"Quando a rebeldia psicadélica ainda está na moda, embora a LSD e as suas afins comecem a parecer excessivas para os novos tempos, reaparece a cocaína como droga «adulta» e inclusivamente «cortês». (...) Os seus consumidores, em 1970, são uns cinco milhões de norte-americanos, que adquirem cocaína bastante pura a preços acessíveis, com poucos casos de intoxicação. (...) Bastam dois anos para que os cinco milhões de iniciados se convertam em mais de 30. (...) Tal como a heroína socializa o mal-estar, a cocaína socializa o bem-estar ao nível mais ostensivo, no espelho em que se olha quem a aspira usando uma nota de cem dólares ou um pequeno tubo de ouro, sentindo-se introduzido numa selecta atmosfera de prazer e mudanidade. É também um modo de imitar os marginais sem se marginalizar, com uma substância que não ameaça levar de «viagem» e faz parte da aura dos triunfadores, usada por artistas, executivos e políticos para se manterem onde estão". (pp. 161 e 162)terça-feira, 18 de novembro de 2008
Imitar os marginais
"Quando a rebeldia psicadélica ainda está na moda, embora a LSD e as suas afins comecem a parecer excessivas para os novos tempos, reaparece a cocaína como droga «adulta» e inclusivamente «cortês». (...) Os seus consumidores, em 1970, são uns cinco milhões de norte-americanos, que adquirem cocaína bastante pura a preços acessíveis, com poucos casos de intoxicação. (...) Bastam dois anos para que os cinco milhões de iniciados se convertam em mais de 30. (...) Tal como a heroína socializa o mal-estar, a cocaína socializa o bem-estar ao nível mais ostensivo, no espelho em que se olha quem a aspira usando uma nota de cem dólares ou um pequeno tubo de ouro, sentindo-se introduzido numa selecta atmosfera de prazer e mudanidade. É também um modo de imitar os marginais sem se marginalizar, com uma substância que não ameaça levar de «viagem» e faz parte da aura dos triunfadores, usada por artistas, executivos e políticos para se manterem onde estão". (pp. 161 e 162)segunda-feira, 17 de novembro de 2008
"Só se houver um acordo radical"
No fundo, a pergunta permanece: para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país da lusofonia?
sábado, 15 de novembro de 2008
Uma esquerda aniquilada
"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento,
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Amália, o filme
terça-feira, 11 de novembro de 2008
La Divina in Cucina

domingo, 9 de novembro de 2008
"Não usar pontuação é uma atitude inculta"
"Por exemplo, o caso do Saramago com a pontuação. É muito irritante, irritante e inculto, que não haja o cuidado da pontuação. A pontuação faz parte da escrita. É ultra-importante. (...) Não usar pontuação é uma atitude inculta. Pode ser uma atitude propositada mas é inculto, no sentido de não civilizado. Mal-educado, se quiseres. O Saramago é um escritor admirável, pela tenacidade dele e pela maneira como ele vive as histórias. (...) [Mas] eu não gosto nada dos livros dele. Acho os livros dele mal escritos. Mal escritos no sentido de serem convencidos da sua própria grandeza, da importância do que ele diz. É uma espécie de declaração ao mundo. Não uma história. (...) Isso fazem os filósofos e outras pessoas assim. Os romancistas são contadores de histórias".sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Mário Viegas: Se fosse vivo, faria 60 anos
Na "Time Out Lisboa" de 5 de Novembro; excerto:
“Nunca fui um homossexual porco. Nem chulo. Mas com os meus olhos castanhos, caracóis, 26 e 27 anos, bigode latino-americano, fui um êxito sexual”. Assim falava o actor, encenador e declamador Mário Viegas, que, se fosse vivo, faria esta semana 60 anos.
(...)Polemista até à medula, acabaria por protagonizar, em 1995, um episódio de antologia. Em Setembro desse ano, o deputado do Partido Socialista Carlos Candal publica o famoso Breve Manifesto Anti-Portas
Em relação à vida dos outros parecia gostar de igual transparência. Além da frase “quando é que tantos actores se assumem, cobardes”, que anotou na autobiografia, deixou escapar, numa entrevista, em 1993, esta pérola: “Não acho que seja necessário ser amante dos políticos para receber subsídios. Acham que o