domingo, 3 de agosto de 2008

Onde estão as letras das canções?

Agora que a televisão tem concursos para os espectadores cantarem partes de letras de canções famosas ("Chamar a Música", do Herman José, na SIC; copiado do original americano The Singing Bee), esta notícia parece anacrónica, mas não é:

The National Year of Reading campaign questioned 4,000 people to gauge the importance of lyrics and found that 90% felt that reading the words helped them gain a full appreciation of the music. But 50% said that lyrics are less accessible than they were five years ago, with fewer CDs now carrying the words.
And when you download, there are no words. Of those surveyed, 62% said they found websites storing lyrics unreliable and often incorrect, with that figure rising to 75% among 18- to 25-year-olds. (no Guardian )

sábado, 2 de agosto de 2008

Judia, lésbica, escritora

Na revista "Time Out Lisboa" de 30 de Julho:

É a primeira tradução portuguesa da poesia de Adrienne Rich, escritora judia e lésbica, de 79 anos, apontada como uma das vozes mais marginais e políticas da literatura americana contemporânea.

Dizemos judia e lésbica, à cabeça, porque a origem étnica e a orientação sexual são centrais na poesia de Rich. Numa muito completa introdução à edição portuguesa (assinada pelas tradutoras Maria Irene Ramalho e Monica Varese Andrade), explica-se que a sua poesia é feita de referências históricas, autobiográficas e efabuladoras. E que “têm eco claro nos seus poemas” o Movimento pelos Direitos Cívicos, o Movimento de Libertação das Mulheres, a Frente de Libertação Gay, o feminismo lésbico, a guerra do Vietname e o apartheid sul-africano.

De resto, como filha que é de um pai judeu e de uma mãe cristã, tem vivido a tentar encontrar-se. “Só quem [como Rich] sofre as consequências directas de não ter identidade certa sente necessidade de afirmar a sua”, dizem as tradutoras.

O livro, em edição bilingue, reúne vários poemas de todos os 19 livros de versos que Rich publicou até hoje, entre 1951 e 2007. Um dos volumes mais importantes é The Dream of a Common Language (“O Sonho de uma Língua Comum”), de 1978, onde consta o longo poema “Vinte e Um Poemas de Amor”, de um evidente erotismo lésbico.

Casada entre 1953 e 1970, ano do suicídio do marido, Rich vive desde 1976 com a escritora Michelle Cliff. Ao que explica a introdução, a autora participou na edição portuguesa, ajudando na escolha de poemas. Bruno Horta

“Uma Paciência Selvagem”, de Adrienne Rich. Ed. Cotovia. 20€

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Últimas notícias da maior democracia do mundo

"A primeira coisa que notará quem olhar com atenção para as recentes telenovelas, séries e publicidades que passam nos canais da televisão indiana vistos pelas classe média é que toda a gente é branca. Quase não há pessoas de pele castanha ou mais escura (...) Haverá poucas sociedades tão profundamente preconceituosas como a Índia do Norte em matéria da superioridade da pele branca sobre as outras peles. Mas é nova a virtual eliminação da realidade indiana nas imagens de televisão, publicidade e cinema comercial. (...) A razão disto é que a classe média indiana tem um verdadeiro horror da Índia tal como ela é e as imagens dessa Índia inquietam, não vendem sonhos, não vendem mercadorias." Paulo Varela Gomes, "Público", hoje

domingo, 27 de julho de 2008

"Alguém convenceu o legislador" ou "os deputados não não honestos"?

João Cravinho em entrevista ao "Público" de hoje, falando sobre a corrupção:

"O que me apercebo é que, mesmo ao nível do processo legislativo, há um condicionamento tal que faz com que as medidas essenciais não sejam tomadas. E mesmo quando se tomam medidas, aparecem factos anómalos na própria legislação nova que são difíceis de entender. Vou dar-lhe um exemplo na Lei 19/2008, que tem o que resultou dos meus primeiros pacotes de uma forma bastante restrita.
Estava convencido de que uma das medidas que tinha sido adoptada era o registo das procurações irrevogáveis. E dei de barato que assim tinha sido feito. Um dia destes, ao ver a legislação mais uma vez, caem-me os olhos sobre o artigo primeiro, vi lá uma palavra e achei: "que coisa esquisita". Então, foi adoptado de facto a obrigatoriedade de registo das procurações irrevogáveis só para os imóveis.
O que é que sucede? Carteiras de títulos, dinheiro, contas bancárias, obras de arte, activos financeiros, off-shores... tudo isso pode ser alvo de procurações irrevogáveis. Alguém convenceu o legislador que o problema estava nos imóveis e o legislador aceitou essa interpretação sem ver que, ao mesmo tempo que fixava os imóveis, abria 30 portas onde a corrupção podia continuar a fazer tranquilamente a sua vida."

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cunhal e Oriana

Duas notícias da Lusa sobre dois livros inéditos:

O prefácio de Álvaro Cunhal, de 1963, a "Quando os Lobos Uivam", encontrado nos "papéis" do ex-líder do PCP, deveria destinar-se à publicação do romance num país socialista, mas é em Portugal que será editado 25 anos depois. O texto, "um longo estudo sobre a obra de Aquilino Ribeiro", como é descrito à Agência Lusa por Francisco Melo, da Editorial Avante!, será publicado em Setembro, numa reedição especial do romance, 50 anos depois da sua primeira publicação, em 1958.
Notícia completa aqui

"Um chapéu cheio de cerejas" é como se chama a última obra da escritora e jornalista italiana Oriana Fallaci, que será publicada a título póstumo na próxima semana em Itália. De acordo com o jornal italiano Il Messaggero, o livro é uma saga que conjuga ficção e realidade, com episódios da família de Oriana Fallaci a decorrerem em momentos decisivos da história de Itália, entre os séculos XVIII e XIX.
Notícia completa aqui

quinta-feira, 24 de julho de 2008

"Dói-me a tua solidão que não tem cura"

VINHO DERRAMADO

Enquanto os outros encontram procurando
tu encontraste, encontrando
uma brecha no tecido do tempo, para nos escondermos
desta cidade, onde não fica bem ser-se
meteco universal, neste fim de milénio.

Mal te afastas-te e vejo-te chegando
com a migração das pedras roladas pelas nuvens,
por caminhos que também a nós aqui trouxeram
um dia ao centro desta margem.

Dói-me a tua solidão que não tem cura,
nem engolida pela minha solidão canibal;
e como ao longe ainda estás perto
és como o vinho derramado que ao cair segura
a luva de sombra da minha mão...


Dinu Flamând, 1998
(na colectânea "Haverá Vida Antes da Morte?", Quasi Edições, 2007; tradução do romeno de Teresa Leitão)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"I miss the earth so much I miss my wife"