terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O argumento

"É lamentável que de uma vida tão rica, de uma existência tão cheia de factos interessantes e de uma raiz familiar com personagens de invulgar grandeza humana, a escolha do argumento deturpe tão grosseiramente a realidade". Aqui

domingo, 30 de novembro de 2008

Os autodeterminados

"Com o nascimento do capitalismo e do seu corolário, o assalariado, os homens e as mulheres vêem-se constrangidos, inicialmente no mercado de trabalho, depois, rapidamente, na sua vida privada, a agir como indivíduos autodeterminados.(...) A lógica do individualismo que se introduz nas relações humanas eleva-os deste modo até à esfera do amor moderno, selectivo e sentimental. (...) Doravante é o amor profano - e já não o amor a Deus - que irá dar significado à existência dos indivíduos."
Luc Ferry, Famílias, Amo-vos, Círculo de Leitores, 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Negócio Pessoa

"Nós já comprámos, já comprámos há dez, 15, 20 anos. Agora, parece que há mais, mas nós pagámos pela totalidade, não pagámos por uma parte. Não podem estar a vender uma parte da qual nós não tínhamos conhecimento e se nós a comprássemos, estaríamos a legitimar a segunda venda do que já foi vendido anteriormente e do que pensávamos que já tínhamos." Aqui

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Padrões bem conhecidos

"O papel da Comunicação Social na esmagadora maioria dos processos sobre pedofilia em todo o mundo tem sido simultaneamente responsável e irresponsável, sério e manipulador, justo e perverso, mentiroso e clarificador, difamatório e defensor dos direitos dos cidadãos, informativo e persecutório, incompetente e de alta qualidade, honesto e sem escrúpulos.
A cada um destes adjectivos corresponde normalmente uma publicação, um canal de televisão ou uma estação de rádio que escolhe, à partida, um dos três campos possíveis: o da acusação (sem qualquer juízo crítico), o da defesa (sem qualquer distanciamento) ou o da simples Verdade. Ou um quarto: o dos vendedores da banha da cobra. A esses interessa é vender, mesmo que o produto prejudique a saúde.
No caso Casa Pia encontramos de tudo isto. Assim, tenho como projecto de segundo livro um estudo sobre o comportamento da Imprensa e Televisão portuguesas neste caso polémico e estranho, mas que, já não tenho dúvidas, obedece a padrões bem conhecidos."
Carlos Cruz, Preso 374, Oficina do Livro, 2004

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Olivera at his desk

O Google está a publicar online o arquivo fotográfico da "Life". Parece que ao todo são 10 milhões de fotos. Mas, para já, só estão disponíveis dois milhões. Aqui.
A "Life" apareceu em 1883, diz a Wikipedia. Foi semanal, foi mensal, abriu, fechou, mudou de mãos. Encerrou definitivamente no ano passado. Até ver. Se se pesquisar a palavra "Portugal" no 'site' Google/Life só aparecem 200 fotos velhas e relhas. Figuras públicas portuguesas só lá estão o marechal Carmona e esta personagem (há gralha na legenda e tudo):
Antonio de Olivera Salazar sitting at his desk. Lisbon, Portugal, 1940. Photographer: Bernard Hoffman.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Na terceira maior montanha do mundo

Recebido agora mesmo por email:
"I'm just back home from my latest ski expedition to Kangchenjunga (8586m) in Nepal. Together with my Norwegian partner Jörgen Aamot I tried to make the first ski descent of the third highest mountain in the world. Unfortunately we were forced back by heavy snowfall and had to give up the summit. Anyway, the expedition gave me good confidence for the future and I will be back next year to make a new attempt on Kangchenjunga." - Fredrik Ericsson

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Imitar os marginais

"Quando a rebeldia psicadélica ainda está na moda, embora a LSD e as suas afins comecem a parecer excessivas para os novos tempos, reaparece a cocaína como droga «adulta» e inclusivamente «cortês». (...) Os seus consumidores, em 1970, são uns cinco milhões de norte-americanos, que adquirem cocaína bastante pura a preços acessíveis, com poucos casos de intoxicação. (...) Bastam dois anos para que os cinco milhões de iniciados se convertam em mais de 30. (...) Tal como a heroína socializa o mal-estar, a cocaína socializa o bem-estar ao nível mais ostensivo, no espelho em que se olha quem a aspira usando uma nota de cem dólares ou um pequeno tubo de ouro, sentindo-se introduzido numa selecta atmosfera de prazer e mudanidade. É também um modo de imitar os marginais sem se marginalizar, com uma substância que não ameaça levar de «viagem» e faz parte da aura dos triunfadores, usada por artistas, executivos e políticos para se manterem onde estão". (pp. 161 e 162)