sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O tempo de Ney


"Ele é o novo, é o antigo, é o que não tem tempo - e não há outro assim. (...) Mais do que um espectáculo (atenção às letras, por favor), Inclassificáveis é um manifesto: pessoal, social, musical e artístico. Pop, como ele já o disse, mas que dentro de uns anos há-de soar como um clássico." Nuno Pacheco, no "Público" de quinta-feira, 23, a propósito do concerto de Ney Matogrosso no Coliseu de Lisboa, a 21.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Outras guerras

"Cerca de 150 mil homens, antigos militares nas ex-colónias portugueses, estão a tomar fármacos para minorar os efeitos do stress pós-traumático de guerra. (...) Este número não engloba os ex-soldados que estão em tratamento fora de qualquer rede de antigos combatentes ou que recorrem apenas aos centros de saúde". Notícia aqui

sábado, 18 de outubro de 2008

"Está tudo equivocado"

Ney Matogrosso em entrevista ao "Diário de Notícias" de hoje:

Sente-se um actor?
Sou um actor antes de mais nada. Sempre foi o que busquei na minha vida.

Um transgressor?
Expressar o que se pensa e não seguir os ditames é sempre ser transgressor. Eu sou e morrerei sendo um transgressor. Sinto essa necessidade como ser humano.

Aos 67 anos continua a encontrar motivos para transgredir?
Olhe o mundo ao seu redor e me diga se não continua a haver motivos.

Reformulo a pergunta: olhando o mundo, o que é que ainda vale a pena transgredir?
Tudo. Quais são as regras? Está tudo equivocado! A regra do mundo continua a ser a do dinheiro. Não há evolução humana. Há evolução tecnológica, nada mais. Não há evolução no sentido da solidariedade, da união, da fraternidade. Dá para ter ilusões?

Pergunto-lhe eu: dá para ter ilusões?
Não, claro que não. Então, dentro das minhas possibilidades, vou expondo um pensamento que contraria a ordem estabelecida. É um direito um dever que sinto, o de me expressar com liberdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Desarmado

"Minha visão de prazer é parecia com a letra de uma canção que fiz para Dulce Quental: Inocência e Prazer. Acho que você só consegue ter prazer quando você é completamente puro, ingénuo, inocente. Se você arma de um lado e de outro, o prazer foge. Ou então, quando consegue a coisa, está exausto. Prefiro ficar desarmado frente às pessoas e factos. Então chega o prazer".

[Cazuza - Só As Mães São Felizes, de Lucinha Araújo e Regina Echeverria; ed. Palavra, 2007]

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"O que define a família é a existência de filhos"

Agora que anda muita gente interessada em falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo (alguma tão interessada que até acha que esse casamento é um direito fundamental e indiscutível, logo, um dogma) vale a pena ler isto: a opinião, conservadora só na aparência, da psicanalista e maçona Maria Belo, publicado há mais de 10 anos no número de Maio de 1998 da já extinta revista Vida Mundial (ligada ao Bloco de Esquerda).

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Contos da era da sida

Na "Time Out Lisboa" de 8 de Outubro:


Sexo, loucura, doença e morte, relações difíceis entre pais e filhos. É disto que fala o primeiro livro de contos do escritor luso-americano Richard Zimler, Confundir a Cidade com o Mar.

Escritos entre 1992 e 1997, são 16 contos anteriormente publicados em revistas literárias anglo-saxónicas (London Magazine, Yellow Silk ou Tikkun) e agora reunidos pela primeira vez. (...)

As relações entre iguais têm protagonismo e decorrem quase sempre na América, durante a década de 80, quando a sida apareceu e era tida como uma doença dos homossexuais. Ainda assim, o autor, homossexual assumido, recusa empurrar o livro para a secção gay ou queer. “Prefiro evitar rótulos”, esclarece Zimler, em resposta a perguntas da Time Out, via email.

No conto “Aprender a Amar”, por exemplo, aparece em cena um escritor octogenário, Giovanni, às portas da morte. O narrador despede-se dele, enquanto confessa: “É o único homem com quem dormi alguma vez. Não faço ideia se sou bissexual ou se tive simplesmente sorte em tê-lo conhecido. As minhas fantasias são quase sempre com mulheres, mas consegui ter sexo fantástico com ele”.

Em “Ladrões de Memórias”, o desaparecimento de um quadro do pintor Fernand Léger dá origem a uma discussão familiar. As suspeitas recaem sobre um irmão, que é gay e teria vendido o quadro para pagar tratamentos hospitalares para a sida.

Em “Pontos de Viragem”, um homem hetero tenta ajudar o jovem Denny a aceitar-se como gay e acaba por descobrir que o próprio pai teria uma sexualidade dúbia.

Segundo explica o escritor, a sua vida pessoal está plasmada nestes textos. A morte de um irmão, em 1989, vítima de complicações relacionadas com a sida, determinou o tom fúnebre que adopta e as constantes referências à loucura. “Descobri, através das minhas próprias dificuldades, que a loucura está muito perto de nós. Basta uma experiência traumática e podemos cair num mundo em que os contornos normais estão ausentes”, diz Zimler. Quanto ao sexo, aparece aqui por ter sido uma descoberta muito importante para o autor. “O sexo salvou-me a vida”, afirma. “Era um adolescente e jovem adulto tímido, reprimido e desajeitado. Quando consegui manter uma boa relação sexual com outra pessoa pela primeira vez, aos 22 anos, a minha vida melhorou muito. Foi como se pudesse respirar livremente pela primeira vez”.

Zimler nasceu Roslyn Heights, perto de Nova Iorque, em 1956. Vive em Portugal desde 1990 e ensina jornalismo na Universidade do Porto. Naturalizou-se português há seis anos. Publicou vários romances, o mais conhecido dos quais é O Último Cabalista de Lisboa (1996).

Confundir a Cidade com o Mar é editado pela Oceanos (grupo Leya) e custa cerca de 15 euros.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Homem e mulher não basta

Esta segunda-feira a rede informal activista Panteras Rosa manifesta-se em Lisboa por causa disto:
"Para controlar as identidades de género não-normativas e normalizar corpos e comportamentos, as instituições governamentais dispõem de mecanismos como a instituição médico-psiquiátrica. Influenciada por interesses religiosos, económicos e políticos, esta intervém nos corpos das pessoas trans e intersexuais reproduzindo o binarismo que pressupõe corpo e comportamento específico segundo a catalogação homem/mulher. Para legitimar este binarismo é necessário inviabilizar e patologizar todas as outras situações." blog oficial aqui