segunda-feira, 13 de julho de 2009

"Falta eleger um presidente gay na América"

A Newsweek já lhe chamou “o gay mais poderoso da América”. É verdade?

Acho que dizem isso porque já cá ando há muitos anos e faço parte da História desta comunidade. Trabalho nisto há 50 anos, penso que não há ninguém nesta área há tanto tempo.

Considera-se uma pessoa poderosa?

Considero-me uma pessoa com opiniões muito fortes. Acho que nos podemos tornar reféns desses títulos, porque passamos a viver de acordo com as expectativas que eles criam. É preferível viver de acordo com os meus próprios valores, sejam eles populares ou não.

(...)

A seguir ao casamento e à adopção que caminho poderá o movimento gay seguir?

Quem tem capacidade e recursos para lutar tem a obrigação moral de ajudar os que vivem em países do Médio Oriente e algumas zonas de África. Portanto, o caminho é dar a mão aos nossos irmãos e irmãs desses países.

E na América, o que falta fazer?

Eleger um presidente gay.

Um presidente gay?

Claro, se já temos Obama, por que não nós?

Acha que ainda vai ser vivo para assistir a isso?

Talvez. Também nunca pensei estar vivo para assistir ao casamento gay. Por que não pensar em grande?

[excerto da entrevista com o activista gay norte-americana David Mixner, no Público (P2), hoje]

sábado, 11 de julho de 2009

Uma mulher

Para que conste, esta reportagem sobre o Arraial Pride 2009 (publicada na edição on-line da Time Out Lisboa a 7 de Julho e na edição impressa a 8 de Julho) tem um erro factual:

A chuvada que às três da manhã caía sobre Lisboa obrigou o Arraial Pride a meter a viola no saco. O DJ Rui Murka tentava resistir com Frankie Goes To Hollywood e a verdade é que o “Relax” até levou muita gente a despir a t-shirt e dançar à chuva. Mas não havia condições e a organização teve mesmo de decretar o fim da festa.

Nem mesmo este desfecho antecipado arruinou o Arraial Pride 2009, na noite de 27 para 28 de Junho, junto à Torre Belém. Pode dizer-se que não houve mácula na 13.ª edição da mais antiga festa LGBT portuguesa, organizada pela associação ILGA Portugal. Cada vez menos ‘guetizado’, o Arraial começa a prestar mais atenção à boa qualidade do cartaz. E, no entanto, não deixa de ser um momento tão ou mais político que a Marcha do Orgulho LGBT. Foi, por exemplo, criado um espaço de convívio para crianças, com o objectivo de tornar visível a homoparentalidade.

António Variações foi cantado por duas vezes (por Plastic Poney e pelos Les Baton Rouge). A travesti Ruth Bryden foi homenageada num espectáculo de Deborah Kristal e amigas. O auge chegou com a espanhola Terremoto de Alcorcón, um homem vestido de mulher que canta êxitos de Madonna ou Gloria Gaynor com letra apalhaçada. Gritava “maricones”, “vivan los coños”, dançava, parodiava, era a rainha da noite. Muitos casais ‘hetero’, bom ambiente, ar profissional.

E muitas mulheres. Só os discursos não se ausentaram, coisa que a ILGA anunciara. Paulo Côrte-Real e Sara Martinho, dirigentes da associação, foram ao palco dizer que é preciso lutar para que gays e lésbicas possam em breve fazer a pergunta: “Queres casar comigo?”.



La Terremoto de Alcorcón é uma mulher, de facto. Não um travesti. Há mais sobre ela na Wikipedia. A mesma reportagem foi reproduzida no blogue oficial do Arraial Pride, tendo os autores desse blogue decidido suprimir o erro factual, sem no entanto indicarem que o estavam a fazer.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

No Brasil ou em Marte

Miguel Sousa Tavares ao DN, ontem:

Ultimamente as suas crónicas são muito pessimistas.

Porque estou muito zangado com Portugal.

Anda-lhe mesmo a apetecer ir-se embora, emigrar?

Onde é que foi buscar isso?

No dia 22 de Junho, na sua crónica que dizia que "o País está um sufoco, sem saída e sem viabilidade à vista".

Não, não! Essa ideia de que eu quero emigrar?

Não há ninguém que queira viver num país como este descrito por si. Pelo menos, no seu perfeito juízo.

Mas é verdade. Estou a pensar ir-me embora.

É?

É verdade. Estou a pensar nisso há um ano.

Para ir para onde?

Para o Brasil. É um país novo, de que eu gosto há muitos anos. E sou muito bem tratado sem ser popular na rua, o que é óptimo. É um país optimista, não está cansado, não está desiludido, sem esperança. Mesmo que agora haja tanta asneira feita no Brasil, todos os dias, não é? Só que eles têm espaço e tempo para uma maior dose de asneira do que nós. Agora desvendei uma coisa que não era suposto desvendar, mas é um plano que ando a alimentar há um tempo, de facto.

[aqui]


***

Saramago ao DN, hoje:

"José Saramago confessa a sua preocupação com a hipótese de a pianista Maria João Pires renunciar à nacionalidade portuguesa e ir viver para o Brasil. Quanto ao caso do autor de 'Rio das Flores', o Nobel da Literatura de 1998 diz-se "bastante indiferente". (…) Ao responder brevemente sobre o caso deste autor, disse: "Tanto me faz que ele vá para o Brasil ou para Marte"."

[aqui]

domingo, 5 de julho de 2009

Discreta erotização

"Figurar Sócrates literalmente entre as mulheres não visa apenas a 'outra metade' que pode decidir uma eleição. Trata-se também de fazer perpassar uma discreta erotização que se demarca, ponto por ponto, dos processos de difamação pessoal a que o primeiro-ministro tem sido sujeito".
[João Lopes, no Sound + Vision]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Explicações

The mainstream media is leaving the public in the dark by failing to explain basic information about the news (...). Audiences are being made to feel confused and excluded by reports they do not understand, according to the paper 'Public Trust In The News' by academics from Manchester and Leeds Universities, published by the Reuters Institute for the Study of Journalism.
(...)
The study also suggested that while mass media leaves many people feeling powerless and uncertain of what to believe, the internet helps them understand the news.
[notícia do 'site' journalism.co.uk sobre o relatório Public Trust In The News, aqui em PDF]

terça-feira, 30 de junho de 2009

Os outros é que fazem

"Sobre as questões de sexualidade, os portugueses mudaram muito pouco e os valores variam apenas um a dois pontos percentuais [em relação ao mesmo inquérito em 1999]. Quando se lhes pergunta se concordam que se faça nudismo nas praias ou se veja filmes pornográficos, são evasivos e dizem que não acham 'nem bem, nem mal'. No entanto, reprovam que se pratique relações sexuais com vários parceiros ou relações extraconjugais: sete em cada dez inquiridos acham 'mal'."
[notícia sobre o inquérito Dez Anos de Valores em Portugal, d
a Universidade Católica; no Público, hoje, aqui]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vergonha do passado

"Forty years on from the Stonewall riots started by drag queens, hustlers and homeless youths high on drugs – outsiders with nothing to lose – gays have moved up in the world, become middle-aged and promptly found plenty of things to be ashamed of. Like all arrivistes (...) they’re particularly ashamed of their past.
(...)
In the Twenty First century, respectability is fast shaping up to be the New Closet. Or The Closet 2.0, if you like annoying software references. And the custodians of the New Closet are not paddy-wagons and queer-bashers, but gays themselves, itching to conform to standards of hypocrisy more and more straight people are abandoning."
[Mark Simpson, aqui]