sábado, 10 de janeiro de 2009

A defesa do apresentador

"Mais do que do Ministério Público, este é um processo da televisão" e que vitimou inocentes, como Carlos Cruz, na opinião dos seus advogados. "Tenho a certeza moral da sua inocência. A mesma que tenho, quando vou a casa da minha mãe, de que a sopa não está envenenada", disse Sá Fernandes ao tribunal.
[excerto da notícia "Este é um processo da televisão, acusam advogados de Cruz no processo Casa Pia", por Paula Torres de Carvalho, no "Público", hoje]

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"Picket lines and picket signs"



Artigo sobre o disco aqui.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

É tudo autênico

No jornal tive meia dúzia de colegas que se ofereceu para ajudar na entrevista...
Isso deve-se muito à campanha fortíssima comigo em lingerie que encheu as ruas de Lisboa e que me põe numa situação de uma mulher sensual. Tive uma grande exposição física e esse meu lado passou a ser mais falado.
P: Essa exposição é real?
R: Sim, completamente. É tudo verdadeiro.
[Cláudia Vieira,
modelo e actriz, em entrevista ao DN, aqui]
.
.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A defesa do embaixador

Comunicado Medidas Cautelares"Todos [os jovens, testemunhas] sabem descrever a casa de Elvas por fora. Mas por dentro não há nenhum que acerte". aqui

domingo, 4 de janeiro de 2009

Entrevista com Ivo Pintanguy

"Minha mãe nunca fez nenhuma operação estética. Me ensinou também que a pessoa, quando se tolera, não precisa fazer cirurgia nenhuma! [risos] Importante é você gostar de você. A finalidade da cirurgia é trazer o bem-estar; e quando ela pode, tem uma legitimação enorme. (…) Sabe que as coisas muito bonitas nunca foram tocadas?"


"Era um garoto sonhador, muito curioso. Nunca fiz da realidade, embora respeitando-a, a minha mestra, para que eu não fosse seu escravo."

"As pessoas que fizeram coisas importantes, na arte, na literatura ou no plano social, são todas pessoas interessantes, mas não transmitem obrigatoriamente coisas interessantes. Elas são interessantes pelo que fazem, pelo que representam."


"É sobretudo na vulnerabilidade, na fragilidade, que demonstramos a nossa força. Porque, paradoxalmente, quando está mostrando a sua força, está mostrando alguma coisa, não está sendo. E quando está sendo, está sobrevivendo ao que os outros poderiam pensar, está sendo o que você é. É difícil avaliar o que é força e o que é fragilidade."


"Quando me perguntam porque é que os homens hoje fazem mais cirurgias do que faziam anteriormente, posso responder de mil maneiras; mas uma das coisas que digo é que a mulher ocupou uma força tal no mundo que ele pode se permitir aquela que é talvez a sua maior força: a sua fragilidade, e fazer o que quiser com o seu corpo. É uma coisa que parece tola, mas não é."

"A medicina é uma arte aplicada, não é uma coisa normativa. É uma criatividade permanente, é um bom senso. E não existe uma habilidade
como lhe disse, a mão é o instrumento primordial do cérebro."


"Sempre mantive uma relação com o meu corpo dentro do meu biótipo, com o melhor que ele pode me oferecer, e com muito respeito. Embora possa me permitir alguns excessos, mas não vou viver neles. O corpo merece um cuidado especial, é o nosso santuário. Até hoje tenho o cuidado de exercitar."

[excertos da entrevista com Ivo Pintanguy, "o mais famoso cirurgião plástico do mundo", na revista "Pública", por Anabela Mota Ribeiro, hoje]

sábado, 3 de janeiro de 2009

A crise é permanente














"Crise é o estado permanente em que sempre vivemos, desde a modernidade. Nas primeiras décadas do século XX, não houve palavra tão declinada, e o tom foi de pessimismo cultural. (...) Crise é o que a cultura ocidental arrasta consigo, a partir do momento em que se deu conta de que 'a nossa hora é a época do declínio'. A crise é consubstancial a uma cultura crítica (veja-se a etimologia comum das duas palavras), como mostrou um famoso historiador alemão - Koselleck - ao estudar a 'patogénese do mundo burguês'."
[António Guerreiro, Expresso, hoje]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Este homem transformou poesia em jornalismo

Era 14 de Abril de 1930 e ele já tinha perdido tudo. A amante, a fama, a multidão que delirava ao escutá-lo, o vigor das cordas vocais e, pior ainda, a fé na Revolução. Só lhe faltava perder a vida. Pôs-se a jogar à roleta russa, impecavelmente vestido, como exigia a tradição da época, e sobre o coração descarregou o tambor de um revólver.

Deixou uma mensagem de despedida, decalcada de um poema que em tempos tinha dedicado à amante Tatiana Iakovleva. Com um verso principal: “O barco do amor desfez-se contra a repetição monótona da vida”.

Se até o momento do suicídio Vladímir Maiakovski (1893-1930) transformou em poema-notícia da morte, porque não pode ele ser conhecido como poeta-repórter da vida? Mais de 78 anos depois, um dos nomes principais do futurismo russo começa finalmente a libertar-se do anátema de propagandista da Revolução Soviética e a ganhar outra espessura. A isso obriga a leitura do livro Night Wraps de Sky (ed. Farrar, Straus and Giroux), publicado este ano [2008] nos EUA e organizado por Michael Almereyda, publicista, argumentista e realizador.

O livro, de quase 300 páginas, compacta décadas de textos e ensaios acerca e da autoria do poeta georgiano (Maiakovski nasceu na Geórgia, quando o país ainda não tinha sido anexado pela URSS; apesar disso, era de origem russa e não georgiana).

Logo na introdução, recorda-se Maiakovski como o agitador e propagandista que também foi. E, precisamente por isso, sentencia-se a novidade: “O que ele verdadeiramente desejava era fazer da poesia uma ruidosa notícia de última hora”, escreve Almereyda. Mais à frente, aparece um excerto de um texto do próprio poeta, I, Myself (1922), onde, no contexto de um desabafo, a tese de Almereyda é confirmada: “Tento conscientemente trabalhar como um jornalista de jornal. Artigo, título. Outros poetas bem tentam, mas não conseguem uma escrita jornalística concisa, limitam-se a publicar em suplementos socialmente irresponsáveis. A lírica de merda deles faz-me rir, porque é preguiçosa e só interessa às mulheres deles."

(...)

Seguindo pistas do livro americano, é possível encontrar vários herdeiros legítimos do louco futurista. O estilo jornalístico de Maiakovski seria seguido, mais de 30 depois da sua morte, por poetas americanos como Allen Ginsberg, Kenneth Koch e Frank O’Hara. “Apaixonaram-se por ele, absorvendo técnicas (a quebra de versos longos, o uso flexível do “eu” e do “tu”) e a inquietude que mistura no sujeito poético política e personalidade, confissão e reportagem”, escreve Almereyda.

[no "Ípsilon", do Público, hoje; texto: Bruno Horta; foto: V.V. Mayakovsky Museum, Moscow; excerto.]

Versão integral aqui.