sábado, 27 de setembro de 2008

"Não preciso de ter um pénis para ser um homem"

No "Público" de 23 de Setembro (caderno P2); excerto:

Há 15 anos, era uma mulher. Agora, é um homem. Actor e produtor pornográfico, Buck Angel é a personagem principal da curta-metragem Schwarzwald: The Black Party, de Richard Kimmel, que passa hoje, às 23h45, no Cinema São Jorge, no âmbito do Queer Lisboa, festival de cinema gay e lésbico.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os outros também falham

A Monocle é insuspeita para dizer o que diz na edição de Setembro: "A Europa alberga três nações que deveriam ser casos de sucesso, mas estão a definhar". São elas o Reino Unido, Itália e Bélgica.
No caso do Reino Unido, tem falhas no sistema de ensino, a maior taxa de gravidez na adolescência e relações sociais cada vez menos saudáveis. Quem escreve o artigo é o jornalista australiano Andrew Muler, que vive em Londres.
A Monocle tem sede em Londres, é uma revista
nova e vai no número 16 (é mensal).

domingo, 21 de setembro de 2008

Especialista em horror

O que é interessante na revista de domingo do El País, que hoje traz na capa Penélope Cruz, não é a Penélope. É a entrevista a páginas 28 com Joanna Bourke.
Quem é ela? "Es una especialista en el horror. La guerra es su obsésion. Esta afable catedrática universitaria y escritora nos recibe en Londres para hablar sobre la violencia de ayer y de hoy", diz a entrada da entrevista.
Enrevista a propósito da edição espanhola do livro de
Joanna Bourke "Sed de Sangre: historia íntima del combate cuerpo a cuerpo en las guerras del siglo XX".

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Um certo desejo feminino

Na "Vogue" de Outubro; excerto:

Bem maquilhada, veste um top que revela um torso robusto e agita as mãos nervosas para melhor se expressar. De repente, aclara a voz com um pouco de água e dá uma gargalhada contida, embrulhada num sorriso muito irónico. É a reacção a uma pergunta que começa assim: “Uma sociedade como a espanhola, em que a ministra da Defesa [Carme Chacón] passa revista às tropas grávida…” E a gargalhada contida intromete-se. "O filho que a ministra entretanto deu à luz [em Maio ] tem como pai um antigo chefe meu que foi meu namorado”.

No início de uma tarde de calor, no escritório da editora Cavalo de Ferro, na Baixa lisboeta, a escritora espanhola Paula Izquierdo, de 46 anos, está disponível para falar sobre o seu livro Sexodependentes – 21 Histórias de Mulheres Radicais, cuja tradução portuguesa (por Gabriela Matias) acaba de ser publicada. Mas a conversa ganha outro caminho. O livro, um conjunto de vinte ensaios biográficos, não carece de grandes dissertações. É simples e de leitura fácil. Faz-nos voltar a pensar em mulheres como Janis Joplin, Edith Piaf, Virginia Woolf, Anaïs Nin, Simone de Beauvoir ou Isadora Duncan não do ponto de vista daquilo que fizeram enquanto figuras públicas, mas à luz do óbvio e ardiloso ângulo escolhido pela autora – as transgressões sexuais de que foram exímias praticantes, umas ao ponto de serem autênticas marginais da moralidade, [outras ao ponto] de se terem tornado ninfomaníacas.Mas com Paula Izquierdo à nossa frente – a mala já feita, ali ao lado, para daqui a poucas horas apanhar o voo de regresso a Madrid, cidade onde nasceu e vive – interessa mais conhecê-la a ela do que ao objecto literário que escreveu. Que pensa sobre as mulheres de hoje e a sua sexualidade [alguém que decidiu fixar em livro as intimidades de figuras históricas]?

Voltemos à pergunta que marca a conversa: a imagem da ministra espanhola da Defesa grávida, passando revista às tropas no dia da tomada de posse. É muito poderosa, não é? “Sim, é”, admite enfim a escritora. “Mas é preciso encontrar o equilíbrio e não levar as coisas ao outro extremo. Ela é uma mulher muito inteligente, se estava grávida não podia deixar de estar, claro, mas foi oportunista naquele momento. Aliás, suspeito que o primeiro-ministro Zapatero quando a convidou para ministra já tivesse em mente essa imagem forte que é uma mulher grávida. Por mim, gosto que quem está no poder seja inteligente e coerente, independentemente de ser homem ou mulher. É idiota escolher uma mulher para um lugar só por ser uma mulher”. Bruno Horta

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Un beso hasta dejar la vida

O suplemento "Domingo", do El País, contava no último domingo a história de amor de Arturo Lodeiro e Julia Muñoz. Passa-se em 1940, em pleno franquismo. Ele amava-a e foi preso e condenado ao fuzilamento. Ela amava-o e tinha no ventre um filho de ambos. Antes de morrer, ele quis casar por procuração para que ela não passasse a vergonha social de ser mãe solteira. E conseguiu. No dia da boda à distância, foi morto. E antes de morrer escreveu-lhe esta carta que o El País agora reproduz (o artigo chama-se "Boda y muerte en un día"):
Madrid, 27 de abril de 1940.

Adorada esposa: en este momento realizo mi voluntad por lo cual puedo llamarte al final de mi vida, esposa mía, y a mi niña, hija verdadera. A pesar de que los momentos no son de los más agradables, al menos me cabe la alegría de haber cumplido contigo como Dios manda. Ya, querida nenita, puedes llamarme esposo, y cuando hables a nuestra Julina de mí, le digas que su papaíto la quería mucho por ser hija tuya y por quererte como jamás quise. Tú, Julia mía, procúrate una relativa y sana felicidad. No le des a mi nena un padre que sea malo.

Ya sabes que no quiero rencores. Acepta esto con la mayor resignación y que lo consideres como un error, como lo que es. Cuando éstas recibas, ya habré dejado de existir y mi último pensamiento habrá sido para mis dos niñas inocentes y desamparadas. Ten valor, Juli, piensa en nuestra nenita.

Un beso hasta dejar la vida, para ti y la niña".

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"Quietinhas a ver se conseguem sobreviver"

Excerto da entrevista com Fernanda Rodrigues, coordenadora do Plano Nacional para a Inclusão, no "Público", hoje, assinada por Ana Cristina Pereira:

«Às vezes diz-se: “Há gente que nasceu desencorajada.” Pois nasceu! São muitas vezes a terceira ou quarta geração em situação de pobreza, vivem num ambiente sem estímulo, sem empreendedorismo. Ficam quietinhas a ver se conseguem sobreviver à vida, arranjar um jeito de passar por ela. Há que reconhecer isso sem vitimizar as pessoas, sem dizer: “Malandros, vieram ao mundo só para gastar o dinheiro do Estado e dos contribuintes.”»