sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Cardoso Pires não morreu

"Lavagante - Encontro Desabitado" é o título de um texto inédito de José Cardoso Pires (1925-98) publicado esta semana por uma nova editora portuguesa, a Edições Nelson de Matos.
Chamo-lhe texto inédito, porque é assim que ele ele vem classificado na capa do livro. Será romance? Será conto? Talvez seja conto. A classificação é pouco importante, de qualquer forma.
Ler uma coisa nova de um escritor desaparecido é sempre surpreendente. E sabe bem. Isso é que importa.
"Lavagante - Encontro Desabitado" é um texto, lê-se na badana, parcialmente publicado pela primeira vez em 1963 e que terá sido reescrito entre esse ano e 1968. Magnífico. Actual.
Excerto:

"Mas ele não era um lavagante, se é que podem existir homens-lavagantes, homens-vampiros, homens-louva-a-Deus. Se é que na forma de um bicho da Criação pode estar a imagem primitiva do homem no amor, a daquele que trabalha a presa à semelhança do seu mito, a do outro que a devora e a dum terceiro que é devorado por ela para cumprir um destino natural" (p. 25).
(Numa edição cuidada e bonita só esta gralha é que está a mais: na bibliografia de Cardoso Pires, na badana da direita, diz-se que é autor de "Alexandre Alpha").

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Postais

Apareceram hoje na caixa do correio e anunciam duas exposições na Culturgest, em Lisboa. Respectivamente, "The Fall of Frances Stark", de Frances Stark, e "Earworm", de Ricardo Jacinto. Abrem as duas esta sexta-feira, às dez da noite. Aqui e aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Seca

Sócrates falou, falou, falou... Com domínio absoluto sobre o destino da entrevista e um ar enfadado de quem pensa: "Sou mesmo bom e a mediocridade destes entrevistadores faz-me rugas".
Uma pergunta sobre Alegre? Nada. Perguntas sobre a Sonangol? Várias. Introdução à pergunta sobre os projectos de arquitectura que Sócrates assinou nos anos 80 e não eram dele: "Sei que não vai gostar da pergunta, mas tenho mesmo de a fazer".
A entrevista, ontem à noite, na SIC, foi boa para ele e uma tragédia para o jornalismo.

Entrevista, na íntegra, aqui.

Vai conseguir porque é filho dos grandes descobridores

No Museu Berardo, em Lisboa, a partir de hoje e até 18 de Maio, vai estar a exposição de fotografia "Por Uma Vida Melhor", do fotógrafo francês Gérald Bloncourt.
São fotos inéditas que Bloncourt fez nos anos 05 e 60, em França, a emigrantes portugueses. A entrada é gratuita.Gérald Bloncourt olhava para os assustados emigrantes portugueses que fotografava nos bairros de lata [em França], nos anos 50, e pensava: "Que vai fazer? Qual é o seu destino? Ele vai conseguir porque é filho dos grandes descobridores!".
(...)
"O que se passava ali era um escândalo. Pessoas a viver na miséria e eu era testemunha disto. Ainda hoje os problemas continuam porque os emigrantes sofrem muito, e são tratados sem dignidade. Os explorad[os] são os mesmos, sempre os mesmos".

Notícia da Lusa

- Nota no "Guia do Lazer", do Público online, aqui:
- Opúsculo da exposição (em PDF), aqui.

[A televisão tem mostrado a longo do dia de hoje vários imigrantes que tinham lojas em Sacavém e que, por causa do temporal e das cheias, ficaram sem nada. Os desgraçados.]

Isto é o país real

E isto é, também, o país simplex:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A língua das putas da raia

O portunhol "es la lengua de las putas que de noite vendem seus sexos en la linha de la fronteira. Brota como flor de la bosta de las vakas. Es una lengua bizarra, transfronteriza, rupestre, feia, bella, diferente. Pero tiene una graça salvaje que impacta".
Notícia aqui.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Aos 69 anos, num espectáculo com 50




"The show seemed almost eager to kiss off the young listeners who download a lot of music nowadays but still make up the industry’s most dedicated and enthusiastic audience. (...) Beyoncé and Tina Turner sharing “Proud Mary,” with the enthusiastic Beyoncé doing some of Ms. Turner’s old dance moves."
Artigo do New York Times aqui.