quarta-feira, 13 de maio de 2009

Primário e secundário

A propósito disto, seria bom ler isto:

1 - Psychoanalytic methodology alone does not allow us to construct a new theory of homosexuality. Nor do psychoanalytic clinicians necessarily need a new theory. What we do need is something new when it comes our work with homosexual patients: a new, or renewed, capacity for analytic listening.

2 - (...) This renewed capacity for analytic listening would include the possibility (but never the certainty) that homosexuality might be primary rather than something inherently conflictual and secondary.

3 - (...) Renewed analytic listening would allow us to hear more from our patients about what it is like to grow up homosexual. The series of developmental narratives that homosexuals often tell includes
such experiences as (1) early feelings of difference and a sense that this difference is bad and should remain hidden (Vaughan 1999; Corbett 1996); (2) experiences of gender atypicality (Corbett 1998; Iasenza 1995); (3) the experience of self-recognition regarding the nature of the early sense of difference and of its roots in one’s sexuality (Magee and Miller 1997); (4) the conscious construction of a facade designed to protect against unwitting disclosure of homosexual feelings (Vaughan 1999; O’Connor and Ryan 1993); (5) repetitive instances of inadvertent sexual overstimulation by parents and peers because of false assumptions about one’s sexual orientation—e.g., exposure to nudity in same-sex parents, exposure to friends in locker rooms and sleepover situations (Phillips 2001); (6) painful eqxperiences of selfhatred related to internalized homophobia (Friedman and Downey 1995; Sophie 1987; Moss 1997); and (7) the process of self-disclosure and coming out followed by consolidation of a positive gay identity (Isay 1996). Listening for and hearing these common narratives of growing up homosexual will make us better analysts in that the more stories we know, the greater will be our understanding of our patients.
["Psychoanalysis and Homosexuality: Do We Need a New Theory?", de Elizabeth L. Auchincloss e Susan C. Vaughan, Journal of the American Psychoanalytic Association, 2001, aqui]

terça-feira, 12 de maio de 2009

Quando os homossexuais se tornaram homens

Os gays de Tom of Finland já não eram os homens andróginos e efeminados que a pose de Oscar Wilde tinha criado na cabeça das pessoas. Deixaram de ser vistos como qualquer coisa parecida com as mulheres – o terceiro sexo, como então se dizia. Eram agora fisicamente tão robustos quanto os heterossexuais, tinham profissões tão viris como os outros e mesmo que fossem sexualmente passivos orgulhavam-se disso.
[na Time Out Lisboa de 6 de Maio]
imagens do livro Tom of Finland XXL (org. Dian Hanson), ed. Taschen, 2009. 150€.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Podem, mas não devem

"O Público de 2 de Maio continha um artigo intitulado "Tratamentos para alterar orientação sexual não são uma coisa do passado". Tudo começou com a petição online de um homem de 30 anos que reclama "um comprimido, uma injecção", para fazer face ao "enorme desgosto por sofrer de tendências homossexuais".
(...)
Dezenas de anos depois de a homossexualidade ter deixado de ser considerada doença pela comunidade internacional, alguns dos nossos psiquiatras (com responsabilidades!) falam de "homossexualidade primária", com "cunho biológico marcado" e de "homossexualidade secundária", ou desenvolvem a possibilidade de "reenquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento sexualizado".
O problema não é saber se os psiquiatras podem tratar homossexuais, a questão é que não devem. É certo que muitos homossexuais revelam sintomas psicopatológicos, mas a análise cuidada dessas manifestações demonstra que elas são devidas à discriminação sofrida: quem não se sentirá mal se for alvo sistemático de troça ou de humilhação? O papel dos terapeutas, perante um eventual pedido, deverá ser o de capacitar para a luta contra a homofobia, ajudando a que sejam capazes de afirmar a sua orientação sexual primeiro junto de pessoas próximas, depois (se o desejarem) em contextos mais alargados.
(...)
As declarações são ainda mais graves quando já se iniciou entre nós a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque não faltarão referências a estas posições como justificativas da não alteração da legislação sobre o casamento, embora elas não possuam qualquer justificação."
[Daniel Sampaio, revista Pública, ontem]

domingo, 10 de maio de 2009

Hedi Slimane no colégio militar

Hedi Slimane fotografou os alunos de Saint-Cyr, o mítico colégio militar francês mandado construir por Napoleão no início do século XIX. O Libération publicou algumas das fotos na sua revista Next, a 2 de Maio.

O especialista do Libération em assuntos militares publicou no seu blogue uma pequena entrevista com Slimane.

Nem todas as fotos que aqui estão são as mesmas que saíram no jornal francês. Foram retiradas directamente do site oficial de Slimane.

sábado, 9 de maio de 2009

"Não me venham alargá-la"

Um católico que vote no PS não está a cumprir os preceitos do Evangelho?

Não conheço o programa do PS, porque os programas dos partidos ainda não foram tornados públicos.


Conhece a parte do casamento homossexual. É abusivo dizer que a Igreja diz aos católicos para não votarem PS...

Podem fazer essa leitura. Não me peçam a mim que a faça. Porque o que dizemos sobre o casamento homossexual — acusam-nos erradamente de ser homofóbicos — só tem a ver com o conceito de família. Aliás, seria preciso mudar o Código Civil e dar uma volta à Constituição. Com a cultura que recebi, com a fé que tenho e com a compreensão da humanidade que tenho, perfilho uma concepção de família. Não me venham alargá-la ao infinito. Agora se vota neste ou naquele partido, ah isso é responsabilidade sua! Tem de se confrontar com o querer um determinado tipo de sociedade e, depois, amanhã, assumir as consequências disso.

[José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, entrevistado pelo Expresso, hoje]

foto de António Pedro Ferreira

Acabado de ouvir

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Marilyn French, 1929-2009

"Critics accused her work of being anti-male, frequently citing a female character in “The Women’s Room” who declares, after her daughter has been raped: 'All men are rapists, and that’s all they are. They rape us with their eyes, their laws, and their codes'.
[NYT, aqui]
foto daqui