uma gravidez dolorosa." Um dos textos de Diego Rivera: The Complete Murals, assinado pela historiadora Nadia Ugalde Gómez, assegura que ele "nunca foi um espectador passivo do seu tempo". Ao tornar-se muralista, queria glorificar a História do México e mostrá-la directamente ao povo nos muros, paredes e tectos do país.
A fama não lhe diminuiu a agitação amorosa. Casou-se pela Igreja, em 1922, com a modelo artística Guadalupe Marin, com quem teve duas filhas - foi então que aderiu ao Partido Comunista do México. Era um fervoroso marxista, admirador de Lénine e da URSS. Depois de um caso com uma fotógrafa americana, divorciou-se em 1928, para casar logo no ano seguinte com a estudante de arte Frida Kahlo, também ela comunista. Diego tinha 43 anos, ela 22. Bruno Horta
Foto de Nickolas Muray (Khalo e Rivera em 1940)