terça-feira, 15 de julho de 2008
Dias algarvios 5
domingo, 13 de julho de 2008
Dias algarvios 4
"Ouvi dizer que há uns pescadores que fazem petiscos para os turistas". Assim metemos conversa com uma mulher vistosa e sociável que encontrámos na ilha da Culatra (Olhão). "Os pescadores, fazerem petiscos? Deve ser, deve. Nem para eles cozinham, quanto mais para os turistas. Se não forem as mulheres deles a fazer comida, vão para o café", disse ela. Esclarecidos.O barco que liga Olhão à Culatra (e à ilha do Farol) faz lembrar os velhos barcos que faziam Terreiro do Paço-Barreiro, há uns anos. Mas é ainda mais lento. Ontem à tarde, ia cheio de gente, claro: era sábado e o tempo estava bom.
À noite, fomos ao Le Club, em Santa Eulália (Albufeira), um restaurante, que é bar e discoteca e esplanada. A noite apresentava-se fria e ventosa e deve ter sido por isso que a casa estava a meio-gás.Quanto mais próximos vamos ficando da "movida" algarvia, mais desinteressante se torna o panorama, porque quer ser lisboeta no gosto e no tom, mas não é, nem pode ser.
sábado, 12 de julho de 2008
Dias algarvios 3
A frase da foto inscrevemo-la esta noite numa parede do restaurante Taska, que fica em Faro e serve muito bem. Resulta, a frase, de uma piada segundo a qual a nova tendência da imprensa escrita portuguesa é a de fazer dos jornalistas protagonistas, imitando assim o estilo anglo-saxónico.Há dois dias, vimos um homem a andar de bicicleta na Estrada Nacional 125, às três da manhã, sem luzes. Ontem à noite, em Lagos, dois luso-franceses de Lille, com os seus 20 e poucos anos, filhos de portugueses mas já parcos no português, não hesitaram em entrar no nosso carro para nos explicarem onde ficava um bar. De caminho, parámos num outro, onde vimos empregados, seguranças, clientes e dono do bar, tudo bêbado. O chão era uma pocilga e escorregava, as colunas berravam, havia gente a caminhar em cima do balcão, a cacimba do suor era insuportável.
O Algarve já endoideceu e ainda não estamos em Agosto.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Dias algarvios 2
A resposta ao enigma, dá-a ele: "É o judeu".
Quando lhe dizemos que isso não faz sentido, ele reafirma que é assim mesmo como está a dizer.
P. M. é uma daquelas personagens que, não sendo raras, fascinam sempre. Filho de pescador. Trabalhou sempre em bares, restaurantes, cafés. Ora na sua Praia da Rocha, ora em cruzeiros, ora em Miami.
É mesmo de Miami, onde andou há 25 anos, que gosta de falar. Foi em Miami que aprendeu a falar inglês. E em Miami aprendeu também a não gostar de judeus. Agora trabalha em Ferragudo, num restaurante. E à noite gosta de ir aos bares da Rocha engatar inglesas e contar anedotas aos amigos.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Definitivamente, é o 'lead' da semana
"Estamos todos mortos e ainda não nos apercebemos disso». As palavras, roubadas ao dramaturgo Eduard Bond, servem a Pedro Marques, 39 anos, para descrever aquilo que o encenador vê quando olha para o meio teatral português. Depois de meia dúzia de anos de Cornucópia, outra de Artistas Unidos, e mais dois de desemprego, desespero e insatisfação, Marques volta ao teatro, como uma crítica ao capitalismo de Gregory Motton (em estreia no Festival de Almada) e um discurso que o próprio reconhece polémico, mas necessário: «O teatro tem de se libertar rapidamente da corda do Estado e conquistar público. Uma das razões para o teatro ter pouca visibilidade junto das pessoas reside no facto deste se ter distanciado das pessoas, voluntariamente, e exactamente através dos subsídios».
Entrevista de Cristina Margato, no Expresso ("Actual") de 5 de Julho.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O Vereador no seu Labyrinto
Pedro Feist, vereador sem pelouro da Câmara Municipal de Lisboa, disse na semana passada, numa reunião pública do executivo, que o clube de sexo gay Labyrinto desenvolve actividades que “ferem os usos e costumes”, pelo que deve ser encerrado. O clube abriu portas a 22 de Abril na Rua dos Industriais e é o primeiro do género no país.
Pedro Feist explica que em Maio recebeu em audiência uma “comissão informal de moradores” que lhe entregaram uma cópia do artigo que a Time Out dedicou à abertura do Labyrinto. “Queixaram-se de um tipo de actividade de que discordam”, relata Feist. Essa “actividade” é a prática de sexo entre homens, clientes da casa.
Segundo depois noticiou o jornal Público, o autarca referiu-se ao clube como uma “casa de prostituição gay”. É a primeira vez em Portugal que um político toma posição sobre um estabelecimento comercial gay – confirmou a Time Out junto de Sérgio Vitorino, activista gay há 15 anos, e de António Serzedelo, activista há 34 anos. Os donos do Labyrinto falam em “difamação e homofobia” e pensam avançar para tribunal.
A polémica começou há cerca de um mês, quando Feist pediu ao presidente da Câmara, António Costa, que mandasse averiguar a legalidade das licenças do estabelecimento. “Mais tarde, ele disse-me que a Polícia Municipal já lá tinha ido, mas não sabia em que pé estava o assunto. Por isso, na última reunião de Câmara, voltei a falar do tema”, afirmou Feist à Time Out. António Costa voltou a ser evasivo: o assunto está com a Polícia Municipal, disse. Tentámos obter um comentário do presidente, mas Costa mostrou-se indisponível.
Pedro Feist (ex-militante e ex-secretário geral do CDS-PP, eleito vereador independente pela lista de Carmona Rodrigues), confirma as declarações feitas na reunião, mas introduz uma nuance: “Não sei se é uma casa de prostituição gay, ocorreu-me chamar-lhe isso baseado nos artigos de imprensa que tenho lido.”
Feist tem duas preocupações principais. Primeira: “a actividade desenvolvida dentro do clube e as eventuais ilegalidades do licenciamento”. Segunda: o facto de ser “desadequado” um clube de sexo junto à Assembleia da República e ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
Não foi possível obter comentários do ISEG. A assessoria de imprensa de Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, diz “não ter conhecimento do clube”, acrescentando que o Parlamento “não tem de se pronunciar sobre a legalidade de estabelecimentos comerciais privados, isso é uma competência da Câmara”. Bruno Horta
Artigo completo aqui.

