sábado, 9 de agosto de 2008

"Não podemos tirar Boliqueime do rapaz"

Clara Ferreira Alves no "Expresso" de Hoje:

"Desde que o Presidente Cavaco foi eleito ainda não lhe ouvi uma palavra de jeito. O Presidente alinhava umas palavras em forma de discurso, soletra umas solenidades de circunstância, meia dúzia de lugares-comuns da sensatez e outras tantas banalidades, junta uma pitada de preocupação social e vago fervor patriótico, acrescenta umas generalidades institucionais e já está.
(…)
A sua mediania coloca-o a salvo das grandes perplexidades contemporâneas e o seu desinteresse pela cultura política, ou outra, abrigam-no das interrogações que perturbaram Soares ou Sampaio, infinitamente mais cultos e mais cosmopolitas. Cavaco é o sucessor de Eanes sem a educação sociológica e histórica de Eanes. Ou seja, Eanes tornou-se um quase-intelectual com a passagem do tempo, e Cavaco permaneceu igual a si mesmo, modesto e frugal, limitado e deslocado, amarrado à âncora da sua ignorância.
(…)
De primeiro-ministro activo passou a Presidente corta-fitas. É um lugar onde ele não faz o dano que faria como chefe do Executivo.
(…)
Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade. O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Para onde foi a nossa paixão?

"O Voo Desordeiro de Eros", Vasco Prazeres. Dom Quixote, 2008.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sølve Sundsbø

É o homem por detrás de muitas das imagens publicitárias que vemos todos os dias. Sølve Sundsbø nasceu na Noruega há 37 anos e vive em Londres desde 1995. Faz fotografia publicitária e de moda Já trabalhou para marcas como Yves Saint Laurent, Levis, Nike, Gucci, Hermes, Armani, etc, etc. E fez capas para álbuns dos Røyksopp ("Eple", 2001; entre outros)e dos Coldplay ("Rush of Blood to the Head", 2002). Ver aqui e aqui.

No próximo dia 25 de Agosto inaugura uma exposição de fotografias e vídeos na famosa loja Colette, em Paris. A primeira exposição individual de Sølve foi em Fevereiro do ano passado em Londres. É representado pela agência nova-iorquina Art + Comerce (site aqui).

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Don't ask, don't tell"

Os jornalistas da CNN estão proibidos dar opinião na Internet sobre assuntos da actualidade. Não podem opinar em blogues, chats ou redes sociais, como o Myspace ou o Facebook. A regra aplica-se também aos freelancers e aos estagiários. Notícia aqui.

domingo, 3 de agosto de 2008

Onde estão as letras das canções?

Agora que a televisão tem concursos para os espectadores cantarem partes de letras de canções famosas ("Chamar a Música", do Herman José, na SIC; copiado do original americano The Singing Bee), esta notícia parece anacrónica, mas não é:

The National Year of Reading campaign questioned 4,000 people to gauge the importance of lyrics and found that 90% felt that reading the words helped them gain a full appreciation of the music. But 50% said that lyrics are less accessible than they were five years ago, with fewer CDs now carrying the words.
And when you download, there are no words. Of those surveyed, 62% said they found websites storing lyrics unreliable and often incorrect, with that figure rising to 75% among 18- to 25-year-olds. (no Guardian )

sábado, 2 de agosto de 2008

Judia, lésbica, escritora

Na revista "Time Out Lisboa" de 30 de Julho:

É a primeira tradução portuguesa da poesia de Adrienne Rich, escritora judia e lésbica, de 79 anos, apontada como uma das vozes mais marginais e políticas da literatura americana contemporânea.

Dizemos judia e lésbica, à cabeça, porque a origem étnica e a orientação sexual são centrais na poesia de Rich. Numa muito completa introdução à edição portuguesa (assinada pelas tradutoras Maria Irene Ramalho e Monica Varese Andrade), explica-se que a sua poesia é feita de referências históricas, autobiográficas e efabuladoras. E que “têm eco claro nos seus poemas” o Movimento pelos Direitos Cívicos, o Movimento de Libertação das Mulheres, a Frente de Libertação Gay, o feminismo lésbico, a guerra do Vietname e o apartheid sul-africano.

De resto, como filha que é de um pai judeu e de uma mãe cristã, tem vivido a tentar encontrar-se. “Só quem [como Rich] sofre as consequências directas de não ter identidade certa sente necessidade de afirmar a sua”, dizem as tradutoras.

O livro, em edição bilingue, reúne vários poemas de todos os 19 livros de versos que Rich publicou até hoje, entre 1951 e 2007. Um dos volumes mais importantes é The Dream of a Common Language (“O Sonho de uma Língua Comum”), de 1978, onde consta o longo poema “Vinte e Um Poemas de Amor”, de um evidente erotismo lésbico.

Casada entre 1953 e 1970, ano do suicídio do marido, Rich vive desde 1976 com a escritora Michelle Cliff. Ao que explica a introdução, a autora participou na edição portuguesa, ajudando na escolha de poemas. Bruno Horta

“Uma Paciência Selvagem”, de Adrienne Rich. Ed. Cotovia. 20€

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Últimas notícias da maior democracia do mundo

"A primeira coisa que notará quem olhar com atenção para as recentes telenovelas, séries e publicidades que passam nos canais da televisão indiana vistos pelas classe média é que toda a gente é branca. Quase não há pessoas de pele castanha ou mais escura (...) Haverá poucas sociedades tão profundamente preconceituosas como a Índia do Norte em matéria da superioridade da pele branca sobre as outras peles. Mas é nova a virtual eliminação da realidade indiana nas imagens de televisão, publicidade e cinema comercial. (...) A razão disto é que a classe média indiana tem um verdadeiro horror da Índia tal como ela é e as imagens dessa Índia inquietam, não vendem sonhos, não vendem mercadorias." Paulo Varela Gomes, "Público", hoje