quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O nome e a coisa

Quase todas as edições online dos jornais têm a notícia, mas só um jornal diz o nome:


"O advogado Paulo Sá e Cunha, responsável pela defesa do ex-provedor da Casa Pia, Manuel Abrantes, referiu-se, hoje, no início das suas alegações, a um documento que levanta suspeitas do envolvimento do ex-ministro Paulo Portas no escândalo de pedofilia"
- Público


«É ou não de estranhar que este documento estivesse guardado por Catalina Pestana e não estivesse nos autos?» questionou o advogado, lembrando que o manuscrito continha o nome de um político ligado ao Governo da altura (PSD/CDS-PP), o mesmo Executivo que a nomeou para dirigir a instituição. - Sol

No início das suas alegações finais, o advogado Paulo Sá e Cunha fez críticas à investigação, atacou Catalina Pestana, revelou não partilhar a tese da cabala, mas envolveu o CDS no escândalo. - Correio da Manhã

ACTUALIZAÇÃO: O Público alterou aquele 'lead', passando a falar apenas em "suspeitas do envolvimento de um ex-governante".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Igualdade?

"When did marriage have anything to do with equality? Respectability, certainly. Normality, possibly. Stability, hopefully. Very hopefully. But equality? First of all, there’s something gay people and their friends need to admit to the world: gay and straight long-term relationships are generally not the same. How many heterosexual marriages are open, for example?" Mark Simpson, sobre o casamento gay, aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ele era maricas, não era?

A abóbada celeste, por cima do telhado
É tão azul, tão calma!
Uma árvore, por cima do telhado
Embala uma palma.

"Lembrei-me deste início de poema de Paul Verlaine, escrito quando se encontrava preso na Bélgica. Recitei-o um dia. Os reclusos ouviram e depois, decorrido um momento de silêncio que imaginei repleto de emoção, um deles perguntou: 'Ele era maricas, não era?'"

Philippe Claudel, O Barulho das Chaves, ASA, 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PIN

"Centenas de árvores foram cortadas no pinhal do Gancho, entre Altura e Monte Gordo, para dar lugar a mais um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), com 2041 camas e campo de golfe. Os ambientalistas clamam contra mais um "crime anunciado". (...) O empreendimento Verdelago desenvolve-se em 94 hectares, desde a EN 125 até ao mar, junto à praia Verde. A devastação do pinhal já começou, o avanço do betão em direcção ao mar está para breve. (...).

Promovido pelo grupo Inland - Promoção Imobiliária, presidido por Luís Filipe Vieira, prevê-se a construção de um hotel com 197 quartos, um campo de golfe e um aldeamento turístico (moradias geminadas e isoladas), num total de mais de duas mil camas.

A [associação ambientalista] Almargem, na fase de maior contestação pública ao projecto, apresentou à Comissão Europeia uma queixa contra o Estado português, alegando a violação do direito comunitário, por poderem vir a ser afectados vários habitats protegidos naquela zona, nomeadamente à volta dos charcos na propriedade. A reclamação não teve provimento. (...) A avaliação dos estudos de impacto ambiental veio a concluir que era possível construir o campo de golfe e as moradias sem interferir com a vida natural à volta dos charcos."

Excertos da notícia "Pinhal já está a ser abatido para construir duas mil camas junto à praia Verde", por Idálio Revez, no "Público", hoje

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Se existe, o lóbi gay não tem efeito"

Entrevista com o psicólogo social João Manuel de Oliveira, na "Time Out Lisboa" de 26 de Novembro; excerto:


Em que ponto de evolução está o movimento LGBT português?

Acho que já conseguiu um estatuto que lhe permite dialogar com instituições oficiais. E conseguiu uma coisa importante que foi a alteração do artigo 13º da Constituição, que agora proíbe a discriminação em função da orientação sexual. Se não houvesse movimento LGBT essa conquista não existiria.


Apesar disso, as associações LGBT portuguesas têm muita dificuldade em reconhecer que são um lóbi. Porquê?

Porque em Portugal há uma representação negativa da ideia de lóbi. E porque dizer isso é uma forma de desqualificação desses colectivos. O lóbi faz-se sobretudo junto de instituições políticas, mas eles têm uma actividade que vai além disso, de sensibilização da opinião pública, de apoio a pessoas, de manifestações. E isso não é fazer lóbi.


Para a maioria das pessoas o lóbi gay é outra coisa, é uma poderosa teia de interesses obscuros.

É verdade que em Portugal há muitas coisas que funcionam através do poder das relações, o chamado clientelismo, mas eu pergunto: se existe um lóbi gay, como é que os gays continuam a ser tratados como são? Se existe, esse lóbi não tem efeito.


Como o movimento gay só começou a ter força em Portugal nos anos 90 e em pouco tempo avançou muito, isso pode ser um sinal de que o lóbi funciona.

É preciso perceber porque é que se avançou. Para a questão da igualdade de género, a entrada na União Europeia foi essencial, porque nos obrigou a uniformizar a nossa legislação. E depois porque Portugal não podia continuar a apresentar-se nos fóruns internacionais como país que discrimina os seus cidadãos. Isso seria um indicador negativo de desenvolvimento.


Então não há lóbi gay?

Não sei se há, se não há.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dêem cá os prejuízos

"O problema deste PS é a veneração e a deferência, quase temor reverencial, que sempre mostra para com os negócios dos muito ricos. Nos tempos que correm, o PS português parece ser, aliás, o último bastião ideológico onde ainda se acredita que os grandes negócios empresariais são o fermento essencial à saúde económica do país. Já nem nos Estados Unidos há quem se atreva agora a dizer que o que é bom para a General Motors é bom para o país.

(…)

O mesmo governo que faz finca-pé em exigir aos professores que se submetam a uma avaliação para progredirem na carreira por mérito, acaba de dizer que, na banca, não há lugar a avaliação nem a consequências da falta de mérito: se as coisas correrem bem, fiquem com os lucros; se correrem mal, dêem cá os prejuízos."

Miguel Sousa Tavares, "Expresso", hoje

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O argumento

"É lamentável que de uma vida tão rica, de uma existência tão cheia de factos interessantes e de uma raiz familiar com personagens de invulgar grandeza humana, a escolha do argumento deturpe tão grosseiramente a realidade". Aqui