quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Winq

Parece que é o primeiro número da Winq, uma revista gay holandesa, de lifestyle e consumo. A capa fala em edição de Outono, mas não diz qual o número da revista.
Vem escrita em inglês e está dividida em cinco secções: "body and mind"; "travel", "culture", "fashion and design" e "party".

"Gay globalisation", o tema de capa desta edição, tem direito a um único texto de quatro páginas, que não tem lead nem contraditório. Sai quatro vezes por ano e custa 6,95€.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Fio Solto

Na revista "Time Out Lisboa" de 5 de Agosto:

Parece que estamos num filme de Larry Clark – o realizador de Kids (1995) e Ken Park (2002), dois filmes provocadores sobre famílias disfuncionais e adolescentes à procura da identidade sexual, sempre muito drogados e rebeldes. A personagem principal deste Fio Solto ("My Loose Thread", no original), romance de Dennis Cooper agora publicado em português, chama-se precisamente Larry. E Larry mantém uma relação incestuosa com o irmão, Jim. A relação foi descoberta por Rand. Larry matou Rand e agora é pago por um amigo de liceu para matar outro colega.

O sexo entre iguais é frequente, a confusão na cabeça destes adolescentes e a violência entre eles também. E, tal como nos filmes de Larry Clark, a família é o último sítio onde podem encontrar alguém sério.

A linguagem é a mesma que Dennis Cooper costuma usar nos seus livros. Tão explícita e gratuita quanto isto: “Tiro a minha Pepsi e seguro-a no meio das pernas. Mas está gelada e demasiado perto dos meus colhões, por isso tenho de ajeitá-la”; “A mãe costumava vendê-lo a paneleiros e eles batiam-lhe e faziam paneleirices sádicas com ele”; “Quero bater-lhe com tanta força, que ele vai morrer. Não aguento querer que ele me ame daquela maneira e quero que ele se mate de vez”.

Cooper, 55 anos, nasceu na Califórnia e tem vivido em Amesterdão e Paris. Começou a escrever em 1976. Além de ficção, assina poesia e ensaio (incluindo sobre Nan Goldin, fotógrafa de personagens marginais).

No ano passado, a editora de Fio Solto, a Bico de Pena, já tinha publicado Purosexo.com ("The Sluts"), a primeira tradução portuguesa de um livro de Cooper. A Bico de Pena faz parte do gigantesco grupo de comunicação Bertelsmann e é a única editora em Portugal que se dedica sistematicamente à edição de livros de temática gay. Bruno Horta

"Fio Solto", Dennis Cooper. Ed. Bico de Pena, 2008.

domingo, 10 de agosto de 2008

A masculinidade tem os dias contados?

No "Público" (caderno P2) de ontem; excerto:O aviso já tinha sido deixado há 18 anos pela polémica professora americana Camille Paglia, no ensaio Personas Sexuais, sobre o sexo no mundo ocidental: quando os valores vigentes em cada época sofrem mudanças drásticas, a masculinidade dá logo sinal, abrandando no seu vigor. Os metrossexuais que começaram a aparecer no fim da década de 90 aí estavam para confirmar a sentença. Os seus hábitos de beleza passaram a ser tão frequentes quanto decalcados dos femininos: cremes para todas as partes do corpo, depilação completa, ginásio, solário, roupas e acessórios vistosos - e um corpo sempre disponível para ser desejado.
(...)

Desde esta semana, há uma novidade para baralhar outra vez as coisas. Na passada quarta-feira, a empresa londrina Taxi Cosmetics introduziu no mercado inglês um eyeliner e um rímel para homem. Os dois produtos chamam-se, respectivamente, Guyliner e Manscara. Os termos resultam da associação entre os nomes originais desses cosméticos e as palavras guy e man - homem, em inglês. "Pensamos que os 'verdadeiros' homens estão prontos para uma revolução na maquilhagem", anuncia a promoção na Internet.

A maior novidade destes produtos não está no facto de terem sido directamente subtraídos àquilo que costuma ser o estojo de maquilhagem das mulheres. A novidade está no público a que se dirigem. Desta vez, não são os gays o alvo principal. São os heterossexuais.

A marca Jean-Paul Gaultier vende maquilhagem masculina desde 2003 (relançada este ano sob o nome Monsieur). Inclui batom, base, eyeliner e rímel. Também desde há cinco anos, a empresa canadiana 4VOO comercializa o mesmo tipo de produtos em versão masculina, mas utiliza a subtileza comercial de lhes chamar produtos de aperfeiçoamento (enhancement) e não de embelezamento (beautifying). Nos dois casos, o público gay é o principal consumidor, confirmou o P2 junto do representante em Portugal da Gaultier, a empresa Polimaia, e do responsável pela 4VOO, Marek Hewryk.
Ora o Guyliner e o Manscara jogam noutro campeonato. Peter Kelly, fundador da Taxi, diz ao P2 que os heteros são os clientes preferenciais. Mas gays, góticos e fãs de rock alternativo também vão usar. "Não importa o tipo de homens, a idade ou a classe social", afirma. Por que está tão seguro disso? "Porque todos querem ter boa imagem", garante. "São dois produtos para melhorar o aspecto, não é uma maquilhagem carregada", justifica, usando a mesma retórica que a 4VOO. Ainda assim, admite frontalmente que o Guyliner e o Manscara não são mais que os mesmos produtos que as mulheres já usam, mas agora publicitados junto do mercado masculino. "É isso mesmo, a diferença está na embalagem, mais masculina, e no nome que demos."
(...)

[Ao] pintarem os olhos, como pretende a Taxi, não estarão a maquilhar irreversivelmente a sua masculinidade. Mark Simpson acha que sim. Ele é o escritor e publicista britânico que em 1994 cunhou o termo metrossexual, através de um artigo que escreveu para o jornal Independent ("o homem metrossexual contradiz a premissa básica da tradicional heterossexualidade: só as mulheres é que são alvo do olhar e só os homens é que olham").

Questionado pelo P2 acerca dos dois novos cosméticos masculinos, Simpson é contundente: "Marcam uma nova atitude masculina: nada do que as mulheres fazem ou usam para serem bonitas está fora do alcance deles. Os homens de hoje não permitem que elas continuem a gozar de vantagens injustas, como a de terem óptimo aspecto depois de uma noitada."

Para Simpson, o Guyliner e o Manscara são "literalmente um produto da metrossexualidade" e provam que "os estereótipos sobre o que é gay e hetero e o que é masculino e feminino estão a desaparecer". A única diferença entre os cosméticos da Táxi e os já muito comuns cremes hidratantes ou correctores de olheiras é a de que os primeiros são visíveis e os outros passam despercebidos, assinala o escritor. "Mas até isso é apenas um sinal de quão fora do armário a metrossexualidade está." Bruno Horta

sábado, 9 de agosto de 2008

"Não podemos tirar Boliqueime do rapaz"

Clara Ferreira Alves no "Expresso" de Hoje:

"Desde que o Presidente Cavaco foi eleito ainda não lhe ouvi uma palavra de jeito. O Presidente alinhava umas palavras em forma de discurso, soletra umas solenidades de circunstância, meia dúzia de lugares-comuns da sensatez e outras tantas banalidades, junta uma pitada de preocupação social e vago fervor patriótico, acrescenta umas generalidades institucionais e já está.
(…)
A sua mediania coloca-o a salvo das grandes perplexidades contemporâneas e o seu desinteresse pela cultura política, ou outra, abrigam-no das interrogações que perturbaram Soares ou Sampaio, infinitamente mais cultos e mais cosmopolitas. Cavaco é o sucessor de Eanes sem a educação sociológica e histórica de Eanes. Ou seja, Eanes tornou-se um quase-intelectual com a passagem do tempo, e Cavaco permaneceu igual a si mesmo, modesto e frugal, limitado e deslocado, amarrado à âncora da sua ignorância.
(…)
De primeiro-ministro activo passou a Presidente corta-fitas. É um lugar onde ele não faz o dano que faria como chefe do Executivo.
(…)
Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade. O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Para onde foi a nossa paixão?

"O Voo Desordeiro de Eros", Vasco Prazeres. Dom Quixote, 2008.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sølve Sundsbø

É o homem por detrás de muitas das imagens publicitárias que vemos todos os dias. Sølve Sundsbø nasceu na Noruega há 37 anos e vive em Londres desde 1995. Faz fotografia publicitária e de moda Já trabalhou para marcas como Yves Saint Laurent, Levis, Nike, Gucci, Hermes, Armani, etc, etc. E fez capas para álbuns dos Røyksopp ("Eple", 2001; entre outros)e dos Coldplay ("Rush of Blood to the Head", 2002). Ver aqui e aqui.

No próximo dia 25 de Agosto inaugura uma exposição de fotografias e vídeos na famosa loja Colette, em Paris. A primeira exposição individual de Sølve foi em Fevereiro do ano passado em Londres. É representado pela agência nova-iorquina Art + Comerce (site aqui).

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Don't ask, don't tell"

Os jornalistas da CNN estão proibidos dar opinião na Internet sobre assuntos da actualidade. Não podem opinar em blogues, chats ou redes sociais, como o Myspace ou o Facebook. A regra aplica-se também aos freelancers e aos estagiários. Notícia aqui.