quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Agências de modelos acusam Portugal Fashion

No "Público", hoje:

As agências de modelos L'Agence, Central, Just e Loft acusam a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), principal responsável pela organização do Portugal Fashion (PF), de "má gestão de dinheiros públicos" e de "pressões inaceitáveis" quanto à presença das agências nas próximas edições do evento.

Numa atitude inédita na moda portuguesa, as quatro agências recusaram-se na semana passada a fornecer manequins ao PF, por não terem recebido o dinheiro relativo à participação na edição anterior. Na ocasião, Armindo Monteiro, presidente da ANJE, confirmou ao PÚBLICO a existência da dívida, mas classificou como "chantagem" a posição daquelas agências, remetendo a responsabilidade para o Governo. "O Portugal Fashion dependia do apoio do ICEP, entretanto extinto, e de dinheiro do QREN [novo quadro comunitário de apoio], que ainda não chegou porque o Governo deu ordem ao sector público para não fazer mais pagamentos até ao fim do ano".

Em conferência de imprensa, ontem, em Lisboa, Elsa Gervásio (Just), Hélio Bernardino (Loft), Miguel Blanc (L"Agence) e Tó Romano (Central) revelaram o valor total da dívida: cerca de 77 mil euros. E garantiram que a ANJE lhes deu a entender que por não participarem neste PF ficam impedidas de o fazer no futuro. "É uma posição inaceitável de uma associação que vive de dinheiros públicos", afirmou Miguel Blanc. O director da L'Agence admite a hipótese de a ANJE não dispor de dinheiro suficiente, mas diz que isso "só se pode ficar a dever a má gestão". "Mesmo que não tivessem dinheiro", defende Tó Romano, "tinham de ter arranjado soluções alternativas". Como exemplo, referiu que há cinco anos a Associação Moda Lisboa também se confrontou com falta de fundos, mas recorreu a um empréstimo bancário para pagar aos fornecedores.
Em termos contratuais, asseguraram estes responsáveis, o PF deveria fazer pagamentos a 30 dias. "Nunca foram efectuados a menos de seis meses sobre a data do trabalho", pelo que as agências "praticaram até ao presente a regra de não haver modelos no evento sem previamente ter sido paga a edição anterior".

O PF, que decorreu no último fim-de-semana em Gaia, contou apenas com modelos das agências Best, DXL, Face e Elite. Até agora, cerca de 70 por cento dos manequins utilizados no PF tinham sido fornecidos pelas quatro agências que ficaram de fora, garantem os seus directores. A ANJE disse que "não tem nada a acrescentar". Bruno Horta

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Agências de modelos fazem boicote ao Portugal Fashion

No Público de 18/10:

Quatro das principais agências de modelos portuguesas recusaram-se a participar na edição do Portugal Fashion, que começa hoje em Vila Nova de Gaia. Queixam-se que a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), uma das responsáveis pelo evento, lhes deve milhares de euros desde a última edição, em Março.
Nos últimos dias, as partes tentaram, sem êxito, chegar a acordo. Até ao início da noite de ontem, o Portugal Fashion - organizado pela ANJE e pela Associação Têxtil Vestuário de Portugal (ATVP), em parceria com o Ministério da Economia - tinha apenas modelos das agências Best, DXL, Face e Elite. De fora ficaram L'Agence, Loft, Just e Central - as principais fornecedoras de modelos nas edições anteriores, confirmou o PÚBLICO.

Armindo Monteiro, presidente da ANJE, admite a existência da dívida. "Propusemos fazer o pagamento de certa forma, que não vou revelar, mas as agências não aceitaram".
Ao que o PUBLICO apurou, as agências pretendiam receber o dinheiro atrasado na totalidade antes do início deste Portugal Fashion, enquanto a ANJE sugeria pagar a três meses. Armindo Monteiro acusa as agências de "fazerem chantagem" e diz que o Portugal Fashion depende de subsídios da União Europeia que ainda não chegaram.
Miguel Blanc, director da L'Agence, não faz comentários. Diz que a situação "é muito complexa" e remete esclarecimentos para segunda-feira. Os responsáveis das outras agências estiveram incontactáveis.

A 21.ª edição do Portugal Fashion vai ser diferente do habitual: não decorre no Porto, não tem apoio assegurado do Estado e vai acontecer dentro de uma tenda gigante (a mesma que acolheu ainda recentemente a Pasarela Cibeles de Madrid, com quatro pisos de altura), mas, por outro lado, conquistou, graças ao acordo com a Câmara de Gaia, a garantia de que manterá a estabilidade organizativa nos próximos três anos.
"Com este acordo, conseguimos uma capacidade de planeamento completamente diferente", sublinhou Armindo Monteiro.
Paulo Nunes da Cunha, presidente da ATVP, sublinhou, por seu lado, o importante papel que o Portugal Fashion desempenha para o sector, fundamental para que, por exemplo, as exportações de têxteis portugueses tenham crescido 4,1 por cento nos primeiros seis meses do ano, apesar do contexto desfavorável que existe.
Até domingo, na praça em frente ao El Corte Inglés, desfilam as colecções de Filipe Oliveira Baptista, da dupla Storytaylors, de Fátima Lopes e Tenente Jeans, por exemplo. Katty Xiomara apresenta a sua colecção de lingerie e nove marcas portuguesas mostram num único desfile as suas propostas para a Primavera/Verão de 2008. Revela-se ainda o trabalho de alguns jovens criadores e colecções de sapatos. Bruno Horta e Jorge Marmelo

domingo, 21 de outubro de 2007

Transexuais com dificuldades de expressão

Na revista Time Out Lisboa de 10 de Outubro. Excerto:

Irina é muito perversa. “Ponho-me nua nas retretes e todos os cossacos vêm possuir-me”, diz à mãe. Mas a mãe, que responde por um nome um tanto assexuado, Simpson, tem um coração de pedra e já não se impressiona com as barbaridades da filha. Uma e outra carregam um passado muito pesado. Simpson era um homem. Irina também. Agora, são mulheres. Foram deportadas para a Sibéria, depois de terem mudado de sexo em Casablanca. Como podem, então, ser mãe e filha? Irina tem aulas de piano com a senhora Garbo, que a ama perdidamente. Mas Simpson não grama a ela. Um dia, a professora, que já foi mulher e agora tem um sexo de homem, entra-lhes pela casa dentro. Fica a saber que Irina está grávida (quem será o pai?) e inicia um bate-boca fatal com Simpson.

(...)
O Homossexual ou a Dificuldade em Exprimir-se é um autêntico novelo. As personagens vivem na solidão, enganam-se umas às outras e enganam quem as ouve. “Podemos conversar o tempo que quiser, não são as palavras que mudam o mundo”, diz Garbo. É tudo tão complicado que até o nome da peça só serve para confundir. Porquê “homossexual” se o que vemos em palco são três transexuais? Nem o encenador, Luís Castro, também fundador e director da Karnart, a companhia que leva a peça a cena, tem resposta.

O texto, de 1971, foi escrito por Copi (1939-87), um autor e cartunista argentino que fez carreira em Paris e cujo nome verdadeiro é Raúl Damonte Botana. Luís Castro, descobriu-o há uns três anos, quando lhe ofereceram o livro, na versão original francesa. Apaixonou-se e fez a tradução. Mas não consegue explicar o título. Dzi que se trata de um texto "muito irónico e sagaz". E e tudo. Perante outras dúvidas, justifica: “Isto raia o chamado teatro do absurdo, não há coerência em termos lógicos e através dele o público pode navegar à-vontade.”Bruno Horta


O Homossexual ou a Dificuldade em Exprimir-se, Espaço Karnart, R. Escola de Medicina Veterinária, 21, Lisboa. De 15 de Outubro a 23 de Novembro, 22h. Bilhetes 12,50€.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Inscrições tumulares

"Nobody, but nobody, could have been so consistently ignorant, stubborn, and just plain stupid over a seven-year period, unless there was something else going on behind the scenes. Or could they have been?"
Graydon Carter ("Vanity Fair", Outubro)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OCTUBRE, MES SIN DIOSES

Los japoneses piensan que éste es el mes-sin-dioses.
Lo celebran así. No aliteran octubre
con oro desprendido de los árboles fragiles,
ni con revoluciones que cambiaron la historia.
Octubre como tregua. Como ausencia de todo
lo que excède los límites. Asi para nosotros
sea: liberación. Porque ya no se exhiben
los implacables dioses desnudos del verano,
los demasiados dioses, y falta todavia
mucho para que nazca el niño del invierno,
y más allá no alcanza la vista, desde este
mes de distancias, mes de lejanías,
imperfecto, logrado, fortuito. Que así
sea para nosotros. Sin los ocho millones
de dioses que se esconden en la ciudad o el bosque,
las escalas coinciden con nuestras estaturas.
Dejémonos llevar por los presentimientos.
Escribamos las cosas con las letras minúsculas.
Celebremos octubre por su ausencia de dioses.
Disfrutemos su nombre porque sólo es un número
de una seie truncada. Y olvidada. Es octubre.
Tenemos treinta dias solo para nosotros.

Juan Antonio González-Iglesias
"Eros es Más", 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Dream on

"O grupo parlamentar [do PSD] vai começar a preparar o projecto de uma nova constituição, não de uma revisão".
Luís Filipe Menezes, hoje.

sábado, 13 de outubro de 2007

Sem pudor nenhum

Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), ao "Expresso" de hoje:

Qual é o orçamento da ERC?
É de €4.673.807. Há uma dotação orçamental aprovada pela Assembleia da República, outra parte que é transferida do exercício da ANACOM, uma parcela variável de receitas próprias e uma parte, que representa 20 a 25%, que vem da taxa de regulação.

É verdade que há uma agência de comunicações a trabalhar para a ERC?
É verdade. O objecto da relação com esta agência de comunicação (Unimagem) é a Conferência Internacional sobre Regulação que a ERC vai organizar dias 24 e 25.

Mas é para se manter?
O conselho não decidiu ainda. Se depois a proposta for nesse sentido será discutida no conselho, mas nada está agendado.