terça-feira, 28 de outubro de 2008

Impulsos

"Não se exponha inutilmente à censura dos outros, não se exponha sem precauções à crueldade dos outros. Desconfie dos impulsos ingénuos e sinceros que o colocam à mercê das feridas mais intensas".

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

"Não falávamos do mundo da arte, falávamos de criar arte"

Acabada de sair, a nova edição da Pluk, revista britânica de fotografia, faz capa com uma fotografia de Rob Pruitt. Foi tirada com um iPhone. Diz o editorial da revista que, tal como as polaróides no seu tempo, as fotos de telemóvel estão a tornar-se ubíquas e, por isso, vêm questionar o institnto dos artistas e o processo de captação de imagens.
Aquela foto, e outras da mesma série, que estão no interior da Pluk, foram expostas há poucas semanas numa galeria nova-iorquina.

Não se pode ver aquelas imagens sem pensar naquilo que Nan Goldin dizia hoje no "Público". Entrevistada por Kathleen Gomes, a propósito da sua passagem por Lisboa para participar no júri do festival DocLisboa, Nan Goldin alerta:
"A arte tornou-se um grande negócio: o ano passado, na América, havia mais pessoas inscritas em cursos de arte do que em cursos de gestão. Ou talvez tenha sido há dois anos, não sei quando é que as estatísticas saíram. Quando comecei, não sabíamos o que era a [revista] Artforum. (...) Não falávamos do mundo da arte, falávamos de criar arte. Não esperávamos enriquecer. O mundo da arte no final dos anos 70 não tinha nada a ver com dinheiro".

O tempo de Ney


"Ele é o novo, é o antigo, é o que não tem tempo - e não há outro assim. (...) Mais do que um espectáculo (atenção às letras, por favor), Inclassificáveis é um manifesto: pessoal, social, musical e artístico. Pop, como ele já o disse, mas que dentro de uns anos há-de soar como um clássico." Nuno Pacheco, no "Público" de quinta-feira, 23, a propósito do concerto de Ney Matogrosso no Coliseu de Lisboa, a 21.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Outras guerras

"Cerca de 150 mil homens, antigos militares nas ex-colónias portugueses, estão a tomar fármacos para minorar os efeitos do stress pós-traumático de guerra. (...) Este número não engloba os ex-soldados que estão em tratamento fora de qualquer rede de antigos combatentes ou que recorrem apenas aos centros de saúde". Notícia aqui

sábado, 18 de outubro de 2008

"Está tudo equivocado"

Ney Matogrosso em entrevista ao "Diário de Notícias" de hoje:

Sente-se um actor?
Sou um actor antes de mais nada. Sempre foi o que busquei na minha vida.

Um transgressor?
Expressar o que se pensa e não seguir os ditames é sempre ser transgressor. Eu sou e morrerei sendo um transgressor. Sinto essa necessidade como ser humano.

Aos 67 anos continua a encontrar motivos para transgredir?
Olhe o mundo ao seu redor e me diga se não continua a haver motivos.

Reformulo a pergunta: olhando o mundo, o que é que ainda vale a pena transgredir?
Tudo. Quais são as regras? Está tudo equivocado! A regra do mundo continua a ser a do dinheiro. Não há evolução humana. Há evolução tecnológica, nada mais. Não há evolução no sentido da solidariedade, da união, da fraternidade. Dá para ter ilusões?

Pergunto-lhe eu: dá para ter ilusões?
Não, claro que não. Então, dentro das minhas possibilidades, vou expondo um pensamento que contraria a ordem estabelecida. É um direito um dever que sinto, o de me expressar com liberdade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Desarmado

"Minha visão de prazer é parecia com a letra de uma canção que fiz para Dulce Quental: Inocência e Prazer. Acho que você só consegue ter prazer quando você é completamente puro, ingénuo, inocente. Se você arma de um lado e de outro, o prazer foge. Ou então, quando consegue a coisa, está exausto. Prefiro ficar desarmado frente às pessoas e factos. Então chega o prazer".

[Cazuza - Só As Mães São Felizes, de Lucinha Araújo e Regina Echeverria; ed. Palavra, 2007]

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"O que define a família é a existência de filhos"

Agora que anda muita gente interessada em falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo (alguma tão interessada que até acha que esse casamento é um direito fundamental e indiscutível, logo, um dogma) vale a pena ler isto: a opinião, conservadora só na aparência, da psicanalista e maçona Maria Belo, publicado há mais de 10 anos no número de Maio de 1998 da já extinta revista Vida Mundial (ligada ao Bloco de Esquerda).