"Centenas de árvores foram cortadas no pinhal do Gancho, entre Altura e Monte Gordo, para dar lugar a mais um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), com 2041 camas e campo de golfe. Os ambientalistas clamam contra mais um "crime anunciado". (...) O empreendimento Verdelago desenvolve-se em 94 hectares, desde a EN 125 até ao mar, junto à praia Verde. A devastação do pinhal já começou, o avanço do betão em direcção ao mar está para breve. (...).
Promovido pelo grupo Inland - Promoção Imobiliária, presidido por Luís Filipe Vieira, prevê-se a construção de um hotel com 197 quartos, um campo de golfe e um aldeamento turístico (moradias geminadas e isoladas), num total de mais de duas mil camas.
A [associação ambientalista] Almargem, na fase de maior contestação pública ao projecto, apresentou à Comissão Europeia uma queixa contra o Estado português, alegando a violação do direito comunitário, por poderem vir a ser afectados vários habitats protegidos naquela zona, nomeadamente à volta dos charcos na propriedade. A reclamação não teve provimento. (...) A avaliação dos estudos de impacto ambiental veio a concluir que era possível construir o campo de golfe e as moradias sem interferir com a vida natural à volta dos charcos."
Excertos da notícia "Pinhal já está a ser abatido para construir duas mil camas junto à praia Verde", por Idálio Revez, no "Público", hoje
Entrevista com o psicólogo social João Manuel de Oliveira, na "Time Out Lisboa" de 26 de Novembro; excerto:
Em que ponto de evolução está o movimento LGBT português?
Acho que já conseguiu um estatuto que lhe permite dialogar com instituições oficiais. E conseguiu uma coisa importante que foi a alteração do artigo 13º da Constituição, que agora proíbe a discriminação em função da orientação sexual. Se não houvesse movimento LGBT essa conquista não existiria.
Apesar disso, as associações LGBT portuguesas têm muita dificuldade em reconhecer que são um lóbi. Porquê?
Porque em Portugal há uma representação negativa da ideia de lóbi. E porque dizer isso é uma forma de desqualificação desses colectivos. O lóbi faz-se sobretudo junto de instituições políticas, mas eles têm uma actividade que vai além disso, de sensibilização da opinião pública, de apoio a pessoas, de manifestações. E isso não é fazer lóbi.
Para a maioria das pessoas o lóbi gay é outra coisa, é uma poderosa teia de interesses obscuros.
É verdade que em Portugal há muitas coisas que funcionam através do poder das relações, o chamado clientelismo, mas eu pergunto: se existe um lóbi gay, como é que os gays continuam a ser tratados como são? Se existe, esse lóbi não tem efeito.
Como o movimento gay só começou a ter força em Portugal nos anos 90 e em pouco tempo avançou muito, isso pode ser um sinal de que o lóbi funciona.
É preciso perceber porque é que se avançou. Para a questão da igualdade de género, a entrada na União Europeia foi essencial, porque nos obrigou a uniformizar a nossa legislação. E depois porque Portugal não podia continuar a apresentar-se nos fóruns internacionais como país que discrimina os seus cidadãos. Isso seria um indicador negativo de desenvolvimento.
O mesmo governo que faz finca-pé em exigir aos professores que se submetam a uma avaliação para progredirem na carreira por mérito, acaba de dizer que, na banca, não há lugar a avaliação nem a consequências da falta de mérito: se as coisas correrem bem, fiquem com os lucros; se correrem mal, dêem cá os prejuízos."
"É lamentável que de uma vida tão rica, de uma existência tão cheia de factos interessantes e de uma raiz familiar com personagens de invulgar grandeza humana, a escolha do argumento deturpe tão grosseiramente a realidade".Aqui
"Com o nascimento do capitalismo e do seu corolário, o assalariado, os homens e as mulheres vêem-se constrangidos, inicialmente no mercado de trabalho, depois, rapidamente, na sua vida privada, a agir como indivíduos autodeterminados.(...) A lógica do individualismo que se introduz nas relações humanas eleva-os deste modo até à esfera do amor moderno, selectivo e sentimental. (...) Doravante é o amor profano - e já não o amor a Deus - que irá dar significado à existência dos indivíduos." Luc Ferry, Famílias, Amo-vos, Círculo de Leitores, 2008
"Nós já comprámos, já comprámos há dez, 15, 20 anos. Agora, parece que há mais, mas nós pagámos pela totalidade, não pagámos por uma parte. Não podem estar a vender uma parte da qual nós não tínhamos conhecimento e se nós a comprássemos, estaríamos a legitimar a segunda venda do que já foi vendido anteriormente e do que pensávamos que já tínhamos." Aqui
"O papel da Comunicação Social na esmagadora maioria dos processos sobre pedofilia em todo o mundo tem sido simultaneamente responsável e irresponsável, sério e manipulador, justo e perverso, mentiroso e clarificador, difamatório e defensor dos direitos dos cidadãos, informativo e persecutório, incompetente e de alta qualidade, honesto e sem escrúpulos. A cada um destes adjectivos corresponde normalmente uma publicação, um canal de televisão ou uma estação de rádio que escolhe, à partida, um dos três campos possíveis: o da acusação (sem qualquer juízo crítico), o da defesa (sem qualquer distanciamento) ou o da simples Verdade. Ou um quarto: o dos vendedores da banha da cobra. A esses interessa é vender, mesmo que o produto prejudique a saúde. No caso Casa Pia encontramos de tudo isto. Assim, tenho como projecto de segundo livro um estudo sobre o comportamento da Imprensa e Televisão portuguesas neste caso polémico e estranho, mas que, já não tenho dúvidas, obedece a padrões bem conhecidos." Carlos Cruz, Preso 374, Oficina do Livro, 2004