sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um bolo de coisas

"Comecei a tomar anfetaminas aos 14 anos. Ficava quatro, cinco dias sem dormir. Fiz toda a universidade inglesa com anfetaminas. Nunca parava, 24 horas por dia, durante 15 anos. E estava sempre, sempre a beber. Cheguei a beber quatro garrafas por dia. Bebia álcool logo de manhã. Depois tomava cocaína, que tira o efeito do álcool, para trabalhar. Depois tomava Lexotan para relaxar. (...) Era um bolo de coisas, todas a lutar umas contra as outras, para me sentir como me sinto hoje, sem nada, normal."

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Relance

Chegou esta semana às bancas. Tem 138 páginas. Mostra coisas para comprar e consumir. O editorial de moda, de Isabel Branco (que faz capa), é muito bom, mas isso já era de esperar. Catarina Portas é uma das cronistas.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Impulsos

"Não se exponha inutilmente à censura dos outros, não se exponha sem precauções à crueldade dos outros. Desconfie dos impulsos ingénuos e sinceros que o colocam à mercê das feridas mais intensas".

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

"Não falávamos do mundo da arte, falávamos de criar arte"

Acabada de sair, a nova edição da Pluk, revista britânica de fotografia, faz capa com uma fotografia de Rob Pruitt. Foi tirada com um iPhone. Diz o editorial da revista que, tal como as polaróides no seu tempo, as fotos de telemóvel estão a tornar-se ubíquas e, por isso, vêm questionar o institnto dos artistas e o processo de captação de imagens.
Aquela foto, e outras da mesma série, que estão no interior da Pluk, foram expostas há poucas semanas numa galeria nova-iorquina.

Não se pode ver aquelas imagens sem pensar naquilo que Nan Goldin dizia hoje no "Público". Entrevistada por Kathleen Gomes, a propósito da sua passagem por Lisboa para participar no júri do festival DocLisboa, Nan Goldin alerta:
"A arte tornou-se um grande negócio: o ano passado, na América, havia mais pessoas inscritas em cursos de arte do que em cursos de gestão. Ou talvez tenha sido há dois anos, não sei quando é que as estatísticas saíram. Quando comecei, não sabíamos o que era a [revista] Artforum. (...) Não falávamos do mundo da arte, falávamos de criar arte. Não esperávamos enriquecer. O mundo da arte no final dos anos 70 não tinha nada a ver com dinheiro".

O tempo de Ney


"Ele é o novo, é o antigo, é o que não tem tempo - e não há outro assim. (...) Mais do que um espectáculo (atenção às letras, por favor), Inclassificáveis é um manifesto: pessoal, social, musical e artístico. Pop, como ele já o disse, mas que dentro de uns anos há-de soar como um clássico." Nuno Pacheco, no "Público" de quinta-feira, 23, a propósito do concerto de Ney Matogrosso no Coliseu de Lisboa, a 21.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Outras guerras

"Cerca de 150 mil homens, antigos militares nas ex-colónias portugueses, estão a tomar fármacos para minorar os efeitos do stress pós-traumático de guerra. (...) Este número não engloba os ex-soldados que estão em tratamento fora de qualquer rede de antigos combatentes ou que recorrem apenas aos centros de saúde". Notícia aqui

sábado, 18 de outubro de 2008

"Está tudo equivocado"

Ney Matogrosso em entrevista ao "Diário de Notícias" de hoje:

Sente-se um actor?
Sou um actor antes de mais nada. Sempre foi o que busquei na minha vida.

Um transgressor?
Expressar o que se pensa e não seguir os ditames é sempre ser transgressor. Eu sou e morrerei sendo um transgressor. Sinto essa necessidade como ser humano.

Aos 67 anos continua a encontrar motivos para transgredir?
Olhe o mundo ao seu redor e me diga se não continua a haver motivos.

Reformulo a pergunta: olhando o mundo, o que é que ainda vale a pena transgredir?
Tudo. Quais são as regras? Está tudo equivocado! A regra do mundo continua a ser a do dinheiro. Não há evolução humana. Há evolução tecnológica, nada mais. Não há evolução no sentido da solidariedade, da união, da fraternidade. Dá para ter ilusões?

Pergunto-lhe eu: dá para ter ilusões?
Não, claro que não. Então, dentro das minhas possibilidades, vou expondo um pensamento que contraria a ordem estabelecida. É um direito um dever que sinto, o de me expressar com liberdade.