terça-feira, 25 de março de 2008

Ainda a Acordo Ortográfico

Quem souber responder a esta pergunta convence-me fatalmente da utilidade do novo Acordo Ortográfico: para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país lusófono?

Os defensores do Acordo, entre os quais se inclui o novo ministro da Cultura, têm dito que uma língua portuguesa uniforme serve melhor os interesses de Portugal no mundo. Mas isso só seria verdade se estivessemos perante uma unificação total da gramática e não apenas de uma parte dela.
O Acordo que nos querem impôr à força não é um Acordo Gramatical ou Sintáctico, mas um Acordo Ortográfico. A ortografia só trata da forma como se escrevem as palavras.
Onde está, então, a vantagem?

O Acordo, em PDF, está aqui.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Brasil em São Tomé

É para isto que serve o novo Acordo Ortográfico.

domingo, 23 de março de 2008

E o pior é que é verdade

"La clave no es trasladar libros a pantallas electrónicas. No es eso. No. El problema es que el hábito de la lectura se ha esfumado. Como si para leer necesitáramos una antena y la hubieran cortado. No llega la señal. La concentración, la soledad, la imaginación que requiere el hábito de la lectura. Hemos perdido la guerra. En veinte años, la lectura será un culto." - Philip Roth, no "El País" de hoje.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bravas lésbicas

É preciso dar os parabéns ao Bernardo Mendonça pela reportagem sobre lésbicas que assina hoje no "Expresso" (excerto em vídeo aqui). Parabéns a ele e às visadas. Por isto:

- a assunção pública de homossexualidade de Solange F., apresentadora do programa "Curto-Circuito", da SIC Radical; além da cantora Dina, numa reportagem da SIC, em 1996, nunca uma figura pública lésbica se assumiu publicamente em Portugal;

- ter o jornalista conseguido juntar numa só reportagem, e em "on", seis lésbicas, quando é certo que as lésbicas são muito mais avessas à exposição pública que os homens gays.

Agora, é preciso ver a profissão delas: consultora de Recursos Humanos, empresária de restauração, produtora de espectáculos, editora, gestora de [crédito] de risco e apresentadora de TV.
Ou seja, são todas profissionais liberais, por conta própria ou quadros qualificados. Isso não é nada despiciendo. Fossem assalariadas comuns e, quase de certeza, não se exporiam desta forma, por receio de represálias. E isto não é igual a dizer que elas não são corajosas. São.
Mas são lésbicas urbanas, instruídas, em ambiente social mais ou menos favorável. O país real gay não é feito delas. É feito de lésbicas como aquelas de que falou o "Correio da Manhã" há dias. Vivem em Viana do Alentejo e são acusadas de bruxaria por alguns vizinhos.
(foto de Tiago Miranda)

P.S.: Já agora, tomo boa nota do facto de o Bernardo ter lido o primeiro parágrafo deste artigo com atenção.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Coisas

1 - Aí estão os primeiros sinais do fim da profecia: afinal há "um arrefecimento na produção de conteúdos informativos por internautas" e "uma tendência entre os weblogs e páginas informativas independentes de assimilar os mesmos vícios e rotinas do jornalismo profissional". Quem vaticinou o fim do jornalismo, tal como o conhecemos, é capaz de precisar de rever a posição.

2 - Ainda o novo Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura, que no domingo passado, em entrevista ao "Público", já tinha aflorado a questão, defende hoje, no "Diário de Notícias", em artigo de opinião, que a entrada em vigor do Acordo é inconstitucional, porque ainda não foi ratificado por todos os países que o assinaram.

segunda-feira, 17 de março de 2008

sábado, 15 de março de 2008

De um panegirista espera-se muito mais

O professor Malaca Casteleiro escreve hoje no "Diário de Notícias" em favor do novo Acordo Ortográfico. A argumentação é contraditória e frágil. Muito frágil. Diz ele:
"Uma ortografia unificada [Portugal, Brasil, PALOP] torna-se absolutamente necessária às organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, aos estabelecimentos de ensino estrangeiros onde se cultiva o nosso idioma, à difusão e promoção do livro em português nos domínios inter-lusófonos e internacional".
A ser assim, o novo Acordo Ortográfico serve tudo menos os falantes da língua. Serve interesses corporativos, ideológicos e comerciais, segundo Malaca Casteleiro. É pouco. É escandalosamente pouco.
O conceituado linguista admite que o Acordo de 1945, em que Portugal quis impôr ao Brasil a introdução de consoantes mudas ("óptimo", "actual", etc.) falhou porque "constituía uma violência, que o Brasil não aceitou". Mas agora já acha bem que uma violência do mesmo género, mas em sentido contrário, seja aplicada aos portugueses. Um pouco mais de coerência não seria nada mau.
O que Malaca Casteleiro não explica, porque não pode ou não sabe, é que é a coisa importante: os povos de língua portuguesa, que falam e escrevem a língua todos os dias, ganham alguma coisa com a homogeneização que agora se quer impor?