sábado, 24 de janeiro de 2009

Frase do ano (até agora)

"A mim ninguém me contactou para vender ou comprar. E para comprar tem que 'cantar' muito dinheirinho".
Joe Berardo em entrevista ao "Público"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Lançar o debate

José Sócrates quer lançar o debate sobre o casamento gay (aqui). Quer lançar o debate, não disse que quer mudar o Código Civil. O que não quer (não disse, mas mandou dizer) é a adopção de crianças por casais do mesmo sexo (aqui), o que só faz sentido se a lei da adopção for entretanto alterada.

Será bom, a propósito, recordar compromissos que ficam por cumprir: o programa do actual Governo dizia que “é preciso um amplo debate nacional sobre igualdade e orientação sexual” (aqui).


Reacções à proposta do PS:

- associação ILGA - aqui (Lusa/Expresso)

- associação Panteras Rosa - aqui (Lusa)

- associação Opus Gay - aqui (Sol/Lusa)

- Juventude Socialista - aqui (Público)

- Igreja Católica - aqui (Correio da Manhã)

- Partido da Nova Democracia - aqui (IOL)

- Grupo Rumos Novos - aqui (Lusa/Expresso)


domingo, 18 de janeiro de 2009

Ary dos Santos morreu há 25 anos

Não é hoje o símbolo gay que a sua personalidade teria permitido que fosse, mas pertence-lhe a coragem de ter sido um dos poucos homossexuais portugueses que se assumiram publicamente antes do 25 de Abril. José Carlos Ary dos Santos, poeta e declamador compulsivo, homem da noite de Lisboa, desregrado e escandaloso, morreu a 18 de Janeiro de 1984 – faz [hoje] 25 anos.
Viveu na contradição de todos saberem da sua orientação sexual, mas de ele próprio não se aceitar. (...)
Em parte, terá sido a militância no Partido Comunista Português (PCP), ao qual aderiu em 1969, a condicioná-lo. A homossexualidade “provocava indisfarçável embaraço no aparelho partidário”, lê-se na nota biográfica sobre Ary incluída no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, de Ilídio Rocha (1999). Uma visão desmentida por Ruben de Carvalho, dirigente do PCP e amigo do poeta. “Isso é um dislate, ele é das pessoas que mais afectos sempre despertaram junto dos militantes comunistas”, assegura à Time Out. “A única coisa que se pode dizer é que ele não tinha em relação à sua homossexualidade um exibicionismo que outros, no seu pleno direito, poderão ter”, conclui.
[na Time Ou Lisboa de 14 de Janeiro; artigo completo aqui]

A propósito: no "Jornal de Negócios", Baptista- Bastos recordava esta semana Ary dos Santos; aqui.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Explícito ou implícito?

"O documento [moção ao congresso do PS, a 27 de Fevereiro] entregue ontem ao fim da tarde, foi preparado por uma equipa coordenada por António Costa e composta por Pedro Silva Pereira, Edite Estrela, Helena André, Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Jorge Lacão, Osvaldo Castro, Vera Jardim e Pedro Adão e Silva.

A versão entregue não era, porém, um texto fechado. Havia casos e situações em que foram preparadas várias formulações escritas que davam a Sócrates a decisão final. Neste caso estava, por exemplo, o que a moção de estratégia dirá sobre o casamento entre homossexuais. Ainda que a expressão casamento civil não apareça na versão final, a ideia é que fique bem explícito o reconhecimento do princípio, mas a decisão sobre como fazê-lo foi deixada ao veredicto do secretário-geral."

"Público", hoje, aqui


"A moção global que José Sócrates apresentará no próximo congresso do PS deverá conter um compromisso claro do partido no sentido de legalizar os direitos conjugais iguais entre hetero e homossexuais. A proposta estará amanhã em cima da mesa, na última reunião do grupo redactor da moção, presidido por António Costa. Caberá a José Sócrates a palavra final. Membros deste grupo admitiram ao DN que dificilmente haverá margem para o líder recusar um discurso clarificador na matéria."

"Diário de Notícias" de 14 de Janeiro, aqui

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sarilhos

“Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam."
D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, ontem, aqui

"É um conselho de imprescindível realismo que seguramente qualquer um de nós de cultura ocidental e de religião cristã, ou então de cultura árabe e de religião muçulmana, daria para bem de ambas as partes e das respectivas famílias"
Padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, hoje, aqui

"No Islão, não há casamentos mistos, o que implica sempre a adopção ou a aceitação da religião, com todas as consequências que traz um casamento islâmico. (...) É um facto que em muitos países da Europa, como Espanha, França, Alemanha, há muitos casos de mulheres iludidas por homens islâmicos, que não lhes revelam toda a verdade. (...) Na actualidade não há outra religião como a islâmica, que mantenha leis de prepotência dos homens sobre as mulheres, à excepção de pequenos grupos religiosos."
Moisés Espírito Santo, sociólogo das religiões, hoje, aqui

"Conheço relações mistas, exemplos de sucesso e amor, que demonstram que a felicidade é possível."
Rosário Farmhouse, Alta Comissária para a Imigração e o Diálogo Intercultural, hoje, aqui

"
Nunca tive problemas nenhuns com a família dele. Nunca nada me foi imposto nem fui pressionada a fazer nada. Aceito perfeitamente os usos e costumes dele e ele aceita os meus."
Portuguesa casada com um muçulmano marroquino, hoje, aqui

"Ficámos de alguma forma magoados com a escolha das palavras do senhor patriarca de Lisboa relativamente à nossa comunidade e ao diálogo que temos procurado com todas as confissões religiosas e, em particular, com as religiões cristãs."
Abdool Vakil,
Comunidade Islâmica de Lisboa, hoje, aqui

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nada justifica tal distinção

"Esta semana, duas jornalistas francesas recusaram a Legião de Honra que lhes ia ser atribuída pelo Presidente da República. De regresso de férias, Françoise Fressoz e Marie-Eve Malouines descobriram que os seus nomes figuravam na lista de promoção à Legião de Honra. Com uma argumentação quase idêntica, decidiram porém que 'nada, no percurso profissional [delas], justifica tal distinção'."
[J.-M Nobre-Correia, no "Diário de Notícias" de 10 de Janeiro; aqui]

sábado, 10 de janeiro de 2009

A defesa do apresentador

"Mais do que do Ministério Público, este é um processo da televisão" e que vitimou inocentes, como Carlos Cruz, na opinião dos seus advogados. "Tenho a certeza moral da sua inocência. A mesma que tenho, quando vou a casa da minha mãe, de que a sopa não está envenenada", disse Sá Fernandes ao tribunal.
[excerto da notícia "Este é um processo da televisão, acusam advogados de Cruz no processo Casa Pia", por Paula Torres de Carvalho, no "Público", hoje]