quinta-feira, 12 de junho de 2008

Capote está de volta

Na "Time Out Lisboa" de 11 de Junho; excerto:Chegou finalmente a reedição da tradução portuguesa de Answered Prayers, o livro inédito de Truman Capote (1924-84) publicado depois da sua morte. As edições Asa já tinham dado à estampa, em 1993, uma versão portuguesa, que acabou por se esgotar. A Dom Quixote trá-lo agora de volta, sob o título Súplicas Atendidas. A tradução é a mesma de há 15 anos, assinada por José Luís Luna.

É um romance inacabado, que viu a luz do dia em 1987 (além deste, outro inédito foi conhecido em 2004 e também já está em português, Travessia de Verão). Em nota introdutória, incluída na versão portuguesa, Joseph Fox, editor de Capote, explica que o livro deveria ter saído em 1968. Assim tinha sido acertado entre o autor e a editora. Mas a vida boémia de Capote, mais o álcool e a droga e as crises de criatividade, levaram-no a adiar o prazo várias vezes. Tantas, que à data da sua morte a história estava por acabar.

Dos três capítulos que a compõem, o mais conhecido é o terceiro: La Côte Basque, sobre as aventuras sexuais, traições e manobras da alta sociedade americana num restaurante chique com o mesmo nome. “Monstros em Estado Bruto” (Unspoiled Mosters), o primeiro capítulo, tem importância por ser nele que, sob o disfarce da ficção, Capote relata parte da vida do seu amante Denham Fouts, um famoso prostituto de luxo dos anos 40. [ver este artigo sobre Denham Fouts] Bruno Horta

Artigo completo aqui.

domingo, 8 de junho de 2008

"A minha vida é sexo e droga e dinheiro"

“A minha vida é sexo e droga. E dinheiro. Dinheiro para ter droga”, sintetiza. Mas a ordem está invertida. O dinheiro vem sempre primeiro, é causa e consequência. “Digo muitas vezes aos clientes: não faço isto por amor, faço isto por dinheiro, por necessidade”, reafirma num encolher de ombros sem alternativa aparente. Nunca existe prazer no sexo. E o prazer da droga é cada vez menor. “Isto não é uma vida normal, é uma vida de merda. Cansa! Já não consumo para ficar com a moca; consumo para ficar normal.”
Reportagem (grande reportagem, assinada por Helena Silva) sobre prostituição masculina no Porto, publicada no "Jornal de Notícias" de hoje.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fotos inéditas de Weegee

São três das 210 fotografias da autoria de Weegee encontradas por mero acaso há seis anos e que voltam a ser notícia por terem sido compradas esta semana pelo Museu de Arte de Indianápolis, EUA.
Weegee (1899-1968) é conhecido pelas fotos de cenas de crimes em Nova Iorque e aspectos mais ou menos macabros do dia-a-dia da cidade. Praticou aquilo a que se chama "fotografia de rua" (street photography).
O seu trabalho terá servido de inspiração ao estilo grotesco de Diane Arbus, entre outros.
Além das fotografias, o Museu de Arte de Indianápolis comprou um conjunto de 62 cartas enviadas por Weegee à mulher.
["Weegee" e não "Weedgee", como erradamente se escreveu aqui]
Lovers at the Palace Theater (3-D Glasses)

Harry Kaltman who owns this dairy store at 125 Delancy Street had
his whole family behind the counter yesterday afternoon March 22, 1943

,"It was a friendly game of Bocci" c.1939
Notícia aqui.
Slideshow
aqui.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mais um fim-de-semana na Feira do Livro

Não se encontra nada de extraordinário na Feira do Livro de Lisboa. Nem quanto a títulos disponíveis, nem quanto aos preços praticados.

Deste fim-de-semana sobram apenas duas compras: "As Mãos na Água, A Cabeça no Mar", de Mário Cesariny; e "Fotografia e Narciscismo", de Margarida Medeiros.

O livro de Cesariny é uma primeira edição, de 1985, da Assírio e Alvim. Cheira a mofo e tudo. São 328 páginas de ensaios, artigos de imprensa, textos para catálogos, entrevistas, prefácios, etc. A maior parte pertence próprio, outras coisas são traduções feitas por ele.

O livro de Margarida Medeiro, publicado há oito anos, é um ensaio, baseado na tese de mestrado da autora, sobre a auto-representação na fotografia contemporânea. Em anexo, tem três entrevistas interessantes: com Cindy Sherman, Duane Michals e Florence Chevallier (no índice, o apelido deste último aparece um um "L" apenas, mas no interior vem a forma correcta, com dois "LL").

sábado, 31 de maio de 2008

Cuidado com os Rapazes

Na "Time Out Lisboa" de 28 de Maio; excerto:

O livro demorou seis meses a ser escrito. E apesar da temática e da linguagem, o autor não hesitou numa vírgula. “Não quero saber se as pessoas vão pensar que sou gay. Sei o que sou e não tenho telhados de vidro”. Ao seu lado, durante a escrita, esteve sempre a mulher, a actriz Maria Vieira. “Ia lendo à medida que eu escrevia. Houve momentos em que ela jogava as mãos à cabeça e achava que ninguém me ia publicar, mas gosta muito da história”.

Num café no centro de Lisboa, Fernando Duarte Jorge, de 46 anos, fala à Time Out do seu primeiro romance, O Jardim dos Perversos – que já está nas lojas e vai ser apresentado na próxima terça-feira, dia 3, às 18.30, no El Corte Inglés, pelo antigo investigador criminal Francisco Moita Flores.

A história mostra o dia-a-dia de 19 adolescentes arruaceiros que vivem em Moscavide no fim dos anos 70. São filhos de famílias pobres e passam o dia na rua a roubar discos nas lojas, a assaltar homossexuais, a fumar droga, e, muitas vezes, a prostituir-se. São imorais, mas professam uma lealdade mútua à prova de bala.
(...)
Dos 34 capítulos, dez giram em torno do sexo entre homens. Há passagens que remetem para a pedofilia, embora o autor informe que não quer confundir as coisas. “A homossexualidade é uma atracção como outra qualquer. A pedofilia é um dos piores crimes que há. Quando eu tinha 14 anos e ia ao terminal de comboios do Rossio via grupos de homens a manterem conversa com miúdos”, recorda. “Acontecia às claras, à vista da polícia. Os adultos compravam sexo às crianças, muitas delas provavelmente eram da Casa Pia.” Terá sido o caso de pedofilia naquela instituição que o levou a incluir episódios de pedofilia no livro? “É natural que esses acontecimentos recentes tenham reavivado a minha memória. Sei que hoje continua quase tudo na mesma, simplesmente há 30 anos era à luz do dia”, responde.
Bruno Horta

Artigo completo aqui.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Reveladas cartas de Cesariny e Vieira da Silva

Um livro com correspondência inédita trocada entre Mário Cesariny e Maria Helena Vieira da Silva vai ser editado em Setembro no âmbito das comemorações do centenário do nascimento da artista plástica, que se assinala a 13 de Junho.
Em declarações à Agência Lusa, Marina Ruivo, conservadora da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva indicou que excertos de algumas destas cartas já poderão ser vistos pelo público a partir de 05 de Junho, data da inauguração de uma exposição sobre a relação entre os artistas, intitulada "Correspondências".
Notícia completa aqui.

terça-feira, 27 de maio de 2008

"Everyone I photograph comes out of desire"

A Tate Modern, em Londres, homenageou a fotógrafa Nan Goldin no passado sábado, com uma retrospectiva em vídeo. A propósito, o "Guardian" publicou uma entrevista com ela, feita na sua casa em Paris:
"Somebody I used to photograph constantly said it was no different from drinking a cup of coffee with me. I mean it became an extension of me, the camera. (...) I never photograph out of hate, and I never photograph somebody I find ugly. Everyone I photograph comes out of desire. They touch me, or I find their face fascinating. And I don't think I've ever taken a mean picture intentionally in my life."
Entrevista completa aqui.
Foto: "Nan one month after being battered", 1984 (aqui)