quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Desembraço emocional

"Lots of journalism writing is bad because the pressure of being a good writer is not the first talent you need to be a good journalist. The first talent you need is the emotional readiness to introduce yourself to strangers and pick their brains."
Norman Mailer, aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Corpos de delito

Impressionam estas fotos da catalã Isabel Muñoz (n. 1951). Mostram criminosos de El Salvador, alguns presos, outros nas ruas. As tatuagens, como todas, são códigos. Muitas delas evocam o diabo e a morte e por aí se percebe que mundo é o destas pessoas. Os salvadorenhos chamam-lhes "mareros" (criminosos), por fazerem parte de "maras" (gangues).
Com a ajuda de um padre salesiano, a fotógrafa conseguiu chegar a eles. As fotos foram expostas há uns meses em Madrid e estão agora no livro "Maras: La Cultura de la Violencia", publicado este mês em Espanha.

sábado, 10 de novembro de 2007

Primeiro, primeiro não será

Merece as maiores reservas a notícia do "Expresso" de hoje segundo a qual o "primeiro mini-aerogerador português", o Turban, foi criado este ano no Instituo Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), por uma equipa liderada por Ana Estanqueiro.

Sem querer ser desmancha-prazeres, devo recordar isto: nos idos de 70, Eurico da Fonseca, então director do Centro de Estudos Especias da Armada portuguesa, foi responsável pelo desenho e construção dos mini-aerogeradores da empresa Autosil. Destinavam-se a abastecer habitações isoladas e explorações agrícolas, na Serra da Estrela (em unidades de ordenha e elaboração de queijos), em Melides e em Cabo Verde. O primeiro desses aerogeradores entrou em funcionamento em Março de 1981.

Este Turban, de que fala o "Expresso", pode até ser diferente dos que desenhou Eurico da Fonseca. Mas dizer que é o primeiro em Portugal é arriscado.

Ele estava nu quando quando ela o conheceu

Esta história passou-se há 53 anos e é sobre o escritor que morreu hoje: Tonight I'd meet the middleweight puncher. I was invited to Norman Mailer's party. (...) I stepped off the stairway into Norman and Adele's loft (...)

(....) Now everybody formed a street mob around Adele, looking offended and eager. It was almost as hard to watch a naked stranger as to be naked. Neither effect lasts. Shirt coming off, Norman sort of hipswayed like a rumba. Adele swept up to me again and shook me by the shoulders, her bosom bobbing in rhythm. "Take yours off," she bellowed, "and we'll see who's the best woman." I pushed her away. The men were clapping, shouting, "Take it off." Smiling at her audience, Adele started clawing at the buttons on my blouse. Shouts, cheers, like a raucous street mob. I karate-chopped at her arms. "Get away from me!" "Scared to show, little Miss Nice Cunt?" Adele tripped away, wheeled about, then came at me with a rush, a charging bull. Sidestepping, I gave her a shove. "I don't like to win so easily," I tried to sound cool. "Let's go," I yanked the Lion's paw.
By then Norman was down to white boxer shorts. He jumped up and down on their double bed.
Suddenly everybody left except two awed Upper East Side couples, the Lion and me. Norman dropped his shorts, shook them off his feet and slung them away. Then he jumped higher to make his wad go up and down for the visitors. Adele climbed up onto the bed and jumped too. Something strange happens when people take off their clothes at parties. They mean to shock. But instead they appear helpless, vulnerable, oddly shaped beggars pleading for love.
(...)
I tried to remember what the world famous novelist, Norman Mailer, looked like naked. Norman was just square, no particular waist or pectoral definition, sturdy legs large at the knees, an ordinary penis, scared balls trying to hide from all this show.
My introduction to the literary world.

Excerto do capítulo Mailer The Mauler's Strip Show - Spring 1954, da autobiografia "Sleeping With Bad Boys", de Alice Denham (Book Republic Press, 2006).
Foto:
William Coupon/Corbis (Normal Mailer em 1987)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Os amigos dos gays vão receber prémios

Na "Time Out Lisboa", hoje. Excerto:

Francisco Pinto Balsemão já fez saber que não vai estar presente. Mas só porque não tem tempo, diz uma assessora. De resto, “tem muito gosto” em ser distinguido com o Prémio Arco-Íris, da associação de defesa dos homossexuais Ilga Portugal. Provavelmente, vão-lhe enviar para casa um livro ou um DVD de temática gay. O porta-voz da Ilga, Paulo Côrte-Real, não quer adiantar os prémios que vai oferecer, mas diz que aqueles são os mais comuns, além de um diploma e um troféu.

Esta iniciativa, diz a Ilga, serve para reconhecer e incentivar quem mais lutou, em cada ano, contra a homofobia e a discriminação sexual. A cerimónia acontece este sábado, dia 10, às seis da tarde, no Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa, no Martim Moniz.

Os outros vencedores são o filme A Outra Margem, de Luís Filipe Rocha; o músico Pedro Abrunhosa; a activista de direitos civis Elza Pais e o programa da TVI As Tardes da Júlia, de Júlia Pinheiro.

Artigo completo aqui.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Debaixo dos panos


O que a gente faz
É por debaixo dos panos
Pra ninguém saber
É por debaixo dos panos
Se eu ganho mais
É por debaixo dos panos
Ou se vou perder
É por debaixo dos panos
É debaixo dos panos
Que a gente esconde tudo
E não se fica mudo
De tudo quer fazer
É debaixo dos panos
Que a gente comete um engano
Sem ninguém saber

É debaixo dos panos
Que a gente entra pelo cano
Sem ninguém ver

excerto de "Por Debaixo dos Panos"; letra de Ceceu; álbum "Mato Grosso", Ney Matogrosso, 1982
fotos de Ana Baião e Alberto Frias, Expresso

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As dádivas da noite são eternas

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada tem que tapar as pernas
Para que o dia não traia
Dietriches que não foram nem Marlenes

excerto de "Lisboa que Amanhece", Sérgio Godinho, 1986