sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tanta conversa para quê?

O presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas disse ontem que quando um jornalista obtém informações de fontes anónimas deve assumir essa informação como dele (ou do órgão para o qual trabalha), em vez de escrever (ou dizer) coisas como "fonte próxima do processo" ou "fonte autorizada".

A opinião de Orlando César surge depois de o Provedor do Leitor do "Púbico", Joaquim Vieira, ter aberto a discussão num artigo recente, ao qual reagiram, negativamente, dois antigos jornalistas e fundadores do jornal, Vicente Jorge Silva e José Mário Costa.

O Provedor acha que "fonte próxima do processo" é mais correcto do que "o Público sabe que", embora o Livro de Estilo (compilação de regras internas) do jornal estabeleça que “um jornal bem informado não precisa de justificar permanentemente as suas notícias – assume-as e responsabiliza-se por elas”. Ou seja, o Livro de Estilo legitima a fórmula "o Público sabe que", em vez da "fonte próxima do processo".

O Código Deontológico dos jornalistas diz que "o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes". Condena o abuso de fontes anónimas. Mas, obviamente, não condena o seu uso.

A discussão Provedor/fundadores/Orlando César é sobre a forma como as fontes anónimas são apresentadas ao público. É uma discussão formal. Não é sobre o uso de fontes anónimas.

No domínio formal, as propostas do jornalista Michel Voirol, em "Guide de La Rédaction" (ed. Centre de Formation et de Perfectionnement des Journalistes, 7ª ed., Paris, 2001), são tão simples e completas que tornam esta discussão inútil:

De source officielle...
Officiellement...
De source autorisée...
La nouvelle a été communiquée officiellement par le porte-parole d'un organisme public ou privé.

Officieusement...
L'information provient d'un responsable officiel, mais l'organisme qu'il représente ne veut pas (ou pas encore) la publier officiellement... tout en voulant la faire connaître.

De source proche de...
Dans l'entourage de...
Dans les milieux touchant de près...
L'information émane d'un (ou plusieurs responsables officiels) qui ne veulent pas être identifiés formellement, mais qui souhaitent que la nouvelle circule, quitte à la démentir si elle ne produit pas l'effet escompté.

De source très bien informée...
De source sûre...
L'information provient de personnes très proches de la source... sinon de la source même. Formules souvent utilisées pour rapporter des informations obtenues «off the record»

De source bien informée...
De source informée...
De source généralement bien
informée...
L'information a été recueillie auprès d'informateurs bien placés. L'agencier indique le degré de confiance qu'il leur accorde.

Dans les milieux diplomatiques, politiques, économiques, etc.
Il s'agit de l'opinion générale ou dominante des milieux cités. Pour restreindre, l'agencier peut écrire : « Dans certains milieux... », en ajoutant une précision supplémentaire qui permet, en partie, de les identifier.

Les observateurs
La plupart des observateurs...
De nombreux observateurs...
Certains observateurs...
Ces fameux «observateurs», qui apparaissent dans les nouvelles de l'étranger, sont neuf fois sur dix des diplomates ou... des confrères.

Selon les témoignages concordants...
Selon certains témoins...
Selon un témoin...
Le journaliste a recueilli un certain nombre d'informations plus ou moins fiables auprès de témoins directs.

Des habitants disent avoir vu. entendu... affirment que...
Selon des voyageurs en provenance de...
À N..., le bruit court que...
Selon des rumeurs qui circulent...
Il s'agit-là d'informations de seconde main souvent contredites par d'autres sources, et à accueillir avec prudence.

Cronologia:
- primeira crónica de Joaquim Vieira
- reacção de Vicente Jorge Silva e José Mário Costa e segunda crónica de Vieira
- segunda reacção de VJS e JMC e terceiro comentário de Vieira
- reacção do Conselho Deontológico

Ela cantou-a?

Como é que alguém pergunta ao Charles Aznavour se conheceu a Amália. E como é que alguém lhe pergunta a seguir se a Amália chegou a cantar o tema "Ai Mourir Pour Toi" que ele escreveu para ela? É quase como entrevistar o Carlos Tê e perguntar se conheceu o Rui Veloso e se este gravou alguma canção escrita por ele.
No "Expresso", hoje:

Conheceu Amália?
Fui das pessoas que melhor a conheceu. Jantámos três meses antes de morrer. Fomos a um restaurante muito «in» em Portugal, e não tinha autorização para levar o meu cão, mas, excepcionalmente, deixaram-no entra Éramos amigos de longa data. Conheci-a na Bélgica, na véspera de ela dar um concerto em Monte Carlo. Passámos a noite inteira a cantar e a conversar, e de madrugada disse-lhe: «Tem um avião para apanhar, não?» Prometemos rever-nos, fizemos um espectáculo a dois em Lyon, ainda ela não era a vedeta que viria a ser. E quando ela me disse que nunca tinha cantado em francês, escrevi-lhe uma canção: «Ai mourir pour toi» (em 1957).

Ela cantou-a?
Cantou-a e gravou-a. Eu traduzi-a assim, porque a sonoridade de «Mourir pour toi» me lembrava «Mouraria». Foi a primeira canção em francês que ela cantou.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Tina Turner - "The Best" (Divas Live 1999)


Tina Turner,
diz a "People", volta a cantar ao vivo: vai estar este domingo ao lado de Beyoncé Knowles na cerimónia dos Grammys.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Caridade

O acordo entre a Associação Portuguesa de Anunciantes e o Ministério da Educação, para o ensino de publicidade no 1º e 2º ciclos da escola (a partir do fim deste mês), é mais uma daquelas típicas manhas da era Sócrates. Veste-se de uma certa forma, mas por baixo é outra coisa.
Chamam-lhe programa Media Smart. Dizem (diz o Ministério,
aqui) que é um programa honesto, não obrigatório e extra-curricular. Dizem que serve apenas para "desenvolver competências nas crianças para a correcta interpretação das mensagens" publicitárias.
Mas como explicar isto: é patrocinado pelas marcas Adágio, BES, Danone, EDP, Kellog’s, Lactogal, Modelo & Continente, Nestlé, Procter & Gamble e Unilever/Jerónimo Martins.

Ninguém duvida da utilidade e urgência de explicar a publicidade (a linguagem mediática, em geral) às crianças. Mas não se pode arranjar professores e não marcas para o fazer?
Se o Media Smart não tem como objectivo último fazer propaganda daquelas marcas nas escolas, porque é que elas patrocinam o programa? Por caridade?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Alcione - "Estranha Loucura"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O défice

É tudo uma questão de carácter e de hombridade. A revelação feita hoje pelo "Público" de que Sócrates assinou projectos de arquitectura, nos anos 80, na Guarda, de que não era autor resume-se a isso. E isso, à luz desta notícia e de outras sobre as falhas na sua licenciatura, é o que manifestamente falta ao primeiro-ministro. Um défice muito superior a três por cento. O défice do típico chico esperto português.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

No tempo em que os cigarros eram bons

Este anúncio foi publicado há quase 39 anos na revista "Science & Vie". Na mesma edição, número 625, de Outubro de 1969, há mais dois anúncios do género (encontrei este nº há uns anos, num alfarrabista).
Vale a imagem pelo que diz de como o mundo muda. Até a "Science & Vie", que à época era a mais importante publicação sobre ciência e tecnologia, é hoje uma sombra.