segunda-feira, 24 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
E o pior é que é verdade
"La clave no es trasladar libros a pantallas electrónicas. No es eso. No. El problema es que el hábito de la lectura se ha esfumado. Como si para leer necesitáramos una antena y la hubieran cortado. No llega la señal. La concentración, la soledad, la imaginación que requiere el hábito de la lectura. Hemos perdido la guerra. En veinte años, la lectura será un culto." - Philip Roth, no "El País" de hoje.
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sexta-feira, 21 de março de 2008
Bravas lésbicas
É preciso dar os parabéns ao Bernardo Mendonça pela reportagem sobre lésbicas que assina hoje no "Expresso" (excerto em vídeo aqui). Parabéns a ele e às visadas. Por isto:- a assunção pública de homossexualidade de Solange F., apresentadora do programa "Curto-Circuito", da SIC Radical; além da cantora Dina, numa reportagem da SIC, em 1996, nunca uma figura pública lésbica se assumiu publicamente em Portugal;
- ter o jornalista conseguido juntar numa só reportagem, e em "on", seis lésbicas, quando é certo que as lésbicas são muito mais avessas à exposição pública que os homens gays.
Agora, é preciso ver a profissão delas: consultora de Recursos Humanos, empresária de restauração, produtora de espectáculos, editora, gestora de [crédito] de risco e apresentadora de TV.
Ou seja, são todas profissionais liberais, por conta própria ou quadros qualificados. Isso não é nada despiciendo. Fossem assalariadas comuns e, quase de certeza, não se exporiam desta forma, por receio de represálias. E isto não é igual a dizer que elas não são corajosas. São.
Mas são lésbicas urbanas, instruídas, em ambiente social mais ou menos favorável. O país real gay não é feito delas. É feito de lésbicas como aquelas de que falou o "Correio da Manhã" há dias. Vivem em Viana do Alentejo e são acusadas de bruxaria por alguns vizinhos. (foto de Tiago Miranda)
P.S.: Já agora, tomo boa nota do facto de o Bernardo ter lido o primeiro parágrafo deste artigo com atenção.
- ter o jornalista conseguido juntar numa só reportagem, e em "on", seis lésbicas, quando é certo que as lésbicas são muito mais avessas à exposição pública que os homens gays.
Agora, é preciso ver a profissão delas: consultora de Recursos Humanos, empresária de restauração, produtora de espectáculos, editora, gestora de [crédito] de risco e apresentadora de TV.
Ou seja, são todas profissionais liberais, por conta própria ou quadros qualificados. Isso não é nada despiciendo. Fossem assalariadas comuns e, quase de certeza, não se exporiam desta forma, por receio de represálias. E isto não é igual a dizer que elas não são corajosas. São.
Mas são lésbicas urbanas, instruídas, em ambiente social mais ou menos favorável. O país real gay não é feito delas. É feito de lésbicas como aquelas de que falou o "Correio da Manhã" há dias. Vivem em Viana do Alentejo e são acusadas de bruxaria por alguns vizinhos. (foto de Tiago Miranda)
P.S.: Já agora, tomo boa nota do facto de o Bernardo ter lido o primeiro parágrafo deste artigo com atenção.
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Coisas
1 - Aí estão os primeiros sinais do fim da profecia: afinal há "um arrefecimento na produção de conteúdos informativos por internautas" e "uma tendência entre os weblogs e páginas informativas independentes de assimilar os mesmos vícios e rotinas do jornalismo profissional". Quem vaticinou o fim do jornalismo, tal como o conhecemos, é capaz de precisar de rever a posição.
2 - Ainda o novo Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura, que no domingo passado, em entrevista ao "Público", já tinha aflorado a questão, defende hoje, no "Diário de Notícias", em artigo de opinião, que a entrada em vigor do Acordo é inconstitucional, porque ainda não foi ratificado por todos os países que o assinaram.
2 - Ainda o novo Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura, que no domingo passado, em entrevista ao "Público", já tinha aflorado a questão, defende hoje, no "Diário de Notícias", em artigo de opinião, que a entrada em vigor do Acordo é inconstitucional, porque ainda não foi ratificado por todos os países que o assinaram.
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segunda-feira, 17 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
De um panegirista espera-se muito mais
O professor Malaca Casteleiro escreve hoje no "Diário de Notícias" em favor do novo Acordo Ortográfico. A argumentação é contraditória e frágil. Muito frágil. Diz ele:
O conceituado linguista admite que o Acordo de 1945, em que Portugal quis impôr ao Brasil a introdução de consoantes mudas ("óptimo", "actual", etc.) falhou porque "constituía uma violência, que o Brasil não aceitou". Mas agora já acha bem que uma violência do mesmo género, mas em sentido contrário, seja aplicada aos portugueses. Um pouco mais de coerência não seria nada mau.
O que Malaca Casteleiro não explica, porque não pode ou não sabe, é que é a coisa importante: os povos de língua portuguesa, que falam e escrevem a língua todos os dias, ganham alguma coisa com a homogeneização que agora se quer impor?
"Uma ortografia unificada [Portugal, Brasil, PALOP] torna-se absolutamente necessária às organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, aos estabelecimentos de ensino estrangeiros onde se cultiva o nosso idioma, à difusão e promoção do livro em português nos domínios inter-lusófonos e internacional".A ser assim, o novo Acordo Ortográfico serve tudo menos os falantes da língua. Serve interesses corporativos, ideológicos e comerciais, segundo Malaca Casteleiro. É pouco. É escandalosamente pouco.
O conceituado linguista admite que o Acordo de 1945, em que Portugal quis impôr ao Brasil a introdução de consoantes mudas ("óptimo", "actual", etc.) falhou porque "constituía uma violência, que o Brasil não aceitou". Mas agora já acha bem que uma violência do mesmo género, mas em sentido contrário, seja aplicada aos portugueses. Um pouco mais de coerência não seria nada mau.
O que Malaca Casteleiro não explica, porque não pode ou não sabe, é que é a coisa importante: os povos de língua portuguesa, que falam e escrevem a língua todos os dias, ganham alguma coisa com a homogeneização que agora se quer impor?
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quinta-feira, 13 de março de 2008
O monstro chegou
As lojas começam a vender esta sexta-feira os primeiros dicionários da nova língua portuguesa: dois dicionários da Texto Editora onde as regras são as do Acordo Ortográfico que o Governo português assinou em 1991 e que até hoje não foram adoptadas. É um triste dia.
"Óptimo" deverá passar a "ótimo"; "acção" a "ação"; "humidade" a "umidade"; e "antónimo" a "antônimo". Mais grave, ainda: "hei-de" ou "hás-de" passa a "heide" e a "hásde", respectivamente. Deve estar tudo doido.
Porque é que têm de ser os portugueses (e os cidadãos dos outros países da CPLP) a adoptar o português do Brasil e não os brasileiros o português dos outros? São interesses, ascendentes, poderios.
Uma língua são os falantes que a fazem. Não são os decretos. A confusão que o novo Acordo traz é inadmissível. Esperemos que a maioria das pessoas ignore esta monstruosidade e que ela não chegue sequer a ser ensinada nas escolas, como pretende o Governo actual.
Para mal dos nossos pecados, até esta desgraça tem a mão desse distintíssimo português que é Pedro Santana Lopes (aqui).
- petição contra o novo Acordo aqui
- notícia sobre novos dicionários aqui
"Óptimo" deverá passar a "ótimo"; "acção" a "ação"; "humidade" a "umidade"; e "antónimo" a "antônimo". Mais grave, ainda: "hei-de" ou "hás-de" passa a "heide" e a "hásde", respectivamente. Deve estar tudo doido.
Porque é que têm de ser os portugueses (e os cidadãos dos outros países da CPLP) a adoptar o português do Brasil e não os brasileiros o português dos outros? São interesses, ascendentes, poderios.
Uma língua são os falantes que a fazem. Não são os decretos. A confusão que o novo Acordo traz é inadmissível. Esperemos que a maioria das pessoas ignore esta monstruosidade e que ela não chegue sequer a ser ensinada nas escolas, como pretende o Governo actual.
Para mal dos nossos pecados, até esta desgraça tem a mão desse distintíssimo português que é Pedro Santana Lopes (aqui).
- petição contra o novo Acordo aqui
- notícia sobre novos dicionários aqui
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