sábado, 12 de janeiro de 2008

"A arte gay não existe"

Entrevista com o artista plástico João Pedro Vale, na revista "Time Out Lisboa", de 9 de Janeiro; excerto:
A crítica diz que é um dos poucos artistas portugueses a fazer referências directas ao imaginário gay. Quem são os outros?
Não sei, isso terá de ser cada um a dizer.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A airosa Lisboa de Graça Moura

O Partido Socialista Europeu deu dinheiro a um fotógrafo para ele fotografar Budapeste, Lisboa e Bruxelas. O tema: "condições de habitação na Europa". O fotógrafo, Loïc Delvaulx, fez as fotos. Foram expostas em Bruxelas, em Dezembro último.
Agora, o eurodeputado do PSD Vasco Graça Moura vem dizer que é "vergonhoso" que Lisboa tenha sido retratada como uma cidade de bairros degradados. Que o é. Basta pensar em Campo de Ourique, um dos mais populosos da capital.
Graça Moura gostava que a realidade se demitisse, mas, infelizmente, é impossível.
Ou então não quer saber da realidade, nem das fotos, nem de coisa nenhuma, e achou foi que tinha aqui oportunidade para fazer um brilharete político. Tenha tino.
Notícia aqui.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Fumar é uma liberdade

Fui encontrar no meio de revistas velhas, uma "Grande Reportagem" de há três anos. Praticamente três anos. Foi publicada a 15 de Janeiro de 2005. Entretanto, a revista, que era publicada ao sábado com o "Diário de Notícias" e "Jornal de Notícias" morreu e deu lugar à "Notícias Sábado".
Naquela altura, ainda a tragédia José Sócrates não existia, embora a tragédia Santana Lopes, que estava a terminar, não fizesse adivinhar outra coisa.
O interessante neste número da "Grande Reportagem" (então dirigida por Joaquim Vieira, que esta semana se tornou Provedor do Leitor do "Público") talvez não seja o tema de capa. Além de uma reportagem de Felícia Cabrita sobre o embaixador Jorge Ritto, propósito do caso Casa Pia ("O Pequeno Embaixador", com o relato de um jovem de 24 anos que terá vivido com Ritto na embaixada de Portugal em Paris), o que chama a atenção é a crónica de Pedro Mexia sobre a proibição de fumar em bares e locais nocturnos. Agora que a proibição já não é hipótese, mas facto consumado (por enquanto), vale a pena recordar o que escreveu Mexia:

"Não fumar em bares e locais nocturnos? Que espécie de idiotice é essa? A polícia dos costumes mascarada, mais nada. Acho que as pessoa são livres de fumar ou não, se se estiverem a matar apenas a si mesmas com a nicotina e o vício. Não tenho nada contra o vício. Robespierre é que não tinha vícios. Eu não fumo, nem pretendo fumar, mas defendo convictamente os fumadores. Na sociedade puritana em que vivemos, nesse puritanismo pútrido que se disfarça de progressismo, fumar é, como na adolescência, uma afirmação. (...) Fumar ganha foros de afirmação individual. De reivindicação de uma liberdade. Bogart aprovaria. Eu também."

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco (1925-2008)

Morreu ontem, dia 5. No dia anterior, tinha Cruzeiro Seixas feito notar, a propósito da morte de Fernando José Francisco, que a sua geração tem estado a desaparecer rapidamente.
Luiz Pacheco há-de ficar conhecido como espaventoso, qual Cesariny, que editou e com quem se zangou, diz-se que irremediavelmente. Mas de um e de outro contará sempre mais, para quem goste, o que deixaram escrito:

Vou tentar definir mui singela e rapidamente o que penso disto de MALDITOS e MALDIÇÕES. Uma ideia inteiramente oposta; embora não a perfilhem sempre vo-la digo como prometi.

Para mim um ESCRITOR MALDITO é:

a) o que escreve mal. Logo e com mais propriedade lhe devíamos chamar escritor malescrito. Mas escrever mal tem vários sentidos. Pode ser, por exemplo, escrever bem de mais, isto é, com punhos de renda, prosa muito burilada, versos esotéricos, academismos duma figa. O principal é que ele escreva como quer e seja parecido com o que escreve. Escrita exacta, única, original, a expressão duma personalidade, o panorama duma vida.

(…)
b) o escritor dos domingos. Somos quantos os escritores ou escribas (meu caso) profissionais em Portugal? Dois, três? Ferreira de Castro, Mário Domingues e... eu? vivendo exclusivamente da pena?... O conselho mais prudente e a segunda (que ideia! a primeira) profissão, a que rende. Depois, ao serão, nos fins-de-semana, com o tempo roubado ao repouso e ao sono, ir escrevinhando. O equívoco era cómico a não ser dramático.

(…)
c) Os vendilhões. E estes são de duas ou mais espécies: os jornalistas e os publicitários. A classe de jornalista é das mais nobres, todos o sabem. Em Portugal se exerce também como se sabe. O que me mete horror e já por lá passei — Jesu! Jesu! Jesu!... — é que o jornalista, na sua rotina, é obrigado a escrever patacoadas anódinas, a empregar chavões, a exercitar as faculdades no que em nada lhe interessa. Não que venda a consciência, mas sim (pelo menos) tempo e ganhando em virtuosidade artesanal (a muito apregoada facilidade de escrever dos jornalistas) o que perde em candura lidando com uma matéria difícil — as palavras, senhoras donas nossas — de que o uso imoderado corrompe a força e a frescura, a novidade. O publicitário, com a direita agitando o slogan idiota e com a canhota fazendo odes a Catarina Eufémia, deixem-me rir! E nem digo mais nada.

Eis, em breve exemplo, o que é para mim um escritor maldito. E a eles e aos que por simpatia ou querendo sangrar-me em vida, me chamam maldito nas barbas ou pelas costas, daqui grito sem ira nenhuma ou rancor, como saudação amigável:

Raios os partam!


Luiz Pacheco

Excerto da crónica 'O Que é um Escritor Maldito?', do livro "Raio de Luar", Oficina do Livro, 2003.
A imagem reproduz uma foto de Luiz Pacheco, assinada por João Francisco Vilhena, contra-capa de "Raio de Luar".

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Direitos dos Freelancers

Mal traduzida, é esta a Carta dos Direitos Fundamentais dos Jornalistas Freelancers, da Federação Internacional de Jornalistas:

1. O freelancer tem o direito a estar inscrito num sindicato se o pretender
e, em trabalho colectivo, procurar melhorar a situação dos freelancers e de outros profissionais do meio. Os freelancers e os seus sindicatos têm o direito de oferecer serviços para estimular a solidariedade entre os próprios freelancers e entre estes e as respectivas equipas de trabalho, assim como sugestões de negociações a título individual ou colectivo.

2. O freelancer deve ter os mesmo direitos profissionais de um jornalista ou um outro profissional equiparado. O mesmo direito à informação, à protecção das fontes, bem como a reger-se pelos seus valores morais e éticos.

3. O freelancer tem o direito de ter um contrato escrito de trabalho, assim como de ser tratado com o devido profissionalismo quando de qualquer negociação.

4. O freelancer tem o direito a estabelecer os seus próprios direitos de autor, se assim o pretender. Os direitos morais dos freelancers, tais como os de qualquer outro profissional, são invioláveis. Os freelancers têm ter direito a poder melhorar as condições de trabalho ao nível colectivo, assim como a reforçar a protecção dos seus direitos de autor, se assim o entenderem.

5. O freelancer tem o direito de escolher a forma mais viável de
exercer o seu trabalho. Um freelancer que está economicamente dependente de uma empresa, deve ser tratado como um profissional da empresa, sendo para isso necessário receber um estatuto dos seus respectivos direitos e deveres (estabelecidos em contrato).

6. O freelancer tem o direito de protecção por parte da segurança social nos mesmos termos e condições que um outro profissional equiparado, leia-se:
a) seguro de doença/ direito a baixa
b) pensão de reforma
c) fundo de desemprego
d) licença de parto
Devidamente acordado e organizado segundo os padrões nacionais.

7. O freelancer tem o direito de igual tratamento e remuneração de acordo com o trabalho efectuado, que não ponha em causa, de nenhum modo, as outras posições da equipa de trabalho. O freelancer não pode ser visto como mão de obra barata. Isto inclui o direito – quando assente em perigosas missões – a ter a mesma formação e seguros que outros profissionais equiparados.

Secção "freelance" da IFJ

Na morte de Fernando José Francisco

"É uma dor imensa que sinto, perante uma geração que está a desaparecer"
Cruzeiro SeixasMário Cesariny, Fernando José Francisco e Cruzeiro Seixas (da esq. para a dir.), na Perve Galeria, em Lisboa, em Novembro de 2006.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Será 2008 o ano dos travestis lisboetas?

Na revista "Time Out Lisboa", hoje:

Com o 25 de Abril, passaram a povoar a noite de Lisboa. Guida Scarllaty (Carlos Ferreira) e Lídia Barloff (o falecido actor José Manuel Rosado) foram durante anos as referências máximas, antes de Ruth Bryden (Joaquim Centúrio de Almeida) irromper como rainha da noite. Nos anos 80, tornaram-se uma espécie em vias de extinção, mas agora estão a regressar em força. Várias fontes asseguram que 2008 pode mesmo ser o ano dos travestis na capital.

(...)
Se há dez anos, diz um velho conhecedor da noite gay, que preferiu falar em off, “havia menos shows e mais qualidade”, hoje “há cada vez mais shows, mas os travestis imitam-se uns aos outros”. A mesma fonte sublinha que “nunca como hoje, houve tanta oferta nesta área.”

Na Grande Lisboa, há oito espaços com shows frequentes – fora os restaurantes, sobretudo na Margem Sul, onde, de vez em quando, se organizam festas do género. Além dos profissionais, actuam novatos. É o que acontece no Night Bar e nas discotecas Finalmente e Poison, uma vez por semana.

A mesma fonte que não quis ser identificada explica que a maior parte das casas opta por ter estes shows porque “chamam curiosos e fidelizam clientes".

Artigo completo aqui.
na foto, Cassandra, no Night Bar, em Lisboa, em Dezembro de 2007
foto:Ana Luzia