sábado, 15 de novembro de 2008

Uma esquerda aniquilada

"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, em Londres. Por cá ficou ainda Manuel Maria Carrilho, que toma posse, em Janeiro, como embaixador na UNESCO." (Excerto da notícia "Esquerda do PS não acredita em Manuel Alegre como salvador", de Cristina Figueiredo, no "Expresso" de hoje.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Amália, o filme

Aí está o "trailer" de Amália, o Filme, de Carlos Coelho da Silva, que se estreia a 4 de Dezembro (notícia sobre a rodagem aqui):

terça-feira, 11 de novembro de 2008

La Divina in Cucina

O livro "Segredos Culinários de Maria Callas - Histórias, Receitas e Sabores" é apresentado hoje, ao fim da tarde, no Teatro Nacional de de São Carlos, em Lisboa. É uma edição da Assírio & Alvim e aparece dois anos depois de o original ter saído em Itália. Em Dezembro de 2006, a "Sábado" dava conta da publicação de "La Divina in Cucina":

domingo, 9 de novembro de 2008

"Não usar pontuação é uma atitude inculta"

"Por exemplo, o caso do Saramago com a pontuação. É muito irritante, irritante e inculto, que não haja o cuidado da pontuação. A pontuação faz parte da escrita. É ultra-importante. (...) Não usar pontuação é uma atitude inculta. Pode ser uma atitude propositada mas é inculto, no sentido de não civilizado. Mal-educado, se quiseres. O Saramago é um escritor admirável, pela tenacidade dele e pela maneira como ele vive as histórias. (...) [Mas] eu não gosto nada dos livros dele. Acho os livros dele mal escritos. Mal escritos no sentido de serem convencidos da sua própria grandeza, da importância do que ele diz. É uma espécie de declaração ao mundo. Não uma história. (...) Isso fazem os filósofos e outras pessoas assim. Os romancistas são contadores de histórias".

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mário Viegas: Se fosse vivo, faria 60 anos

Na "Time Out Lisboa" de 5 de Novembro; excerto:


“Nunca fui um homossexual porco. Nem chulo. Mas com os meus olhos castanhos, caracóis, 26 e 27 anos, bigode latino-americano, fui um êxito sexual”. Assim falava o actor, encenador e declamador Mário Viegas, que, se fosse vivo, faria esta semana 60 anos. Nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948, às 23.30, meia hora antes do Dia de S. Martinho – escreveu o próprio na folha de sala da peça Europa Não! Portugal Nunca! (1995).


(...)Polemista até à medula, acabaria por protagonizar, em 1995, um episódio de antologia. Em Setembro desse ano, o deputado do Partido Socialista Carlos Candal publica o famoso Breve Manifesto Anti-Portas em Português Suave, onde insinua que Paulo Portas, então candidato pelo CDS às eleições legislativas, é homossexual. Mário Viegas aparece então numa conferência de imprensa da UDP, partido pelo qual se candidataria mais tarde à Presidência da República, e afirma: “Sou homossexual assumido, estou na política e a UDP nunca me colocou qualquer entrave”. Classifica como “nojento” o manifesto de Candal, porque “ofende milhões de homossexuais que sofrem perseguições”.


Em relação à vida dos outros parecia gostar de igual transparência. Além da frase “quando é que tantos actores se assumem, cobardes”, que anotou na autobiografia, deixou escapar, numa entrevista, em 1993, esta pérola: “Não acho que seja necessário ser amante dos políticos para receber subsídios. Acham que o La Féria, que recebe tantos subsídios, é amante do Santana Lopes [à época secretário de Estado da Cultura]? Que eu saiba, o Santana Lopes não é homossexual”. Bruno Horta

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coreo-grafias

Estão aqui quase todos os portugueses da dança: os coreógrafos, os bailarinos, os teóricos, os críticos, os professores. Edição monumental, onde se explora, alegadamente pela primeira vez, a relação entre a dança e a literatura.
A "Textos e Pretextos" é uma revista da Faculdade de Letras de Lisboa. Este número foi editado por Luiz Antunes. O lançamento oficial é na segunda-feira, dia 10, na Lx Factory, às 18h30.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"toda a cama a céu aberto como um peito"

Capa do primeiro número da revista literária "Criatura", publicada em Fevereiro (o segundo número saiu há dias). A "Criatura" é dirigida pelo Núcleo Autónomo Calíope, da Faculdade de Direito de Lisboa.
Do primeiro número, pois, um poema de Nuno Araújo, brilhante, como sempre:
à meia-luz, no sono rarefeito deste licor, escrevo-te de cigarro nos dedos, atropelando as páginas embriagadas. é cirúrgico o amor que se instala por dentro dos lençóis, toda a cama a céu aberto como um peito. adormeceste assim, insinuando-te como uma boca junto das minhas palavras mais fechadas. não sei se esta febre é rasgada dos lábios que se colam à narrativa do teu corpo ou se bebo se não com todo o medo. acendo outro cigarro porque a manhã ainda tarda neste cinzeiro antigo. Fumo muito quando dormes assim, como um incêndio carpindo as faúlhas do tempo.