domingo, 30 de março de 2008

Revistas de domingo

A "Pública" (do "Público") faz capa com Jack Nicholson, a propósito do recente filme "Nunca é Tarde Demais", mas o artigo mais interessante está escondido lá dentro: é uma reportagem de Sofia Branco com perfis, na primeira pessoa, de várias mulheres feministas, de Norte a Sul de Portugal.
Uma delas é Fina d'Armada (pseudónimo de Josefina Fernandes). Lembro-me do nome em livros e artigos sobre OVNIs. Não a sabia feminista e nunca tinha visto uma foto dela. Surpresas.

O número de Abril da revista da sobrevalorizadíssima discoteca Lux tem um artigo interessante sobre o estilista Filipe Faísca e uma nota que recorda Laura Branigan (descrita como "cocainómana, paranóica e sociopata") e o seu êxito "Gloria".
Se calhar, é pós-moderno não meter ficha técnica nas revistas. Esta não tem. É pena.

sábado, 29 de março de 2008

Selvagens

O Ministério Público, que anda desvairado de preocupação com a birra da menina do telemóvel, não vai investigar isto?

O "Expresso" diz hoje que uma agência de viagens pagou a uma pessoa para ser abandalhada por estudantes portugueses de férias em Lloret de Mar, na Catalunha. Essa pessoa é o "Emplastro" e obviamente aparenta possuir anomalia psíquica (como na formulação usada para proibir a venda de bebidas alcoólicas).

Mesmo assim os selvagens da agência de viagens estão a usá-lo como "oportunidade de negócio". Se isto não é um atentado à dignidade humana, que é então?

Excerto da reportagem:

"E para que dúvidas não restassem, o quadro é completado com Fernando Jorge da Silva Santos, o «emplastro» do Futebol Clube do Porto. Tem 37 anos e a sua fama resulta do dom único de ser atraído como um íman para todas as câmaras fotográficas e de imagem que lhe surjam num raio de cinco quilómetros. «Um golpe de génio», confessa Miguel Nicolau, um dos responsáveis da SporJovem, a empresa líder de mercado no negócio das viagens de finalistas.

Azar, porque a ideia partiu de Nuno Macedo, da concorrente Mundo Jovem, outra das agências que disputa taco-a-taco o mercado de Lloret de Mar e a quem todos os outros tiram o chapéu depois de verem o sucesso do «emplastro». Com uma camisola da agência vestida e olho em qualquer telemóvel ou máquina fotográfica que exista nas redondezas, Fernando avançava implacável e exigia ficar em todos os retratos. Não restam dúvidas de que nos álbuns de fotografia de quase todos os 15 mil estudantes que passaram este ano em Lloret haverá um anúncio subliminar e, claro, à borla...

«Este é um target muito apetecível, e muitos aproveitam esta oportunidade de negócio», diz Filipe Paulino, colega de Miguel Nicolau na SporJovem. Ambos entraram nesta carreira depois de uma viagem de finalistas passada em Lloret de Mar. No ano seguinte, foram convidados a voltar, a captar associações de estudantes, a acompanhá-los e a recolher dividendos." texto de Rosa Pedroso Lima, foto de Rui Ochôa

terça-feira, 25 de março de 2008

Ainda a Acordo Ortográfico

Quem souber responder a esta pergunta convence-me fatalmente da utilidade do novo Acordo Ortográfico: para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país lusófono?

Os defensores do Acordo, entre os quais se inclui o novo ministro da Cultura, têm dito que uma língua portuguesa uniforme serve melhor os interesses de Portugal no mundo. Mas isso só seria verdade se estivessemos perante uma unificação total da gramática e não apenas de uma parte dela.
O Acordo que nos querem impôr à força não é um Acordo Gramatical ou Sintáctico, mas um Acordo Ortográfico. A ortografia só trata da forma como se escrevem as palavras.
Onde está, então, a vantagem?

O Acordo, em PDF, está aqui.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Brasil em São Tomé

É para isto que serve o novo Acordo Ortográfico.

domingo, 23 de março de 2008

E o pior é que é verdade

"La clave no es trasladar libros a pantallas electrónicas. No es eso. No. El problema es que el hábito de la lectura se ha esfumado. Como si para leer necesitáramos una antena y la hubieran cortado. No llega la señal. La concentración, la soledad, la imaginación que requiere el hábito de la lectura. Hemos perdido la guerra. En veinte años, la lectura será un culto." - Philip Roth, no "El País" de hoje.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bravas lésbicas

É preciso dar os parabéns ao Bernardo Mendonça pela reportagem sobre lésbicas que assina hoje no "Expresso" (excerto em vídeo aqui). Parabéns a ele e às visadas. Por isto:

- a assunção pública de homossexualidade de Solange F., apresentadora do programa "Curto-Circuito", da SIC Radical; além da cantora Dina, numa reportagem da SIC, em 1996, nunca uma figura pública lésbica se assumiu publicamente em Portugal;

- ter o jornalista conseguido juntar numa só reportagem, e em "on", seis lésbicas, quando é certo que as lésbicas são muito mais avessas à exposição pública que os homens gays.

Agora, é preciso ver a profissão delas: consultora de Recursos Humanos, empresária de restauração, produtora de espectáculos, editora, gestora de [crédito] de risco e apresentadora de TV.
Ou seja, são todas profissionais liberais, por conta própria ou quadros qualificados. Isso não é nada despiciendo. Fossem assalariadas comuns e, quase de certeza, não se exporiam desta forma, por receio de represálias. E isto não é igual a dizer que elas não são corajosas. São.
Mas são lésbicas urbanas, instruídas, em ambiente social mais ou menos favorável. O país real gay não é feito delas. É feito de lésbicas como aquelas de que falou o "Correio da Manhã" há dias. Vivem em Viana do Alentejo e são acusadas de bruxaria por alguns vizinhos.
(foto de Tiago Miranda)

P.S.: Já agora, tomo boa nota do facto de o Bernardo ter lido o primeiro parágrafo deste artigo com atenção.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Coisas

1 - Aí estão os primeiros sinais do fim da profecia: afinal há "um arrefecimento na produção de conteúdos informativos por internautas" e "uma tendência entre os weblogs e páginas informativas independentes de assimilar os mesmos vícios e rotinas do jornalismo profissional". Quem vaticinou o fim do jornalismo, tal como o conhecemos, é capaz de precisar de rever a posição.

2 - Ainda o novo Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura, que no domingo passado, em entrevista ao "Público", já tinha aflorado a questão, defende hoje, no "Diário de Notícias", em artigo de opinião, que a entrada em vigor do Acordo é inconstitucional, porque ainda não foi ratificado por todos os países que o assinaram.