quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Desânimo e democracia

"A mulher sai do emprego, corre às compras no supermercado, coloca-se, desanimada e democrática, na bicha do autocarro. O autocarro está pontualmente atrasado. As pessoas consultam os relógios de pulso. Começam as conversas, desencadeiam-se as lamúrias, cruzam-se os queixumes. As mulheres entram carregadas. Observam-se, formais e cristãs; atentas ao penteado, aos sapatos, às roupas da outra. O autocarro, já muito cheiroso, fica invadido de bafos."
Baptista-Bastos, no "Diário de Notícias", hoje.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Lésbicas americanas adoradas em Lisboa

Na "Time Out Lisboa" de 14 de Novembro; excerto:

'Do ponto de vista da maternidade e dos preconceitos sociais a série ["A Letra L"] é “muito realista”, diz Clara Carvalho, activista da associação lésbica Clube Safo. No entanto, avisa, é preciso cuidado ao olhar aquelas mulheres. “Elas são todas bonitas e ricas e saem muito à noite. As lésbicas não são todas assim. Como se trata de uma série de televisão é normal que se apresentem estereótipos”, admite.'
Artigo completo aqui.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O horóscopo de Sócrates

Fiquei a pensar no que Vasco Pulido Valente diz sobre José Sócrates, na entrevista ao Expresso, publicada este sábado: que Sócrates não ficará na História , porque "é de uma pavorosa mediocridade". "É um homem que tem uma linha de pensamento convencional" e que "reproduz todos os lugares-comuns deste tempo".

A 6 de Novembro, nesse famosíssimo primeiro dia do debate sobre o Orçamento de Estado, Sócrates disse: "Não acredito em astros nem em astrologia. Não me dedico a essa ciência e não acredito em conjugação de astros que favoreçam o debate político." (está documentado no Diário da Assembleia da República, com data de 7 de Novembro, aqui).

Agora, ao ler o que pensa Pulido Valente sobre ele, encaixei muito melhor o disparate (não inédito na boca de primeiros-ministros portugueses, aliás).

domingo, 18 de novembro de 2007

U2 - Lemon ("Zooropa", 1993)

Há 14 anos:

sábado, 17 de novembro de 2007

Uma televisão, uma varinha mágica e camisas

A reportagem de Paulo Moura, no "Público" do dia 15, não podia ser mais aterradora. Uma mulher, Maria das Dores, é acusada de ter mandado matar o marido, o empresário Paulo Cruz. Um brasileiro e um cabo-verdiano (não será despicienda, aqui, a identificação da nacionalidade) começaram esta semana a responder no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, juntamente com ela, por alegado homicídio:

"Quem cometeu o crime foi Horta. Ele, Silva, limitou-se a colocar um saco de plástico na cabeça da vítima, já morta, 'para que não fosse reconhecida'. Não obstante, recebeu 3 mil euros de Maria das Dores, com quem se encontraram logo a seguir, que dividiu com Horta. Com a sua parte, comprou, nesse mesmo dia, uma televisão, uma varinha mágica e camisas."

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Desembraço emocional

"Lots of journalism writing is bad because the pressure of being a good writer is not the first talent you need to be a good journalist. The first talent you need is the emotional readiness to introduce yourself to strangers and pick their brains."
Norman Mailer, aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Corpos de delito

Impressionam estas fotos da catalã Isabel Muñoz (n. 1951). Mostram criminosos de El Salvador, alguns presos, outros nas ruas. As tatuagens, como todas, são códigos. Muitas delas evocam o diabo e a morte e por aí se percebe que mundo é o destas pessoas. Os salvadorenhos chamam-lhes "mareros" (criminosos), por fazerem parte de "maras" (gangues).
Com a ajuda de um padre salesiano, a fotógrafa conseguiu chegar a eles. As fotos foram expostas há uns meses em Madrid e estão agora no livro "Maras: La Cultura de la Violencia", publicado este mês em Espanha.