segunda-feira, 19 de maio de 2008

Novo álbum de Tricky

Já começou a promoção de "Knowle West Boy", o novo disco de Tricky, que desde há cinco anos não publicava originais. Para já, a capa e os primeiros segundos do clip do tema "Council Estate":

'Site' oficial aqui.

domingo, 18 de maio de 2008

Fantasias gay

No "Público" (caderno "P2") de 17 de Maio; excertos:

Chama-se Labyrinto e é o primeiro espaço exclusivamente para a prática de sexo entre homossexuais masculinos. Abriu portas há quase um mês no centro de Lisboa, mas é contestado por quem mora na zona

O porteiro vai à frente, com uma lanterna de luz azul na mão. Atrás, seguem três homens na casa dos trinta anos, com camisas às riscas e calças cremes. O porteiro demora-se nas explicações, usa um tom de voz baixo, responde a todas as perguntas. "Aqui são os gabinetes privados, ali fica a casa de banho." Eles são novatos nisto. Andam a conhecer os cantos à casa, nota-se que nunca estiveram num sítio assim. O que perguntam é a medo, fogem de trocar olhares com outros homens. Mas estão aqui.

Se querem passar despercebidos, escolheram bem a ocasião. Nesta segunda-feira à noite, no clube de sexo Labyrinto, não há muita gente. Dissemos clube de sexo. E é em Lisboa que estamos. Clube de sexo gay, só para homens, inaugurado há menos de um mês, na Rua dos Industriais, a dois passos da Assembleia da República.

Em Madrid, há seis casas do género; em Paris, 14; em Berlim, 19; em Londres, nove - de acordo com a informação não exaustiva da edição do ano passado do Spartacus, o principal guia turístico gay do mundo. Em Lisboa, nunca tinha havido nada semelhante. Dentro deste género de espaços, o que a capital conhece há vários anos são as saunas gays e quartos escuros (espaços de sexo em discotecas e bares homossexuais).
(...)
Por estes dias, personagens como estas são o que mais se encontra no Labyrinto. Os empregados garantem que as sextas e sábados têm sido dias de casa cheia. Mas pelo que P2 observou, incluindo um sábado à noite, e pelos relatos que colheu junto de alguns clientes, enchentes é coisa que não tem havido. São poucos os homens que, para já, se aventuram. E os que o fazem andam ainda de um lado para o outro, sozinhos ou em visita guiada, a espreitar, a abrir e a fechar portas, a subir e a descer escadas. A tentarem ambientar-se a um espaço novo como este.Foi talvez a novidade que transtornou a vizinhança. Desde há vários dias corre um abaixo-assinado contra o Labyrinto, soube o P2, sem, no entanto, ter tido acesso ao documento ou a quem o promove. Alegadamente, as pessoas reclamam o encerramento do espaço por o acharem inapropriado numa rua onde há famílias com crianças.

Os responsáveis pelo clube de sexo, dois empresários portugueses de 31 e 35 anos, que não querem ser identificados, têm conhecimento do abaixo-assinado, mas defendem-se, alegando que os clientes apenas praticam sexo no interior e que a entrada do sítio é discreta - apenas um placa, como o nome do estabelecimento. Aventam a hipótese de estarem a ser alvo de discriminação em função da orientação sexual da clientela, mas não quiseram alongar-se em comentários.

Do ponto de vista legal, não há certezas sobre se o Labyrinto pode ou não ter porta aberta.
(...)
Dois juristas, contactados pelo P2, que preferem não ser identificados, dizem que à partida não há problema - desde que os clientes sejam maiores de idade e não haja fomento à prática de prostituição no interior. Um dos juristas, próximo de uma associação de defesa dos direitos dos homossexuais, acrescenta que o Labyrinto está em pé de igualdade com outros estabelecimentos de sexo heterossexual que existem há anos em Portugal. A associação gay Ilga Portugal não quis pronunciar-se sobre o aspecto legal. Bruno Horta

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Obsessivamente felizes

No "Público" (caderno "P2") de 8 de Maio; excertos:

É um livro difícil, com uma tese original. Against Happiness: In Praise of Melancholy, de Eric G. Wilson, publicado no início deste ano nos EUA, denuncia uma América viciada na felicidade fácil e demasiado dependente daquilo a que o autor chama "indústria da auto-ajuda".
"A procura da felicidade a qualquer preço não é apenas um passatempo", diz Wilson, "está enraizada na alma americana." Provas de comportamentos felizes obsessivos? A corrida aos centros comerciais, a vida dentro de condomínios fechados, livros de auto-ajuda, ginásios, igrejas e seitas (descritas como "fábricas de felicidade"), a moda da comida saudável.
(...)
A melancolia, diz Wilson no livro, "não é uma doença ou uma fraqueza da vontade", mas uma fonte de criatividade, na vida e na arte. Contudo, os americanos consideram-na "um estado aberrante", que é preciso expurgar. Ora, "a grande tragédia é viver sem tragédia", defende o autor, ressalvando que melancolia e depressão são coisas diferentes: "A depressão causa apatia. A melancolia gera uma turbulência no coração que resulta numa contestação permanente do statu quo e numa vontade contínua de criar novas formas de ser e de ver."
(...)
Em entrevista ao P2, o autor não quis pronunciar-se sobre a realidade portuguesa, que desconhece, mas sublinhou que o poder da melancolia como força criadora "sempre foi levado mais a sério na Europa, por pensadores e artistas, do que na América".
E nós, onde estamos em tudo isto? Dir-se-á que os portugueses estão longe dos americanos nesta busca da felicidade fácil. Mas nem tanto. No livro A Morte de Portugal, publicado em Dezembro, o escritor e professor de Filosofia Miguel Real diz que a americanização do país é esmagadora. "Por causa de um fenómeno de aceleradíssima descristianização e desumanização ética da sociedade e de uma rapidíssima submersão social numa tecnocracia científica anónima que nivela as nações", Portugal "atingiu o seu limite de esgotamento e está a chegar ao fim". Vem aí, acredita Miguel Real, "um novo país urbano e cosmopolita, eticamente relativista, em total ruptura com o antigo Portugal, eminentemente rural e religioso, eticamente absolutista". Porquê? Porque Portugal "apanhou o comboio europeu", que estava, e está, "totalmente dependente do poderio americano, que imita como um macaco de circo".

Será, pois, que os portugueses também estão, tal como os americanos, cada vez mais interessados na felicidade fácil? Quererão enterrar de vez o peso do fado e da saudade? Estudos estatísticos dizem que o país continua a ser triste. Especialistas contactados pelo P2 [escritora e professora e literatura Yvette Centeno; psicóloga Marta Chaves; sociólogo Moisés Espírito Santo; escritor Mário de Carvalho] divergem nas interpretações. Não tendo lido o livro Against Happiness, aceitaram dar opinião em abstracto. Bruno Horta

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Crónicas do Crime

O mês começa com o anúncio e o lançamento, respectivamente, de dois livros muito interessantes, ambos sobre crimes:
- "O Fim das Miragens - Crime no Jet-set", de Paulo Moura;
- "Humberto Delgado - Biografia do General Sem Medo", de Frederico Delgado Rosa.
O livro do jornalista Paulo Moura, publicado pela Dom Quixote, só deverá estar disponível, segundo informação da editora, no fim deste mês. O título é o de uma das várias notícias que o jornalista escreveu no "Público" sobre o julgamento de Maria das Dores, a socialite que mandou matar o marido em Janeiro do ano passado e foi condenada a 23 anos de prisão no início de Abril pelo crime de homicídio qualificado. Se as reportagens do julgamento já eram excelentes, do livro não se espera outra coisa.

A biografia de Delgado, assinada pelo seu neto, já está à venda (já se encontrava hoje em algumas livrarias de Lisboa). O lançamento oficial, segundo se lê no 'site' da Fundação Humberto Delgado, é esta quarta-feira, dia 7, às 19h00, na Assembleia da República. O momento servirá para iniciar as comemorações do cinquentenário das eleições presidenciais de 8 de Junho de 1958, a que Delgado concorreu e que em grande medida determinaria o seu assassinato em 1965, em Espanha.
É um grosso volume, com milhentas referências bibliográficas, o que indicia um bom trabalho. A tese principal do livro, segundo foi divulgado na semana passada pelo autor, é a de que Delgado não foi morto a tiro, como se provou em julgamento, mas sim por espancamento.
As primeiras páginas estão aqui, em PDF.

domingo, 4 de maio de 2008

Vidas degradantes (ou como ser toxicodependente está na moda)

Excerto da reportagem "O mundo das after hours privadas com droga ao domicílio", de Sílvia Maia, publicada pela Agência Lusa:
Catarina lembra a história de um "actor conhecido de novelas" que entrou numa after privada aos gritos: "DROOO-GA. Onde é que há DRO-GA?! QUERO DROGA". E que, de repente, caiu redondo no chão. "Apanhámos um susto. Tivemos que o levar para o hospital, mas ele acabou por ficar bem", recorda.

sábado, 3 de maio de 2008

Manha de sociólogo

O que surpreende não é o facto de 70% dos portugueses dizerem que a homossexualidade é errada (aqui). E 80% dizerem que não usariam preservativo numa relação sexual com um seropositivo (aqui). Num país conservador e atrasado como Portugal estas respostas são normais.
O que surpreende é a forma como o Instituto de Ciências Sociais (ICS), autor do estudo, o distribuiu cirurgicamente pela imprensa de hoje. Ao "Público" coube a questão dos gays. Ao "Diário de Notícias" a questão da sida. E ambas com direito a manchete. À primeira vista, isso pode significar, entre outras coisas, que o ICS não avisou um da notícia que tinha "vendido" ao outro e só apresentou a cada parte o tema específico que queria ver noticiado, em vez do estudo completo.
Que metodologia mais sinistra para sociólogos que se querem respeitáveis.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Delgado não foi morto a tiro

"A biografia de Humberto Delgado escrita por Frederico Delgado Rosa defende que o general morreu vítima de espancamento e não atingido a tiro, como sustenta o acórdão final do tribunal militar que julgou os membros da brigada da PIDE envolvida no caso." - Lusa