terça-feira, 25 de agosto de 2009

Primeiro guia gay de descontos de Lisboa

Começa a ser vendido este fim-de-semana em Lisboa o primeiro guia gay de descontos da cidade, anunciou hoje a agência de comunicação Live. Trata-se do Gayline, um livro com vales de desconto no valor total de 100 euros. O preço de cada exemplar é de cinco euros.
“O Gayline pretende ser um guia actualizado dos principais pontos gay ou gay-friendly da cidade, dando a conhecer ao público estrangeiro gay a noite de Lisboa, cada vez mais reconhecida a nível europeu”, diz o comunicado da Live.
A tiragem do Gayline é de 10 mil exemplares. Vai estar à venda em postos de turismo de Lisboa, hotéis e quiosques.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Formoso, mas não seguro

Problemas sérios para os defensores do casamento gay. Há duas formas de ele se tornar realidade em Portugal: através de três sentenças favoráveis do Tribunal Constitucional (via judicial) ou de uma maioria na Assembleia da República (via legislativa).
A primeira hipótese já está afastada. As duas lésbicas que queriam que o Tribunal Constitucional as deixasse casar viram a pretensão negada em fins de Julho. E não há mais nenhum caso em cima da mesa.
Tinha-se por mais verosímil a segunda hipótese e nela apostaram (apostam tudo) algumas associações LGBT: o PS, ganhando as próximas legislativas, muda o Código Civil com o apoio da esquerda e já está. Pois parece que não vai ser assim tão fácil.
O que o veto do presidente da República sobre a lei das uniões de facto vem mostrar é que o casamento gay por via parlamentar também não tem futuro. Cavaco lá estará para o vetar. Foi isso que ele quis dizer hoje.

"Verónica Decide Morrer" em Cascais

Verónica Decide Morrer, de Emily Young, estreia-se em Portugal a 16 de Setembro, no MedCine, Festival de Cinema Médico de Cascais (aqui e aqui). O filme adapta o romance de Paulo Coelho com o mesmo título.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Straight issue"

Eis a edição número 27 da Butt. Pela primeira vez, anuncia a revista, os protagonistas são os "heteros". É o primeiro straight issue, com "todo o género de heterossexuais e as suas incríveis histórias de vida".
Rossy de Palma, famosa "chica Almodóvar", é uma das entrevistadas.
Em breve.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Tão bonito que parece estrangeiro"

"António Variações era um coleccionador - de santinhos, de bonecos de plástico nus e carecas como bebés, de faiança portuguesa, o que confirma o "folclorista" que ele era (era assim que se definia musicalmente).
Tudo isso está registado em fotografias tiradas em casa de Variações (as paredes são verdes, não há que enganar) e tudo isso, incluindo as fotografias, irá a leilão em Novembro.
A P4, a casa que no ano passado leiloou o conteúdo da mítica arca de Fernando Pessoa, chegou a acordo com a família do cantor - oito irmãos, a viver entre Braga e Londres - para leiloar o espólio pessoal de António Variações, que inclui manuscritos, correspondência, objectos pessoais, guarda-roupa, fotografias inéditas. (...) Um programa de concerto de Amália Rodrigues, autografado pela própria: "Para o António, tão bonito que parece estrangeiro..."
[no Público, hoje, aqui]

domingo, 16 de agosto de 2009

Ler não chega

"Pelo meio surgem cafés que já não existem, tertúlias propícias ao excesso e à “noivadiagem”, iniciações à arte tipográfica em que Paulo da Costa Domingos (sobretudo nas décadas de 80 e 90) se tornou o nosso miglior fabbro e um dos mais inventivos editores europeus. A receita, simples mas ao alcance de poucos, é-nos dada de forma inequívoca: “Manter um vigilante e apertado nexo entre qualquer significado estético e os seus modos de produção e difusão — disto nunca se deve abrir mão.” Aí está uma máxima, severamente livre, que não encontraremos nos reinantes concubinatos editoriais ou em delirantes planos nacionais de leitura. Passa por aqui, num tom austero mas contundente, uma outra ética: “A leitura faz de nós melhores pessoas; [...] isso consolidou em mim o autodidacta.” Congruentemente, a figura do intelectual ou do funcionário poético é alvo de extrema corrosão. Aos “consumidores de ideias feitas” e à “escumalha da crítica e do jornalismo”, Paulo da Costa Domingos contrapõe, sem rodeios, que “ler não chega; há que ver e ouvir pela abertura do coração, comovidamente”."
[crítica de Manuel de Freitas ao livro Narrativa, de Paulo da Costa Domingos, no Expresso ("Actual"), ontem; sem ligação]

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Exigência omnívora

"Nas questões de fundo que realmente podem pôr em causa a liberdade de imprensa, as pessoas passam por elas como gato sobre brasas. Por exemplo, a precariedade do emprego: seria interessante ver os níveis médios de remuneração do jornalismo português. Sei de pessoas que trabalham dez anos num jornal e recebem 1000 ou 1200 euros. Um jornalista assim terá dificuldade em ser independente. (...) A construção de uma peça exige tempo, reflexão, especialização, mas hoje o jornalismo está confrontado com uma exigência omnívora: o jornalista tem de tocar em economia, política, sociedade, fazer isto e aquilo para amanhã e adaptar o texto para vários formatos. Esses aspectos sim, põem em causa a capacidade de fazer a investigação e respeitar princípios básicos da profissão, como o contraditório, ou evitar o anonimato das fontes - que era uma excepção e agora é regra."
[Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), em entrevista ao jornal i, ontem, aqui]