sábado, 25 de julho de 2009

António Variações, um filme

"A produtora Utopia Filmes está judicialmente impedida de utilizar o guião ou qualquer material produzido e pesquisado pelo realizador João Maia para o projecto do filme sobre António Variações, mas tenciona avançar já em Setembro com um novo argumento para um filme sobre a vida do cantor. João Maia [que interpôs uma providência cautelar contra a Utopia Filmes, há seis meses], por seu turno, continua a querer "fazer o filme que António Variações merecia" e pondera recorrer da decisão para tentar impedir a Utopia de filmar sobre Variações.
(...)
"Para já os meus direitos estão salvaguardados", disse João Maia ao PÚBLICO, que analisa o seu passo seguinte. O tribunal, a cuja decisão o PÚBLICO teve acesso, indeferiu o pedido de João Maia de interditar a Utopia Filmes de produzir qualquer filme sobre António Variações"
[no Público, hoje]

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Harvey Milk à lisboeta

Eis a primeira pessoa assumidamente homossexual a candidatar-se a um cargo público em Portugal. Miguel Vale de Almeida quer ser deputado pelo círculo de Lisboa nas listas do PS.
Entrevista aqui.
foto de Carlos Manuel Martins

[CORRECÇÃO: Não se trata da primeira pessoa assumidamente homossexual a candidatar-se a um cargo público em Portugal. O actor Mário Viegas candidatou-se a deputado pela UDP em 1995, e, no mesmo ano e pelo mesmo partido, à presidência da República, como se pode comprovar aqui]

sábado, 18 de julho de 2009

O problema é a circuncisão

1
Não sabemos se o presidente do Instituto Português do Sangue (IPS) é ou não homofóbico. E não é possível sabê-lo através das suas declarações públicas. Ele limitou-se a sublinhar a resposta que o Ministério da Saúde deu a um requerimento do Bloco de Esquerda sobre a alegada discriminação de homossexuais nos serviços do Estado que fazem recolha de sangue.

Disse o Ministério ao Bloco: "A necessidade de garantir que os potenciais dadores não têm comportamentos de risco (...) leva à exclusão dos (...) que declararem ter tido relações homossexuais". Foi a primeira vez que o Ministério admitiu oficialmente tal prática.

A seguir, disse o presidente do IPS aos jornalistas: "Por razões anatómicas os homens estão mais expostos a doenças graves". Refere-se, obviamente, à circuncisão. É mais que sabido que os homens não circuncidados têm maior probabilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis. A revista científica
The Lancet já publicou estudos sobre isso: aqui e aqui. As mulheres não têm, deste ponto de vista, comportamentos de risco.
2
Entretanto, o coordenador nacional para a infecção VIH/sida admite que "os homossexuais têm prevalência mais alta de algumas infecções, nomeadamente de hepatite". Mas acrescenta que não há razões para excluir grupos da dádiva de sangue. Concorda com a exclusão, mas não a admite.
3
A acreditar no Ministério, a pergunta que se faz aos potenciais dadores não é sobre a sua orientação sexual. É sobre as suas práticas sexuais - o que faz sentido. No 'site' do IPS diz-se que está excluído da dádiva de sangue quem, "sendo homem ou mulher, teve contactos sexuais com múltiplos (as) parceiros(as)" ou "teve um[a] novo(a) parceiro(a) nos últimos seis meses".
4
Uma associação LGBT, a ILGA, veio dizer que que "em vez de perguntarem especificamente sobre comportamentos de risco, optaram por uma lógica errada". A lógica desta associação LGBT é que está errada: ao perguntar a homens se tiveram sexo com vários homens é sobre comportamentos de risco que se está a perguntar, não sobre a orientação sexual. Sexo com homens qualquer um pode ter: seja 'hetero', 'homo' ou 'bi', assumido ou não assumido, de facto ou de circunstância.
5
Dir-se-á que o importante não são os questionários prévios à dádiva de sangue, (triagem clínica). O importante são os testes que têm de ser feitos ao sangue recolhido, porque só esse critério é objectivo, científico, não discriminatório e não permeável à mentira. Claro que sim, mas optar apenas pela segunda seria esquecer as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1975 e seria ir contra a lei portuguesa. A triagem por meio de questionário é obrigatória.
6
Pode haver homofobia no IPS e no Ministério da Saúde, mas nada até agora o comprova. Mas para que não paire a ideia de discriminação em função da orientação sexual, o Ministério precisa de obrigar os serviços de recolha de sangue a perguntar mais coisas aos homens que tiveram sexo com vários homens: se são ou não circuncidados e se usaram ou não preservativo. Homofobia é outro departamento.


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A Lua de Eurico da Fonseca

A humanidade chegou à Lua há 40 anos, a 21 de Julho de 1969. Foi Eurico da Fonseca quem relatou o acontecimento na rádio portuguesa (aos microfones da Emissora Nacional). Em 1994, a Notícias Magazine, revista do DN, entrevistou-o. Texto de José Mário Silva, foto de Fernando Borges.
Biografia de Eurico da Fonseca aqui.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Podíamos dar cabo da nossa vida

A Chiado Editora decidiu adiar sine die a publicação do romance A Última Madrugada do Islão, de André Ventura, cuja apresentação estava marcada para sábado, alegando que o conteúdo da obra (uma ficção em torno dos últimos anos de vida de Yasser Arafat) exige "prudência".

O editor Gonçalo Martins explicou que, após o livro ter sido publicitado no Facebook, a editora recebeu e-mails com "ameaças": "Escreveram que podíamos estar a dar cabo da nossa vida."

(…)

André Ventura, por seu lado, diz que as "ameaças" poderão ter origem "em pessoas relacionadas com a comunidade [islâmica] ou alguém que devote admiração a Arafat", apontando, contudo, que está "estupefacto" com a "possibilidade de o livro ficar nas prateleiras por motivos religiosos".
"Há dados sobre a homossexualidade de Arafat, assim como a sua relação com o tráfico de droga, que dão uma imagem muito diferente do líder da OLP e que a comunicação social chegou a revelar", diz o autor.

[Público, hoje]

segunda-feira, 13 de julho de 2009

"Falta eleger um presidente gay na América"

A Newsweek já lhe chamou “o gay mais poderoso da América”. É verdade?

Acho que dizem isso porque já cá ando há muitos anos e faço parte da História desta comunidade. Trabalho nisto há 50 anos, penso que não há ninguém nesta área há tanto tempo.

Considera-se uma pessoa poderosa?

Considero-me uma pessoa com opiniões muito fortes. Acho que nos podemos tornar reféns desses títulos, porque passamos a viver de acordo com as expectativas que eles criam. É preferível viver de acordo com os meus próprios valores, sejam eles populares ou não.

(...)

A seguir ao casamento e à adopção que caminho poderá o movimento gay seguir?

Quem tem capacidade e recursos para lutar tem a obrigação moral de ajudar os que vivem em países do Médio Oriente e algumas zonas de África. Portanto, o caminho é dar a mão aos nossos irmãos e irmãs desses países.

E na América, o que falta fazer?

Eleger um presidente gay.

Um presidente gay?

Claro, se já temos Obama, por que não nós?

Acha que ainda vai ser vivo para assistir a isso?

Talvez. Também nunca pensei estar vivo para assistir ao casamento gay. Por que não pensar em grande?

[excerto da entrevista com o activista gay norte-americana David Mixner, no Público (P2), hoje]