sábado, 7 de março de 2009

Censura do "jornal oficial"

"O incidente entre José Eduardo Martins (PSD) e Afonso Candal (PS), que acabou quinta-feira com insultos do social-democrata ao deputado socialista, não vai ter consequências internas e as frases polémicas nem sequer vão figurar nas actas da reunião, que ontem estavam ainda a ser transcritas pelos serviços da Assembleia da República (AR).
Tanto a direcção da bancada do PS como a do PSD e a própria mesa da AR se certificaram de que as frases não seriam transcritas na acta. Aliás, a regra desde a década de 80 -- depois de uma troca de palavras azedas entre Francisco Sousa Tavares e Jerónimo de Sousa -- é que o Diário da Assembleia não transcreve palavras obscenas ou asneiras, por ser "um jornal oficial". E, de facto, na versão a que o PÚBLICO teve ontem acesso, as palavras polémicas alegadamente ditas -- "vai para o c[aralho]" -- não aparecem. Até porque os funcionários terão tido dúvidas sobre o que realmente foi dito."
[no "Público", hoje]

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segunda-feira, 2 de março de 2009

A biblioteca de Richard Prince

"Richard Prince, the American contemporary artist best known for his controversial plagiarism of magazine advertisements – notably his Marlboro cigarette cowboy series – has been assembling what New York book dealers describe as one of the most valuable and distinctive modern libraries in private hands. “Basically, my collection is about sex, drugs, Beat [poets], hippies, punks – and great reads,” said Prince, who keeps his most valuable manuscripts, letters and autographed literary memorabilia in a fireproof, waterproof, room-size vault near his studio in northern New York state"

[The Sunday Times, ontem, aqui]


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domingo, 1 de março de 2009

Felicidade construída

"Até que ponto é uma pessoa feliz?", perguntou a "Visão". "Sou feliz", responderam 73,5% dos inquiridos.

A sondagem, lê-se na ficha técnica, foi feita entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, através de 1052 entrevistas pessoais (e não telefónicas, como é habitual) a portugueses de ambos os sexos, com mais de 15 anos, residentes no continente.

Curiosamente, um estudo da European Social Survey (instituição de sondagens financiada pela Comissão Europeia e pela Fundação Europeia de Ciência), feito em 2002, tirou conclusões contrárias às da sondagem da "Visão". A European Social Survey fez exactamente a mesma pergunta, mas com hipóteses de resposta numa escala de zero a dez. A média das respostas dos portugueses foi de 6,84.
Em 2004, repetiu-se a pergunta. Os portugueses responderam 6,48. Pouco felizes, portanto.

A propósito da sondagem, a socióloga Ana Roque Dantas escreve na "Visão" um artigo em que diz que a felicidade é uma forma de sentir, mas o sentir é, além de outras coisas, uma construção social. Logo, existe "um modelo de felicidade fortemente condicionado por representações sociais e marcado por uma crescente valorização".

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Estrela da rádio

"O jornalista Fernando Alves vai estar mais presente na antena da TSF, sobretudo no período entre as 07.00 e as 10.00, de segunda a sexta-feira. "Ele vai continuar a fazer a sua crónica Sinais, como até aqui, a revista de títulos de jornais e ainda a revista de imprensa, em que se vai pensar sobre as notícias dos jornais. Além disso fará uma outra rubrica, chamada Sublinhados, em que vai olhar para a Internet e destacar coisas em que se possa reflectir, incluindo blogues", contou [o director da TSF] Paulo Baldaia."
[DN, hoje, aqui]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fotos dos caixões

"The press will now be allowed to photograph the flag-draped coffins of America's war dead as their bodies are returned to the United States — but only if their families agree. The decision, which lifts a 1991 blanket ban on such photographs put in place by former President George Bush, chiefly affects coffins arriving from Iraq and Afghanistan that go through Dover Air Force Base in Delaware. (...) Under the new policy, photographs will not be permitted of coffins if the families say no."

[International Herald Tribune, ontem, aqui]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os silêncios e os rapazes

Em 1944 há uma ordem de serviço da Mocidade Portuguesa que determina a expulsão de dois dirigentes. Um por “não ter sabido honrar o uniforme”. O outro por “falta de idoneidade moral”. Que significam estes eufemismos? “Admito que se tratasse de casos de pederastia ou de homossexualidade, admito, mas não encontrei provas”, diz à Time Out o jornalista Joaquim Vieira, 58 anos, autor do livro ‘Mocidade Portuguesa’, recentemente publicado (ed. Esfera dos Livros).
Nada no livro, a não ser a imagética, remete para a questão gay – porque, como explica o autor, nenhum dos antigos dirigentes da Mocidade Portuguesa com quem falou se quis alongar nesse tema. E nenhum dos documentos consultados se refere à homossexualidade. (...) Ao mesmo tempo que ‘militarizava’ a população masculina, a organização pretendia que os rapazes entre os sete e os 25 anos colocassem no centro das suas vidas a ideologia do regime, a religião católica e, principalmente, a cultura física.

Entre 200 a 500 mil rapazes em idade escolar eram todos os anos chamados à organização. Algumas das fotos mostram essa dimensão física. E sobre elas não será difícil fazer uma leitura homoerótica. Contactado pela Time Out, o historiador Fernando Rosas, especialista no Estado Novo, assegura que essa leitura faz todo o sentido. “O culto do corpo, da juventude e da raça, tal como na Juventude Hitleriana, remete para uma perspectiva homossexual e por vezes erótica”, explica. De resto, a expulsão de um dirigente por “falta de idoneidade moral” é, para o historiador, “o exemplo acabado da linguagem oficial da época para casos de práticas pedófilas ou homossexuais”.

[Na "Time Out Lisboa", ontem; excerto; artigo completo aqui]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Menos jornais, mais corrupção

"The World Bank produces an annual index of political corruption around the world, based on surveys of people who do business in each country. In a study published in 2003 in The Journal of Law, Economics, and Organization, Alicia Adsera, Carles Boix, and Mark Payne examine the relationship between corruption and "free circulation of daily newspapers per person" (a measure of both news circulation and freedom of the press). Controlling for economic development, type of legal system, and other factors, they find a very strong association: the lower the free circulation of newspapers in a country, the higher it stands on the corruption index."
[Paul Starr, The New Republic de 4 de Março, aqui]