domingo, 29 de junho de 2008

Pretos e pretas

Excerto do artigo "A Indústria ainda vê os modelos a preto e branco", de Joana Amaral Cardoso, no "Público" de ontem:
Barack Obama está na moda e agora a moda está com Barack Obama. Donatella Versace inspirou-se no candidato democrata à presidência dos EUA para criar a colecção masculina que apresentou esta semana em Milão, mas é a Vogue Italia que faz história na sua edição de Julho. O Black Issue é a primeira edição da revista exclusivamente preenchida com modelos e artistas negros e é fruto não só do debate em curso sobre o racismo na indústria da moda, mas também da omnipresença de Barack e Michelle Obama na imprensa internacional.

Para Donatella Versace, ele é "o homem do momento". Para as empresas norte-americanas de moda, é Michelle Obama que está a fazer aumentar em 35 por cento as encomendas da sua designer preferida. E Franca Sozzani, directora de uma das edições mais conservadoras da revista (à semelhança da rigidez da passerelle de Milão), não podia fugir à febre.

O conceito do Black Issue nasceu após uma estadia de "La Sozzani" na Semana de Moda de Nova Iorque. "Perguntei-me: 'Se a América está pronta para um Presidente negro, por que é que não estamos prontos para modelos negros?'", disse a directora da Vogue Italia ao diário britânico Independent.

Steven Meisel, o conhecido fotógrafo que fez o livro Sex, de Madonna, fez a capa e as 100 imagens de um portfólio sobre a beleza negra que, na sua opinião, expõem a "escandalosa preguiça" do mundo da moda quando ignora os negros ou os reduz a estereótipos.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

OVNIs em Lisboa

Os contactos estabelecidos com terrestres, a exploração espacial e os indícios de vida no universo são alguns dos temas do I Encontro Internacional promovido pela Sociedade Portuguesa de Ovnilogia (SPO) a 05 de Julho, em Lisboa.

Subordinado ao tema "O Fenómeno OVNI e as Perspectivas de Vida no Universo", o I Encontro Internacional de Ovnilogia SPO realiza-se, a partir das 14:00, no auditório do Instituto Português da Juventude, no Parque das Nações, contando com a presença de diversos investigadores.

Notícia da Lusa (completa aqui)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Os bancos agora fabricam bons futebolistas

A entrevista do director de comunicação do BES é um momento antológico. Paulo Padrão fala ao "Diário de Notícias" como se fosse ele o autor das campanhas publicitárias do banco (não é, é uma agência de publicidade) e incha-se com sucessos que só o são retrospectivamente. Forma muito inteligente de estar na vida, portanto.

Incapacidade para se remeter à sua insignificância:
"Apesar de não sabermos se ia ou não ao Euro, em Janeiro de 2004 enchemos Lisboa com cartazes com a cara do Cristiano Ronaldo. Fizemos dele um herói",

Confissão própria de quem não tem pais ricos:
"A estratégia foi simples. Concentrámo-nos [o BES] num território - a fotografia - e apropriámo-nos dele."

Estocada final:
"Das realidades transversais, o futebol é a única patrocinável. Tão bom como o futebol só mesmo a família ou a religião."

sábado, 21 de junho de 2008

Voltas à pista, até o caos chegar

Há dois anos, propus a uma editora portuguesa um livro de reportagens sobre automóveis, qualidade de vida nas cidades e fim do petróleo. O editor, que não me conhecia de lado nenhum, leu a proposta, mandou-me ir falar com ele e disse que a ideia só tinha pernas para andar se se arranjasse um dispositivo narrativo atraente. "Como por exemplo?", perguntei. "Contar as histórias do livro através de uma figura pública, como o Marcelo Rebelo de Sousa", respondeu ele.
Conclusão: o editor não tinha lido a proposta com atenção. Essa coisa do dispositivo narrativo estava obviamente lá, não estava era sob a forma de revista cor-de-rosa. Conclusão mais grave: o editor, como muita gente, queria (hoje já não sei se quereria) brincar com coisas sérias. A minha proposta não passou da fase de projecto.
Aliás, ainda agora, com a crise a estalar à frente dos olhos, toda a gente quer ignorar que ela se aproxima. Que mundo será este sem petróleo ou com petróleo racionado? Quantas falências, quanto desemprego, quanta desordem civil?
Entre Março e Novembro deste ano, há 18 circuitos de Fórmula 1 para percorrer. Ou seja, milhões e milhões de litros de petróleo deitados ao ar, sem qualquer préstimo. Esta infografia choca.
Enquanto a maioria se comportar como o editor de livros ou as equipas de Fórmula 1, estamos tramados.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Arquive-se

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa arquivou o processo movido contra o director de "A Bola" pela Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens. O tribunal terá considerado que “só por censura se podia proibir alguém de dizer o que o arguido disse”. O que Vítor Serpa disse está aqui.
O arquivamento é de 16 de Maio, mas a notícia apareceu hoje, no jornal "Meios & Publicidade".
A notícia está aqui.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O que é que o Chiado tem?

Na "Time Out Lisboa" de 18 de Junho; excerto:

Já reparou que no Chiado há pessoas e maneiras que não se vêem em parte nenhuma da cidade? Sente-se nas esplanadas da Brasileira e da Bénard e em três tempos saberá do que falamos. É uma espécie de “parada” gay diária – mas sem palavras de ordem.

A zona onde há cem anos se passeavam artistas e aristocratas abre agora alas a todo o género de gays, nada preocupados, como é hábito, em disfarçar sinais da sua orientação sexual. Não se importam de andar aos beijos ou de dar as mãos. Apostamos que nunca viu tal coisa em Alfama ou em Benfica.

Para que este artigo não pareça uma fraude, é melhor confessar já que não temos resposta para a pergunta que serve de título. E não foi por falta de perguntar. A olisipógrafa Marina Tavares Dias ajuda-nos a sustentar a falta: “Ninguém sabe porque é que três ruas estreitas e inclinadas são o passeio das elites lisboetas há tantos anos”. Refere-se à Rua do Carmo, Rua Nova do Almada e Rua Garrett. “Já li vários estudos de distintos olisipógrafos, todos fazem essa pergunta, mas não chegam a nenhuma conclusão.”

Embora confesse “não ligar nenhuma às minorias ou maiorias” que andam pelo Chiado, Marina Tavares Dias admite que esta zona “continua a ter uma frequência mais caprichada, de pessoas mais interessantes”. E concretiza: “Sempre foi um espaço chique, tão chique que no século XIX havia quem nem se atravesse a passar por lá. Hoje, como a sociedade, em geral, está nivelada por baixo, as elites culturais desapareceram, mas as pessoas que têm um procedimento diferente do da maioria continuam a sentir-se bem no Chiado.” Bruno Horta

Artigo completo aqui.