terça-feira, 18 de novembro de 2008

Imitar os marginais

"Quando a rebeldia psicadélica ainda está na moda, embora a LSD e as suas afins comecem a parecer excessivas para os novos tempos, reaparece a cocaína como droga «adulta» e inclusivamente «cortês». (...) Os seus consumidores, em 1970, são uns cinco milhões de norte-americanos, que adquirem cocaína bastante pura a preços acessíveis, com poucos casos de intoxicação. (...) Bastam dois anos para que os cinco milhões de iniciados se convertam em mais de 30. (...) Tal como a heroína socializa o mal-estar, a cocaína socializa o bem-estar ao nível mais ostensivo, no espelho em que se olha quem a aspira usando uma nota de cem dólares ou um pequeno tubo de ouro, sentindo-se introduzido numa selecta atmosfera de prazer e mudanidade. É também um modo de imitar os marginais sem se marginalizar, com uma substância que não ameaça levar de «viagem» e faz parte da aura dos triunfadores, usada por artistas, executivos e políticos para se manterem onde estão". (pp. 161 e 162)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Só se houver um acordo radical"

"Estão a fazer um grande escândalo à volta do Acordo Ortográfico. Para mim, é perder tempo discutir estas questões. Só se houver um acordo radical para escrever da mesma forma em todos os países ou, então, não vale nada." - Pepetela, hoje, aqui.
No fundo, a pergunta permanece:
para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país da lusofonia?

sábado, 15 de novembro de 2008

Uma esquerda aniquilada

"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, em Londres. Por cá ficou ainda Manuel Maria Carrilho, que toma posse, em Janeiro, como embaixador na UNESCO." (Excerto da notícia "Esquerda do PS não acredita em Manuel Alegre como salvador", de Cristina Figueiredo, no "Expresso" de hoje.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Amália, o filme

Aí está o "trailer" de Amália, o Filme, de Carlos Coelho da Silva, que se estreia a 4 de Dezembro (notícia sobre a rodagem aqui):

terça-feira, 11 de novembro de 2008

La Divina in Cucina

O livro "Segredos Culinários de Maria Callas - Histórias, Receitas e Sabores" é apresentado hoje, ao fim da tarde, no Teatro Nacional de de São Carlos, em Lisboa. É uma edição da Assírio & Alvim e aparece dois anos depois de o original ter saído em Itália. Em Dezembro de 2006, a "Sábado" dava conta da publicação de "La Divina in Cucina":

domingo, 9 de novembro de 2008

"Não usar pontuação é uma atitude inculta"

"Por exemplo, o caso do Saramago com a pontuação. É muito irritante, irritante e inculto, que não haja o cuidado da pontuação. A pontuação faz parte da escrita. É ultra-importante. (...) Não usar pontuação é uma atitude inculta. Pode ser uma atitude propositada mas é inculto, no sentido de não civilizado. Mal-educado, se quiseres. O Saramago é um escritor admirável, pela tenacidade dele e pela maneira como ele vive as histórias. (...) [Mas] eu não gosto nada dos livros dele. Acho os livros dele mal escritos. Mal escritos no sentido de serem convencidos da sua própria grandeza, da importância do que ele diz. É uma espécie de declaração ao mundo. Não uma história. (...) Isso fazem os filósofos e outras pessoas assim. Os romancistas são contadores de histórias".

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mário Viegas: Se fosse vivo, faria 60 anos

Na "Time Out Lisboa" de 5 de Novembro; excerto:


“Nunca fui um homossexual porco. Nem chulo. Mas com os meus olhos castanhos, caracóis, 26 e 27 anos, bigode latino-americano, fui um êxito sexual”. Assim falava o actor, encenador e declamador Mário Viegas, que, se fosse vivo, faria esta semana 60 anos. Nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948, às 23.30, meia hora antes do Dia de S. Martinho – escreveu o próprio na folha de sala da peça Europa Não! Portugal Nunca! (1995).


(...)Polemista até à medula, acabaria por protagonizar, em 1995, um episódio de antologia. Em Setembro desse ano, o deputado do Partido Socialista Carlos Candal publica o famoso Breve Manifesto Anti-Portas em Português Suave, onde insinua que Paulo Portas, então candidato pelo CDS às eleições legislativas, é homossexual. Mário Viegas aparece então numa conferência de imprensa da UDP, partido pelo qual se candidataria mais tarde à Presidência da República, e afirma: “Sou homossexual assumido, estou na política e a UDP nunca me colocou qualquer entrave”. Classifica como “nojento” o manifesto de Candal, porque “ofende milhões de homossexuais que sofrem perseguições”.


Em relação à vida dos outros parecia gostar de igual transparência. Além da frase “quando é que tantos actores se assumem, cobardes”, que anotou na autobiografia, deixou escapar, numa entrevista, em 1993, esta pérola: “Não acho que seja necessário ser amante dos políticos para receber subsídios. Acham que o La Féria, que recebe tantos subsídios, é amante do Santana Lopes [à época secretário de Estado da Cultura]? Que eu saiba, o Santana Lopes não é homossexual”. Bruno Horta